Benfica termina intercâmbio europeu sem ter aprendido nada

23 de Novembro de 2017 | por Público
Benfica termina intercâmbio europeu sem ter aprendido nada

Olhando para a carreira europeia do Benfica em 2017-18, é difícil acreditar que a equipa tenha estado (e ainda esteja, por um jogo mais) em competição na Liga dos Campeões. Na hora de fazer o balanço, a imagem que o tetracampeão português deixou foi a de uma cordial participação numa espécie de intercâmbio cultural e desportivo, experiência que chegou ao fim sem qualquer sinal de evolução. O 2-0 registado, nesta quarta-feira, em Moscovo, diante do CSKA, não foi mais do que a certificação da incapacidade que os “encarnados” foram mostrando ao longo da prova, jornada após jornada.

Cinco jogos, cinco derrotas, um golo marcado e 12 sofridos. De longe, e por antecipação, o pior desempenho do Benfica na Champions. A este registo negro, os “encarnados” juntam ainda outros dados curiosos, como o facto de terem interrompido a longa série de 43 encontros que o guarda-redes russo Akinfeev somava sempre a sofrer golos na competição.

As contas eram fáceis de fazer: ao Benfica só interessava ganhar para continuar a ver uma luz, ainda que ténue, ao fundo do túnel do apuramento para os oitavos-de-final. Para isso, estava obrigado a elevar o nível e a contrariar um adversário que povoava o meio-campo com cinco unidades e fazia da pressão em zonas adiantadas um princípio de jogo que contribuiu para o fim das aspirações portuguesas. O CSKA não surpreendeu no seu tradicional 3x5x2, o Benfica não soube reinventar-se.

O golo de Schennikov, logo aos 13’, confirmou que os “encarnados” têm um problema estrutural com a troca de bola em espaços curtos, sempre que condicionados. Com a bola a entrar com facilidade na zona central, o lateral russo ficou na cara de Bruno Varela e finalizou à vontade, sem nunca ser incomodado — nem pelo árbitro assistente, que não assinalou posição irregular ao esquerdino.

A reacção imediata foi promissora, com variações do centro do jogo e bolas ao segundo poste na área russa, mas a finalização de Jonas aos 15’ confirmou a total desinspiração do Benfica. Perdia-se aquela que viria a ser a melhor ocasião dos lisboetas na partida e esvaziava-se (ainda mais) o balão da confiança.

O 4x3x3 de Rui Vitória não funcionava, também porque a saída de bola era medíocre, com o sector mais recuado a competir para ver quem vencia o concurso de passes falhados. Neste particular, Filipe Augusto deu cartas e a falta de intensidade do brasileiro deixou o Benfica sempre em desvantagem nos duelos no corredor central, numa altura em que o CSKA também já explorava até à exaustão o adiantamento de Eliseu.

Era preciso uma mudança tão grande que as substituições nunca seriam mais do que paliativos. Cervi rendeu Diogo Gonçalves (demasiado perdido) ao intervalo e, aos 57’, Raul Jiménez substituiu Filipe Augusto, com o sistema a derivar para um 4x4x2. Jonas ganhava um apoio na frente de ataque e Pizzi tentava comandar a partir de zonas mais baixas, mas nessa altura o CSKA já vencia por 2-0, graças a um autogolode Jardel — imprevidente no posicionamento inicial e infeliz no desvio final, para a própria baliza.

Até ao apito final, o Benfica acercou-se da área de Akinfeev, procurou menos os cruzamentos longos para as “torres” russas, mas nunca lhes tirou o sono. E, a partir de agora, poderá pensar em recalendarizar a época, à luz de um adeus anunciado também à Liga Europa.

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