FC Porto-Benfica, o clássico da revolução contra a continuidade

01 de Dezembro de 2017 | por Publico/Radio Nova
FC Porto-Benfica, o clássico da revolução contra a continuidade

Jogo especial, dois candidatos ao título, resultado imprevisível, três pontos que valem mais que três pontos, pode mudar muita coisa ou pode ficar tudo na mesma. São expressões que se utilizam, pelo menos, duas vezes por ano para se falar dos confrontos entre FC Porto e Benfica, com mais ou menos validade consoante a altura da época em que acontecem, ou de acordo com o momento de cada um deles. O desta sexta-feira, no Dragão, acontece ainda a época não vai a meio, em que as expectativas das duas equipas estão intactas e a diferença pontual é demasiado curta para transformar este clássico à 13.ª jornada num daqueles clássicos decisivos. Servirá, no entanto, para testar duas coisas: se este FC Porto reinventado por Sérgio Conceição vai confirmar o domínio das primeiras 12 jornadas: se este Benfica de Rui Vitória continua a ser o Benfica campeão dos últimos quatro anos.

Na abordagem à época, e no que à liderança técnica diz respeito, FC Porto e Benfica seguiram caminhos opostos de acordo com o seu passado recente. Depois de quatro anos seguidos sem ganhar e das apostas falhadas em Paulo Fonseca, José Peseiro, Julen Lopetegui e Nuno Espírito Santo, Pinto da Costa promoveu o regresso ao Dragão de um antigo jogador do clube, ainda a consolidar uma carreira de treinador, mas sem ter sido testado num clube com ambições. Antes do FC Porto, Sérgio Conceição tinha andado por Olhanense, Académica, Sp. Braga, Vitória de Guimarães e os franceses do Nantes, mas esta tinha tudo para ser uma promoção envenenada porque o antigo internacional português teria de fazer muito com pouco.

Na verdade, o novo FC Porto de Sérgio Conceição não é assim tão novo como isso. É uma espécie de equipa “low cost” – em rigor só houve uma contratação, o guarda-redes brasileiro Vaná, que nem joga. Com Conceição, muita gente que não contava para outras gerências teve uma segunda oportunidade e aproveitou-a. Ricardo Pereira, José Sá, Moussa Marega e Vincent Aboubakar são os grandes triunfos da reciclagem de Conceição, que pegou na consistência defensiva do seu antecessor e acrescentou-lhe vertigem atacante, chegando a esta fase do campeonato em primeiro, sem derrotas, com o melhor ataque (31 golos marcados) e a melhor defesa (cinco golos sofridos).

Sustentado em mais uma época de muitas conquistas, o Benfica não mexeu na liderança técnica, e Rui Vitória avançou para a sua terceira época no comando dos “encarnados”, já com dois títulos de campeão no bolso. Mas, tal como o FC Porto não é uma coisa nova, este Benfica também não é uma continuidade total em relação à última época. Uma coisa não muda: Jonas continua a ser decisivo. Os problemas do Benfica têm sido outros e têm a ver com a sucessão dos que saíram e com a falta de alternativas para os que ficaram e que não estão ao mesmo nível do passado ou sem a consistência exibicional necessária (Pizzi, Luisão, Salvio, Rafa, Cervi).

Ederson, Lindelöf, Nélson Semedo e Mitroglou foram saídas compensadas apenas no plano financeiro porque os seus sucessores não atingiram, por enquanto, o mesmo patamar e isso tem-se visto, sobretudo, na Liga dos Campeões. Rui Vitória tem conseguido inventar soluções nas duas épocas anteriores com a promoção de alguns jovens e, este ano, está a tentar fazer o mesmo. Duas delas (Rúben Dias e Krovinovic) parecem estar a resultar no imediato, outras a precisar de mais tempo (Felipe Augusto, Diogo Gonçalves) e até a baliza tem sido um problema (só falta mesmo jogar Paulo Lopes). Ainda assim, e com todas as condicionantes, o Benfica entra para esta jornada a três pontos da liderança, com o segundo melhor ataque (29) e a segunda melhor defesa (8), e com possibilidades de apanhar a formação portista – se no topo, ou não, depende do que fizer o Sporting, que está entre os dois, frente ao Belenenses, em Alvalade.
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