Primeiro o Sporting foi sério e depois deixou a festa para o Oleiros

13 de Outubro de 2017 | por Público
Primeiro o Sporting foi sério e depois deixou a festa para o Oleiros

Antes de qualquer tiro de partida ou apito inicial, não há quem entre numa corrida ou num jogo sem se imaginar a ganhar. A verosimilhança desse pensamento varia entre o sonho impossível e o dado quase adquirido, e, neste aspecto, não podiam ser mais opostos o Associação Recreativa e Cultural de Oleiros e o Sporting Clube de Portugal, um clube com apenas com um ano de futebol profissional e um dos “grandes” do futebol português, um fosso que só uma conjugação extrema de muitos factores poderia anular. Nesta quinta-feira, mandou a lei do mais forte e o Sporting seguiu em frente na Taça de Portugal com um triunfo por 2-4 sobre a equipa da vila de Castelo Branco.

Não houve escândalo da Taça em Oleiros, mas houve festa dos dois lados. Houve uma equipa que entrou com o seu sonho, outra que entrou com seriedade. Já se sabe que Jorge Jesus tem sempre o grau de exigência elevado, seja quem for o adversário, e os seus níveis de seriedade estão sempre no máximo. Claro que o técnico “leonino” não levou ao pequeno campo de relva sintética o seu melhor “onze” — muitos andaram pelas selecções e é preciso pensar na viagem a Turim para a Champions —, mas trabalhou esta segunda unidade para ser competitiva frente a uma equipa que está em nono lugar da Série C do Campeonato de Portugal.

Do “onze” para esta entrada em cena na Taça, poucos tinham grande rodagem na primeira equipa. Jonathan Silva foi mesmo o único que fora titular no jogo anterior dos “leões”, com um B a alinhar de início, o angolano Gelson Dala, entre muitas segundas opções (Salin, André Pinto, Ristovski, Bruno César, Podence, etc.). Havia uma natural falta de entrosamento, mas não foi por isso que o Sporting deixou de assumir o controlo do jogo. Luís Pedro, o guarda-redes da equipa da casa, foi tendo algumas intervenções heróicas, entre elas a um remate acrobático de Dala, aos 11’, mas já não conseguiu parar o remate de João Palhinha aos 23’, depois de um cruzamento de Jonathan mal desfeito pela defesa da casa.

O relvado sintético podia estar a abrandar o Sporting, mas não foi suficiente para inclinar o resultado para o outro lado. Aos 41’, é Podence a avançar pela direita e a meter a bola redondinha na cabeça de Matheus Oliveira, com o filho de Bebeto a marcar o primeiro golo pelos “leões” em jogos oficiais. Mas a primeira parte não acabaria sem um primeiro motivo de festa para os adeptos locais. Aos 44’, Ivan conduz o contra-ataque e coloca a bola em Jackson, que, frente a Salin, atira ao lado.

O Sporting estava a abrandar e Jorge Jesus não gostava — as verdadeiras explosões de raiva viriam mais tarde. O Oleiros voltou a criar perigo logo no início da segunda parte, de novo por Jackson, um muito interessante avançado brasileiro, veloz e de remate fácil — foi dele um remate de fora da área que obrigou Salin a sujar os calções. Mas aos 61’ foi Palhinha a bisar com um remate acrobático, após cruzamento de Podence. Com 0-3 a seu favor, o Sporting travou a fundo e quase parou. E o Oleiros foi em busca do seu sonho possível, o golo.

O primeiro aconteceu aos 80’, numa aceleração de Jackson que deixou Petrovic (a jogar a central) para trás e a bola só acabou na baliza do Sporting. A cavar outra vez um bocadinho a diferença, Rafael Leão, um avançado júnior em estreia, fez o 1-4 aos 86’, após mais um cruzamento perfeito de Podence. Mas o Oleiros ainda tinha qualquer coisa para dar ao jogo, aproveitando a descontracção total do Sporting, que já tinha mais dois da B em campo — Demiral e Jovane. Foi Djô Djô, avançado congolês de 22 anos, a fazer o segundo golo da sua equipa na compensação.

O Oleiros vai receber o Fornos de Algodres com a alma cheia e com um treinador, Natan Costa, orgulhoso. O Sporting vai a Turim com a sua primeira unidade descansada defrontar a Juventus no palco da Champions. Toda a gente saiu do campo feliz e segue o seu caminho.

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