PCP alerta para possível regresso do bloco central

22 de Janeiro de 2018 | por Público e Lusa
PCP alerta para possível regresso do bloco central

Jerónimo de Sousa lançou neste domingo um alerta para uma possível “retoma formal ou informal do chamado bloco central”. Numa conferência de imprensa após a reunião do Comité Central do PCP, o secretário-geral do partido deixou o aviso para eventuais acordos futuros entre PS e PSD, depois dos apelos frequentes que têm sido feitos neste sentido pelo Presidente da República e depois de o presidente do PS, Carlos César, ter afirmado na passada semana que o partido está disposto a consensos com todos os partidos, no que respeita à transparência e descentralização.

“O Comité Central do PCP alerta e denuncia o desenvolvimento de projectos reaccionários que, quer a partir das forças do grande capital e dos sectores políticos a elas associados no PSD, no CDS mas também no interior do PS, quer com recurso à criação e promoção de soluções populistas ou à retoma formal ou informal do chamado bloco central, visam intensificar a exploração e retomar o rumo de liquidação de direitos”, afirmou Jerónimo de Sousa. O líder comunista alertou ainda “para o recrudescimento do populismo e das concepções antidemocráticas que lhe estão associadas”.

Questionado sobre as "soluções populistas" a que se refere o PCP, Jerónimo de Sousa respondeu que a lei do financiamento dos partidos é "um exemplo paradigmático" e apontou à posição do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que vetou politicamente o diploma, devolvendo-o ao parlamento.

Indagado sobre a atitude do Presidente como parte dessa "onda de populismo" respondeu: "É uma consequência. O Presidente da República vetou e enviou o texto para a Assembleia da República, sendo de sublinhar que não tinha qualquer reserva constitucional às alterações".

"Então qual foi a razão objectiva, não havendo inconstitucionalidades, que o levou a vetar e a reenviar essa lei para a Assembleia da República? É uma pergunta que, naturalmente, tem de ser respondida pelo Presidente da República", sustentou.

O PCP está disponível para reconfirmar a lei vetada, ressalvando que a necessidade de uma maioria qualificada coloca o ónus no PSD (o PS já anunciou que confirmará o diploma). "É necessário uma maioria qualificada, aqui pesa, com certeza, o posicionamento do PSD, que esteve de acordo com as alterações. Em relação ao BE, acho que se está a fazer de morto, ainda não descobri qual é o posicionamento", afirmou Jerónimo de Sousa.

O secretário-geral do PCP salientou que “a situação económica e social do país continua marcada pelas consequências de décadas de política de direita”: “Os elementos positivos registados na evolução da situação económica do país, reflectindo o impacto da reposição de rendimentos e uma conjuntura externa favorável, não alteram o seu enquadramento estrutural.”

Antes, o líder comunista afirmou que a análise da vida política evidencia algumas questões. A primeira que referiu é que “o que se decide em eleições legislativas é, não a escolha de um primeiro-ministro, mas sim a eleição de deputados e da sua distribuição na Assembleia da República”

Jerónimo elencou os avanços alcançados por este Governo em defesa dos trabalhadores, salientando que os progressos só foram conseguidos graças à intervenção do PCP, lembrando que, no passado tal não aconteceu em governos socialistas. “A nova fase da vida política nacional confirmou o papel decisivo do PCP. Todas as medidas que traduziram avanços e passos na elevação das condições de vida tiveram a iniciativa, a persistência e a contribuição do PCP”, acrescentou, garantindo que o partido “continuará a não desperdiçar nenhuma oportunidade de contribuir em todas as circunstâncias para a elevação das condições de vida dos trabalhadores e do povo.

O comité central do PCP aprovou “a realização de uma campanha nacional de esclarecimento, informação e contacto com os trabalhadores com início em Fevereiro”, de acções “em defesa dos serviços públicos onde se integram os Encontros Nacionais do PCP sobre a situação na Educação e na Saúde” (a 17 de Março e 21 de Abril), e um dia “contra a degradação dos correios e pelo controlo público dos CTT, a 8 de Fevereiro. Anunciou ainda as “comemorações do II Centenário do nascimento de Karl Marx”, que terão início a 24 e 25 de Fevereiro com a realização de uma conferência, na Voz do Operário, em Lisboa.

 

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