Acordos “só na próxima legislatura”, afirma Santana Lopes

18 de Dezembro de 2017 | por Lusa
Acordos “só na próxima legislatura”, afirma Santana Lopes

Pedro Santana Lopes até se mostra favorável a alguns acordos de regime, como o plano de longo prazo para as obras públicas, a descentralização ou a mudança das leis eleitorais para acolher, finalmente, os círculos uninominais. Mas “nunca na parte final da legislatura”. “Não estamos em momentos disruptivos, de rupturas, estamos a ano e meio do fim da legislatura, nunca é um bom momento para fazer acordos e reformas”, afirmou este domingo o candidato à liderança do PSD.

Santana Lopes juntou oito convidados e os jornalistas à volta de uma mesa oval para apresentar uma proposta de programa, a sua comissão de honra e a convenção nacional que fará em Janeiro para votar a proposta já disponível em www.pedrosantanalopes.pt, numa acção de campanha em que se quis distanciar do adversário pela apresentação de ideias e pela ausência de referências a Rui Rio. Quase conseguia.

“Enquanto outros baixam o nível no que dizem e no que fazem, nós subimos o nível”, disse logo na intervenção inicial, naquilo que sugeria ser uma alusão à entrevista de Rio ao DN e TSF, em que o ex-autarca do Porto acusava o adversário de, a propósito dos debates, fazer “as mesmas trapalhadas que fazia em 2004”, quando foi primeiro-ministro. Mas mais tarde, negou que estivesse a pensar no adversário quando disse aquela frase: “Estava a pensar na campanha das primárias do PS” entre António Costa e António José Seguro, respondeu quando questionado sobre a quem se referia.

Só por uma vez foi mais explícito na referência ao adversário. Foi quando lhe perguntaram sobre o apoio expresso pelo líder parlamentar, Hugo Soares, à sua candidatura: “Valorizo muito o apoio do líder parlamentar, tanto quanto valorizaria o meu adversário se o tivesse”, ironizou, dizendo que talvez Rio fizesse uma conferência de imprensa para o sublinhar. “Nós estamos aqui a apresentar ideias e apoios, e Hugo Soares é sem dúvida um talento com a fogosidade dos seus 34 anos, fiquei muito sensibilizado com o seu apoio”.

Coube a Telmo Faria, coordenador da proposta programática de Santana, a resposta a Rio, a quem acusou de fazer campanha com base em “slogans demagógicos”, “soundbites que não apontam para nenhuma acção concreta” e “vazio das ideias e dos slogans”.

Telmo Faria criticou o discurso de Rui Rio sobre o “banho de ética” e a “regeneração” política, a “infeliz comparação” entre ditadura e democracia, a crítica ao papel dos partidos e declarações como a do seu mandatário sobre a possibilidade de votar no PS ou a referência às “trapalhadas” de 2004. “Estamos a ir longe demais”, afirmou. E numa referência à falta de entendimento para debates, rematou: “Podemos ser bons com números mas não podemos ter medos das pessoas”.

Rui Machete, presidente da comissão nacional, fez a crítica do governo e o elogio do anterior executivo, liderado por Passos Coelho. Considerou o primeiro-ministro António Costa “um homem inteligente e habilidoso”, mas sem visão nem futuro, criticou a “desorientação estratégica e negligência política” que diz ter permitido situações como os incêndios, Tancos ou o Infarmed e defendeu que “a herança recebida constitui o esteio principal dos sucessos obtidos desde então”.

Depois de mais de duas horas e das intervenções dos seus oito convidados para apresentar a proposta de programa que será debatida e votada na convenção nacional que fará a 6 de Janeiro, Santana Lopes falou então das suas prioridades, colocando no topo o crescimento económico como “desígnio nacional” e a competitividade como “quase obsessão”. “Portugal deve ser a nova Finlândia, tem de juntar talentos e acrescentar valor”, defendeu.

Como instrumento de competitividade, defendeu uma “política fiscal ousada”, com descida de impostos para as empresas: “Para já quero concentrar-me no IRC, é aquele que eu assumo. Não vou dizer sacrificar tudo ao investimento, mas a criação de condições de confiança para o investimento é ponto essencial deste programa”, defendeu, considerando que o país ganhará mais com a criação de emprego gerada pelo investimento do que com algumas devoluções de rendimentos. A este propósito, manifestou-se contra qualquer alteração da legislação laboral aprovada pelo anterior Governo PSD/CDS-PP.

“Menor Estado, melhor Estado” foi a fórmula com que resumiu a sua ideologia, defendendo para a contratualização das funções do Estado com o terceiro sector, admitindo sistemas contributivos privados de Segurança Social e também o financiamento privado dos partidos políticos, hoje limitado a pequenas contribuições individuais.

Incitado a escolher uma palavra-chave para a sua candidatura, elegeu a inovação: “Inovar em tudo, desde o crescimento económico à política fiscal, passando por um Estado respeitador das pessoas e das empresas”, disse. 

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