FC Porto sobrevive mais um dia antes da tomada de decisão

22 de Novembro de 2017 | por Público
FC Porto sobrevive mais um dia antes da tomada de decisão

Mesmo tendo deixado escapar uma preciosa vantagem (1-1), o FC Porto sobreviveu praticamente incólume à tormenta e à visão apocalíptica de Istambul, garantindo na pior das hipóteses o terceiro lugar do Grupo G da Liga dos Campeões, de que o Besiktas é, à 5.ª jornada, antecipadamente o vencedor.

Aos “dragões” faltou nesta terça-feira um rasgo de génio capaz de fazer desmoronar de vez a muralha turca, mas sobrou capacidade de sofrimento para evitar complicar as contas do grupo, parcialmente dependentes do resultado do Mónaco-RB Leipzig. O empate, para além de prolongar a invencibilidade em solo turco, leva os portistas para a última ronda a dependerem exclusivamente do resultado do jogo do Dragão, frente aos monegascos. E essa foi a certeza que terá influenciado o desenho estratégico apresentado pelo treinador do FC Porto, que sem querer surpreender... surpreendeu.

Com Maxi e Sérgio Oliveira no “onze”, o FC Porto entrou disposto a ignorar o “inferno” do Besiktas Park, a reclamar a ambivalência de Ricardo Pereira — projectado no ataque, no papel de Corona, mas sempre de olho no sector confiado ao lateral uruguaio — e a intensidade do recuperado Herrera.

O FC Porto conseguiu, de resto, passar uma imagem de indiferença ao ambiente inóspito que Sérgio Conceição tentou desvalorizar. Os primeiros minutos mostraram um “dragão” fluido, interessado em esconder a bola de um adversário que jogava com o facto incontornável de poder garantir o primeiro lugar do grupo com um simples empate.

Na verdade, o intensificar da pressão a que os portistas acabaram por ser submetidos e que empurrou a equipa para uma posição de algum desconforto emocional teve mais a ver com um passe atrasado de Sérgio Oliveira e com o cartão amarelo exibido ao médio que Sérgio Conceição colocou no apoio a Danilo.

O FC Porto passava a experimentar enormes dificuldades, limitando-se a responder à pressão turca com balões para a frente, onde Brahimi e Aboubakar começavam a sentir-se demasiado isolados. O argelino procurava responder através de acções individuais condenadas ao insucesso, enquanto o Besiktas aguardava pacientemente pelo momento certo para golpear os portistas, como aconteceu no remate de Babel a que José Sá respondeu com a primeira de um punhado de defesas a justificarem a aposta de Sérgio Conceição no guarda-redes português.

E já com praticamente meia-hora de jogo, o FC Porto aproveitava uma das suas principais “armas” — as bolas paradas, especialidade que já produziu sete golos, no que constitui o melhor aproveitamento entre todas as equipas da Champions — para silenciar o estádio, com Felipe a marcar o primeiro da noite a cruzamento de Ricardo.

Subitamente, os turcos eram invadidos por um sentimento de tensão, com os assobios ao “dragão” a soarem mais trémulos. Mas Quaresma assumia, de imediato, o papel de libertador, empunhando a batuta com classe e ensaiando uma assistência que só uma intervenção feliz de José Sá impediu que fosse transformada em golo. Besiktas e FC Porto entravam em diálogo, com Aboubakar a falhar e Talisca, do lado contrário, a não perdoar, já perto do intervalo. O brasileiro fechava a primeira parte com o resultado que satisfazia os turcos, ainda que o mérito tenha pertencido quase em absoluto à enorme categoria de Cenk Tosun, que concebeu todo o lance do empate.

O intervalo convidava a um rápido balanço, não só do que acontecera mas, mais importante até, do que poderia advir deste cenário de virtual encontro de intereses. Pelo que se seguiu, depreende-se que Senol Gunes estava mais inclinado a resolver a questão sem ter que prolongar demasiado o suspense. Nessa perspectiva, o Besiktas surgia mais arrojado e incisivo, sempre com a voz de comando de Ricardo Quaresma a guiar os ataques às redes portuguesas. O assédio era mais intenso do que nunca, esbarrando apenas nos reflexos de José Sá e na frieza da barra, que desfez as pretensões de Babel, após um remate de fora da área.

Face aos equívocos ofensivos, que acabaram por contagiar Ricardo Pereira na grande ocasião criada pelo FC Porto na segunda metade — o lateral
extremo tentou uma trivela que falhou o alvo de forma flagrante —, tornava-se cada vez mais evidente que o jogo caminhava para o tal empate técnico em que ninguém queria pensar, mas que pesava já toneladas no subconsciente de jogadores e técnicos.

O golo desperdiçado por Ricardo, após uma assistência involuntária de Adriano, assinalaria praticamente o fim das hostilidades, embora tal desfecho fosse mais proveitoso para o Besiktas, que assim carimbava, ao fim de sete tentativas, a primeira presença nos oitavos-de-final da prova milionária.

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