Não chega reconstruir, é preciso “reinventar a confiança”, diz Marcelo

02 de Janeiro de 2018 | por Público
Não chega reconstruir, é preciso “reinventar a confiança”, diz Marcelo

Sob o signo dos incêndios trágicos do ano que passou, a mensagem de Ano Novo do Presidente da República exorta o Governo e o país não apenas à reconstrução, mas à “reinvenção do futuro” com “coragem” e “empenho”.

Mais do que “estabilidade governativa, finanças sãs, crescente emprego, rendimentos”, Marcelo Rebelo de Sousa quer que se faça a “reinvenção da confiança dos portugueses na sua segurança”, o que significa “ter a certeza de que, nos momentos críticos, as missões clássicas do Estado não falham nem se isentam de responsabilidades”.

Na segunda mensagem de novo ano do seu mandato, o chefe de Estado começou por fazer um balanço do ano que devia ter acabado a 16 de Junho - um “estranho e contraditório ano”, “povoado de reconfortantes alegrias e de profundas tristezas”. E não foram só os incêndios, lembrou o Presidente: nesse “outro ano, bem diverso” que começou a 17 de Junho houve também “a perplexidade em Tancos, o pesar no Funchal, o espectro da seca”.

Mas foram sobretudo as tragédias dos incêndios, “tão brutalmente inesperadas e tão devastadoras em perdas humanas e comunitárias que acabariam por largamente pesar no balanço de 2017”. Tragédias invocadas ao longo de toda a mensagem que servem ao chefe de Estado para exortar à acção, com a “coragem de reinventarmos o futuro” e “com o mesmo empenho revelado no que em 2017 conheceu êxito”. É este o recado mais explícito para o Governo: já não basta que cresça a economia, como pedia há um ano, nem que se estabilizem as finanças e o sistema bancário, até porque o essencial nessas matérias está feito, para já. Essas matérias mereceram apenas um alerta de “prudência para o futuro”.

O que Marcelo quer é uma nova forma de olhar para o interior, para a desertificação, a coesão, e em concreto todo o sistema de prevenção e combate aos fogos florestais. São esses os votos presidenciais para 2018, e que vão no mesmo sentido daquilo que tem evocado desde 17 de Junho, mas sobretudo depois de 15 de Outubro: não basta reconstruir, é preciso reinventar.

Reinvenção que é mais do que mera reconstrução, aliás, logo iniciada pelas mãos de todos – vítimas, Governo, autarquias locais, instituições sociais e privadas e anónimos portugueses”, disse Marcelo, dando pistas sobre o que pretende. “Reinvenção do que é possível e imperativo refazer em pessoas e comunidades. Reinvenção pela redescoberta desse, ou talvez mesmo desses vários Portugais, esquecidos, porque distantes, dos que, habitualmente, decidem, pelo voto, os destinos de todos. Reinvenção com verdade, humildade, imaginação e consistência”, disse.

O povo é quem mais ordena

A mensagem, diz mesmo, não é sua, ou não é só sua: “É a palavra de ordem que vem do povo, deste povo, do mais sofrido, do mais sacrificado, do mais abnegado” que sofreu com os incêndios. E são quatro as palavras que diz ouvir, que na verdade são quatro recados para o país, mas em especial para o Governo: “Converter as tragédias que vivemos em razão mobilizadora de mudança, para que não subsistam como recordação de irrecuperável fracasso”. Afirmar “a mesma vontade de vencer que nos fez recusar a resignação de uma economia e de uma sociedade condenadas ao atraso e à estagnação”. “Superar o que de menor nos divide para afirmar o que de maior nos une”. “Ser como fomos nos instantes cruciais das grandes aventuras, dos grandes riscos, das grandes catástrofes, dos grandes encontros com a nossa História”.

Na primeira parte da intervenção, o chefe de Estado elencara os sucessos alcançados por Portugal, o mesmo é dizer, elogiara a acção do Governo: “Finanças públicas a estabilizar, banca a consolidar, economia e emprego a crescer, juros e depois dívida pública a reduzir, Europa a declarar o fim do défice excessivo e a confiar ao nosso ministro das Finanças a liderança do Eurogrupo, mercados a atestarem os nossos merecimentos”.

Uma espécie de sonho tornado realidade, frisou Marcelo: “Ninguém imaginaria, há menos de dois anos, poder partilhar tão rápida e convincente mudança. Sem dúvida iniciada no ciclo político anterior, mas confirmada e acentuada neste, que tão grandes apreensões e desconfianças havia suscitado, cá dentro e lá fora”. Com prémios como cerejas no topo do bolo: “O triunfo europeu da nossa música, os sucessivos galardões no turismo, o sucesso reiterado no digital ou os êxitos nas artes, na ciência ou no desporto, colocando Portugal como destino cimeiro universal”, acrescentou.

“Se o ano tivesse terminado em 16 de Junho, ou tivesse sido por mais seis meses exactamente como até então, poderíamos falar de uma experiência singular, constituída apenas por vitórias”. Mas não foi assim e Marcelo já fez notar que não vai deixar esquecer o lado B desta história.

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