O realismo do Sporting não chegou a ser mágico

06 de Dezembro de 2017 | por Público
O realismo do Sporting não chegou a ser mágico

Realisticamente, o Sporting cumpriu a sua missão na Liga dos Campeões e ganhou os jogos que realisticamente estavam ao seu alcance. Menos razoável era esperar que o Sporting conseguisse sobreviver num grupo com Barcelona e Juventus, dois ex-campeões e candidatos assumidos ao título europeu. O que os “leões” conseguiram nesta Liga dos Campeões foi deixar boas impressões. Já o tinham feito e voltaram a fazê-lo nesta terça-feira em Camp Nou, em que dividiram o jogo com o gigante catalão, tiveram as suas oportunidades, mas sofreram nova derrota, desta vez por 2-0, e caíram para a Liga Europa. A noite podia ter sido mágica, mas o Sporting foi, sobretudo, realista.

Jorge Jesus bem tinha deixado as dicas. O Barcelona não vai jogar com os melhores? Talvez ele não fizesse o mesmo. O Barcelona está a pensar no jogo com o Villarreal? Talvez o Sporting também estivesse a pensar mais no Bessa do que em Camp Nou. No jogo das expectativas, Jesus conseguiu adivinhar o que Ernesto Valverde iria fazer e deve ter deixado o treinador do Barcelona a coçar a cabeça durante algum tempo. Lionel Messi estava no banco e foi esse um palpite que Jesus acertou em cheio, mas as verdadeiras surpresas estavam do lado do Sporting. Nem Bas Dost, nem Gelson Martins, nem Fábio Coentrão. Nem sequer o plano táctico habitual. Um sistema de três defesas, com Acuña na esquerda, Ristovski na direita e Alan Ruiz como principal referência atacante.

O argentino é, quanto muito, um segundo avançado, nunca um pivot de ataque. Nem o podia ser. Não tem velocidade para se desmarcar, não tem envergadura para fazer a diferença no jogo aéreo e não tem a velocidade de execução para aproveitar a desmarcação de um colega. E, estando sozinho, estas dificuldades são mais evidentes. Por tudo isto, o Sporting não soube o que fazer no ataque durante a primeira parte. Se a bola ia para os flancos, não havia cruzamentos porque não havia ninguém na área e a bola tinha de ver sempre para trás, e até Rui Patrício, de vez em quando, se esquecia que não tinha Dost lá na frente para ganhar uma bola de cabeça – era Ruiz, e não ganhou uma única bola aos centrais do Barcelona.

O que funcionava, e bem, era a defesa, perante um Barcelona também bastante alternativo. Não tinha Messi, nem Iniesta, nem Busquets, nem Jordi Alba, mas tinha os dois Suarez, Luis e Denis, tinha Vidal e tinha Paco Alcácer, mais os portugueses Nelson Semedo e André Gomes. Depois de alguns minutos de desconforto, em que Rui Patrício segurou a única verdadeira oportunidade catalã – desviou com a perna esquerda um remate de Luis Suarez aos 24’ -, o Sporting estabilizou no jogo, foi ganhando uns lançamentos no meio-campo catalão, um canto e até teve alguns tiros à baliza, sobretudo de Bruno Fernandes, “obrigado” a rematar porque tinha o inútil Ruiz ao lado.

Jesus resistiu meio jogo com o seu realismo e o Sporting conseguiu levar o empate até ao intervalo. Mas depois cedeu à “tentação” de querer ganhar o jogo, não só pelo prestígio, mas também porque, no Pireu, a Juventus só ganhava por 1-0 ao Olympiacos – e o empate dos italianos, mais a vitória “leonina” dava para passar aos “oitavos”. Sairam Ristovski e Ruiz, entraram Gelson e Dost, e o Sporting já parecia mais igual a si próprio. Mas o Barcelona, mesmo sem Messi, é o Barcelona, e aos 59’,quando o “baixinho” já estava a preparar-se para entrar, um canto de Denis Suarez levou a bola até à cabeça de Paco Alcácer (Gelson, na marcação, falhou no tempo de salto) e ao fundo das redes de Patrício.

Dois minutos depois do golo entrou Messi e três minutos depois o Sporting esteve à beira do empate. Bruno Fernandes fez o cruzamento, Bas Dost, com todo o espaço do mundo, encostou o pé na bola, mas o compatriota Cillessen defendeu. O holandês ainda voltaria a ter o golo nos pés aos 83’, mas o seu remate foi bastante mau após um excelente cruzamento de Fábio Coentrão. Depois, e quando a Juve já ganhava por 2-0 no Pireu, o Barcelona também fez o 2-0, com o ex-culé Mathieu a fazer um autogolo para lá dos 90’, numa jogada que começou em Messi – na primeira mão, em Alvalade, Coates também tinha marcado na própria baliza. O Sporting voltou a ficar-se pelas boas impressões, que não chegam para a Champions, mas podem chegar para a Liga Europa, prova que, com duas finais alcançadas, é a especialidade de Jesus.

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