Sporting, especialista a sofrer sem precisar

13 de Setembro de 2017 | por Público
Sporting, especialista a sofrer sem precisar

Já vimos isto antes. Sabemos o que o Sporting tem feito nesta época e, por isso, uma goleada anunciada nos primeiros minutos não quer dizer, necessariamente uma goleada no final do jogo. Frente ao Estoril, por exemplo, aconteceu a mesma coisa, golos madrugadores que indiciavam uma vitória tranquila que se transformou numa vitória dramática. No Pireu, as coisas aconteceram mais cedo, e, numa noite de muitas goleadas na Liga dos Campeões, o Sporting podia ter entrado para essa lista, mas o que parecia uma goleada ao intervalo, acabou por ser uma vitória pela margem mínima por 3-2 frente ao Olympiacos na estreia dos “leões” no Grupo D da Champions.

O Sporting versão 2017-18 é uma equipa de muita luz, mas de buracos negros inexplicáveis. Aconteceu com o Estoril, com o Feirense e, agora, com o campeão grego, que deve agradecer à solidez do ferro com que é feita a sua baliza e com o alcance de várias partes do corpo do seu guarda-redes Kapino. Não é exagero dizer que, para além dos três golos marcados na primeira parte, podiam ter sido mais três ou quatro. E um resultado tão expressivo fruto de uma exibição tão esmagadora seriam o suficiente para tranquilizar quem está na frente e desmoralizar que está atrás. Não aconteceu nem uma coisa nem outra.

Num grupo em que o Sporting não é um candidato óbvio ao apuramento (esse estatuto pertence a Barcelona e, apesar da derrota pesada em Camp Nou, à Juventus), muito do seu futuro europeu dependia dos confrontos com o Olympiacos e as coisas não podiam ter começado melhor. Logo ao segundo minuto, um cruzamento de Acuña, após livre curto de Jonathan, encontra Doumbia, que cabeceou na perfeição para a baliza de Kapino. Era o primeiro golo da noite na Champions que validava, também, a opção de Jorge Jesus pelo avançado costa-marfinense em prejuízo de Bas Dost na frente de ataque – tal como acontecera, aliás, em Bucareste, no segundo jogo do play-off com o Steaua.

Mas foi, sobretudo, com o segundo golo que deu para ver o que Jesus queria com o africano em vez do holandês. Numa pura jogada de contra-ataque, Doumbia coloca a bola em Gelson Martins e o jovem extremo vai por ali fora até chegar à área grega e fazer o 2-0 aos 13’. O 3-0 só aconteceu aos 43’, mas já lá vamos porque podia ter sido o 7-0. Não foi porque Bruno Fernandes atirou ao poste aos 18’. Kapino defendeu como pôde oportunidades de Doumbia aos 20’ e de Coates aos 22’, e Gelson atirou à trave aos 40’. O 3-0 quatro vezes adiado chegou quase no final da primeira parte, uma “assistência” de Coates ainda no meio-campo “leonino” para Bruno Fernandes fazer o seu quinto golo da temporada.

O Sporting não precisava nem procurava ter o domínio territorial do jogo, nem se preocupava demasiado em elaborar as jogadas. Era uma questão de aproveitar os muitos buracos na defesa do campeão grego e metê-las dentro da baliza. Uma exibição superlativa que só podia fazer Jesus sorrir. Para a segunda parte, o Olympiacos tentou primeiro não sofrer mais e, depois, tentar levar algum perigo à baliza de Rui Patrício. Como o Sporting já parecia estar a entrar em modo gestão, foi conseguindo esse duplo objectivo, mas foi ficando a zeros.

Já com Bas Dost em campo, os “leões” tiveram uma dupla oportunidade aos 88’. O holandês permite mais uma defesa difícil a Kapino e, no canto que se seguiu, acerta na trave. Na jogada seguinte, o colombiano Felipe Pardo, que entrara poucos minutos antes, aproveita uma tremenda passividade da defesa “leonina” e faz o 1-3 para o Olympiacos. A bola vai ao centro e o árbitro Viktor Kassai dá três minutos de tempo extra. Ao segundo desses minutos, o antigo jogador do Sporting de Braga faz o 3-2, mas já não havia tempo para mais nada porque o jogo terminou pouco depois. Foi um “black-out” que durou alguns minutos, qua acabou por não ter consequências de maior para beliscar a estreia na liga milionária.

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