Mulheres continuam a trabalhar em áreas tradicionalmente femininas mas a situação está a mudar

01 de Novembro de 2017 | por Lusa
Mulheres continuam a trabalhar em áreas tradicionalmente femininas mas a situação está a mudar As mulheres continuam a trabalhar principalmente em áreas "tradicionalmente femininas", mas começa a aumentar a sua representatividade nas atividades de consultoria, científica, técnica e similares, revela um relatório hoje divulgado.
O relatório sobre "o progresso da igualdade entre mulheres e homens no trabalho, no emprego e na formação profissional - 2016", que é apresentado na quinta-feira em Lisboa, no seminário "A Igualdade de Género no Mercado de Trabalho - Dia da Igualdade Salarial", sublinha que "a crescente qualificação das mulheres tem vindo a refletir-se, paulatinamente, numa relativa melhoria da posição das mulheres no mercado de trabalho".
A presença de mulheres em atividades de consultoria, científicas e técnicas subiu de 54,3% em 2015 para 56,4% em 2016, "apesar de as taxas de feminização mais elevadas continuarem a observar-se em áreas tradicionalmente femininas, como a saúde humana e o apoio social (82,4%) e a educação (76,7%)".
Entre 2015 e 2016, o crescimento do emprego nas profissões altamente qualificadas foi mais significativo para as mulheres (+4,3%) do que para os homens (+2,2%), tendo a proporção de mulheres empregadas nestas profissões aumentado de 36,8% para 37,6%, enquanto nos homens foi de 34,8% para 35,4%.
Segundo o relatório, divulgado pela Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE), a população feminina também aumentou no grupo "representantes do poder legislativo e órgãos executivos, dirigentes, diretores e gestores executivos" (mais 11,1 mil pessoas), enquanto nos homens diminuiu (menos 6,7 mil).
Mas apesar do aumento do número de mulheres em cargos de direção e de chefia, ou de alta responsabilidade, "continua a existir uma assinalável assimetria entre mulheres e homens neste grupo profissional": 35,8% e 64,2%, respetivamente.
No grupo dos "trabalhadores qualificados da indústria, construção e artífices" registou-se uma ligeira descida no número de mulheres (menos 400 pessoas), ao contrário dos homens (mais 16,6 mil).
Também se observou um "maior aumento de homens" no grupo "técnicos e profissionais de nível intermédio" (+19,7 mil), um crescimento que também foi acompanhado pelas mulheres mas de forma menos significativa (+11,4 mil).
O relatório salienta ainda que, entre 2015 e 2016, diminuiu de modo transversal o número de mulheres empregadas nos grupos profissionais de menor qualificação, em particular no grupo dos "agricultores e trabalhadores qualificados da agricultura, da pesca e da floresta" (menos 13 mil), o mesmo acontecendo com os homens (menos 18 mil).
Em 2016, a população ativa (15 e mais anos) foi estimada em 5,17 milhões de pessoas, das quais 51,2% homens e 48,8% mulheres, menos 16,9 mil pessoas face a 2015. A descida foi mais acentuada nas mulheres (menos 11,9 mil) do que nos homens (menos 4,9 mil).
A taxa de emprego situou-se nos 65,2%, com um aumento de 1,3 pontos percentuais face a 2015, sendo de 62,4% para as mulheres (+1,3 p.p) e 68,3% para os homens (1,4 p.p.), o que resultou num "ligeiro aumento do diferencial entre os sexos, de 5,8 p.p. em 2015 para 5,9 p.p. em 2016".
Relativamente à remuneração média mensal, a diferença entre ambos os sexos em 2015 era de 240,9 euros, com os homens com uma remuneração média de 1.207,8 euros e as mulheres sw 966,9 euros.
Segundo o documento, "são as mulheres que obtêm um maior número de certificações, em todos os escalões etários, com a exceção dos escalões mais jovens, o que se relacionará com o facto de as mulheres prosseguirem em maior número os estudos superiores".
Em Portugal, apesar de as mulheres trabalharem maioritariamente a tempo inteiro, mantêm a seu cargo a maior parte do trabalho doméstico e de prestação de cuidados dentro da família, enquanto os homens dedicam mais tempo ao trabalho profissional
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