Vinte em cada mil pessoas em Portugal sofrem de demência

10 de Novembro de 2017 | por Público
Vinte em cada mil pessoas em Portugal sofrem de demência

Portugal é um dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) que tem das prevalências mais altas de pessoas com demência. De acordo com o relatório Health at a Glance 2017, daquela organização, publicado esta sexta-feira, 20 em cada mil habitantes sofrem desta doença. Um valor acima da média da OCDE que está nos 15 casos por mil habitantes.

A prevalência aumenta com a idade e a tendência é que os números agravem, já que segundo o documento Portugal é dos países onde o envelhecimento da população vai ser mais expressivo nos próximos anos. E os recursos para cuidar dos mais velhos são poucos. Apenas 2% das pessoas com 65 anos ou mais recebem cuidados de longa duração e também somos dos países com menos profissionais a prestar este tipo de cuidados.

Monitorizar saúde da população idosa

Segundo o relatório – que compara dados de 35 países em todos os indicadores e de mais nove países em apenas uma parte –, Portugal só é ultrapassado pela Alemanha, Itália e Japão, país que apresenta o valor mais alto de demência por mil habitantes (perto de 25). Na ponta oposta estão o México, a Turquia e a Eslováquia, com menos de nove doentes por mil habitantes.

“A prevalência da demência, cuja forma mais comum é a doença de Alzheimer, é um indicador para monitorizar a saúde da população idosa”, explica o documento, acrescentando que o envelhecimento da população tornará a demência mais comum. E os países “com um envelhecimento mais rápido verão esta prevalência mais do que duplicar nos próximos 20 anos”.

Uma realidade que Portugal poderá enfrentar, tendo em conta o cenário traçado no relatório. “Em mais de dois terços dos países da OCDE pelos um quarto da população terá mais de 65 anos em 2050. Estima-se que esta proporção seja especialmente maior no Japão, Espanha, Portugal, Grécia e Coreia, onde cerca de 40% da população terá mais de 65 anos em 2050.” Valores que serão ainda mais expressivos se avaliada a faixa etária acima dos 80 anos, já que a OCDE estima que em Itália, Espanha, Portugal e Alemanha a percentagem mais que duplique entre 2015 e 2050.

Só 2% com cuidados de longa duração

Quando questionados sobre a sua saúde, numa auto-avaliação, os idosos (mais de 65 anos) portugueses estão entre os que consideram que têm pior saúde. Menos de 15% diz estar bem, quando na Suécia ou Noruega a percentagem é superior a 60%. O relatório refere ainda que os homens consideram que têm melhor saúde (a média da OCDE está nos 47%) do que as mulheres (41%).

À semelhança do relatório anterior, a esperança de média de vida dos portugueses está nos 80 anos, mas o número de anos de vida saudável a partir dos 65 é menor do que em muitos países.

No capítulo dedicado ao envelhecimento, os cuidados prestados aos mais velhos também são analisados. “A média da OCDE mostra que 13% das pessoas com mais de 65 anos recebem cuidados de longa duração. Uma percentagem que varia entre os 2% registados em Portugal e os 6% da Estónia e os mais de 20% registados em Israel e Suíça.”

Com envelhecimento aumenta a necessidade de cuidados, quer sejam prestados em casa ou em instituições. A maioria das pessoas prefere receber em casa e por isso, salienta o relatório, muitos países da OCDE criaram programas de apoio domiciliário.

“Na maioria dos países com informação disponível, a percentagem de pessoas com mais de 65 anos a receber cuidados de longa duração em casa aumentou nos últimos dez anos, especialmente em Portugal e na Suécia. Em Portugal é o reflexo da expansão dos cuidados domiciliários que estavam num nível muito baixo em 2005. No caso da Suécia resulta de uma política de um aumento cuidados na comunidade”, aponta o documento.

A família e os amigos, os chamados cuidadores informais, são a fonte de apoio mais importante de cuidados. A média da OCDE mostra que 13% das pessoas com 50 ou mais anos presta cuidados a outro semanalmente. Em Portugal o valor é inferior a 10%. O número de horas diárias que os cuidadores informais prestam também é variável e diminui nos países que têm uma rede de resposta formal mais capaz.

Por norma, são enfermeiros e auxiliares que tanto podem prestar cuidados domiciliários ou trabalhar em instituições como lares . “Noruega, Suécia e Estados Unidos são dos países com mais profissionais e a Eslováquia e Portugal os que têm menos”, diz a OCDE.

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