"Dia de raiva" contra Trump e Israel faz um morto e dezenas de feridos

08 de Dezembro de 2017 | por Público

Milhares de palestinianos saíram às ruas nesta sexta-feira em Jerusalém, na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, em protesto contra a decisão do Presidente dos Estados Unidos de reconhecer Jesuralém como capital de Israel — uma mudança que inflamou a Palestina e todo o Médio Oriente.

Segundo a televisão Al Jazira, que cita as autoridades da Cisjordânia (onde há protestos em Hebron, Nablus, Jenin, Tulkarem e Jericó), mais de 200 palestinianos ficaram feridos nos confrontos desta sexta-feira e pelo menos 16 deles foram hospitalizados – o jornal israelita Haaretz fala em 60 feridos. Israel reforçou a presença de tropas nas ruas dos territórios.

O Ministério da Saúde palestiniano, citado pela Reuters, diz que uma das pessoas que foi atingida por soldados junto à fronteira da Faixa de Gaza morreu. Chamava-se Mahmud al Masri, tinha 30 anos e era da cidade de Khan Yunes, na Faixa de Gaza.

Logo após o meio-dia, o jornalista Hoda Abdel-Hamid, que está em Ramallah (a sede do governo da Autoridade Palestiniana), disse que os confrontos pareciam estar a dissipar-se, depois de "várias horas de confrontos entre jovens palestinianos e o Exército israelita". A meio da tarde a violência regressou.

Sexta-feira é o dia da principal oração da semana dos muçulmanos, existindo a possibilidade de os confrontos se intensificarem ao final da tarde. Vários movimentos islâmicos palestinianos apelaram a que se cumpra um "dia de raiva"contra a decisão de Donald Trump. O Hamas apelou ao início de uma Intifada(revolta) contra Israel. 

Jerusalém é a cidade santa para cristãos, judeus e muçulmanos. É um barril de pólvora e, por isso, qualquer pequena decisão sobre o seu estatuto pode provocar um grande conflito. Trump tomou uma decisão de profundas consequências, ao reconhecer que Jerusalém faz parte do território de Israel e é a sua capital.

Esta mudança no estatuto de Jerusalém ecoou em parte do mundo muçulmano. E há protestos na Indonésia, Malásia e Paquistão, países asiáticos de maioria muçulmana. Na capital afegã, Cabul, centenas de pessoas queimaram efígies do Presidente Trump e bandeiras dos Estados Unidos. A multidão gritou "morte à América", "morte a Trump" e "morte a Israel" — a segurança das embaixadas americanas foi reforçada nestes países e em outros na região do Médio Oriente.

Ao fazer o anúncio sobre Jerusalém, Trump disse que o seu vice-presidente, Mike Pence, iria visitar o Médio Oriente para conversações sobre um futuro plano de paz para a região. O grande imã Ahmed al-Taye, líder da mais alta instituição do islão sunita, a egípcia Al-Azhar, rejeitou esta sexta-feira o pedido para um encontro com o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, em protesto contra a mudança da embaixada dos EUA para Jerusalém. 

O imã rejeitou o pedido para um encontro marcado para o dia 20 de Dezembro com a explicação de que o Presidente norte-americano deve voltar atrás na sua decisão.

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