Partidos querem semáforo para ajudar a ler rótulos de alimentos

07 de Fevereiro de 2018 | por Público
Partidos querem semáforo para ajudar a ler rótulos de alimentos

Os políticos decidiram meter a colher no prato dos portugueses. Para ajudar a população a escolher alimentos menos nocivos para a saúde, o Bloco de Esquerda e o PAN (Pessoas-Animais-Natureza) propõem que os produtos embalados passem a exibir um "semáforo nutricional", enquanto o PEV (Partido Ecologista Os Verdes) reclama um esquema complementar à informação nutricional para facilitar a escolha dos consumidores, que pode passar ou não pelo sistema com um código de três cores.

Já o PCP quer que o Governo desenvolva uma campanha nacional de promoção e valorização da dieta mediterrânica, sobretudo junto dos refeitórios escolares. Os projectos de resolução dos quatro partidos vão ser discutidos na próxima sexta-feira na Assembleia da República.

Mas o PAN é o que apresenta a proposta mais ambiciosa: além do semáforo nutricional, recomenda também a adopção de um "semáforo carcinogénico", para ajudar a identificar os alimentos que representem um risco acrescido de provocar doença oncológica. Para isso, recorre à classificação da International Agency for Research on Cancer (IARC), que define vários alimentos como carcinogénico, provavelmente carcinogénico ou possivelmente carcinogénico.  

Em Portugal, apesar de ser obrigatória a informação nutricional nas embalagens dos alimentos, os produtores e distribuidores têm sistemas de rotulagem diversos, dificultando assim leituras e comparações. Um estudo divulgado no final do ano passado permitiu perceber que mais de 40% dos inquiridos não compreendiam a informação nutricional básica dos rótulos dos alimentos embalados.

Quantidades de gordura, gordura saturada, açúcares e sal

A proposta de um semáforo nutricional, que assenta num código de cores sobre as quantidades de gordura, gordura saturada, açúcares e sal dos produtos, assenta na ideia de que os consumidores veriam facilitada a leitura dos rótulos, podendo optar por produtos com menor quantidade de nutrientes nocivos para a saúde (verde), evitar os que têm mais (vermelho), e consumir moderamente os sinalizados com amarelo.

Para o PAN, esta informação que consta “do descodificador [de rótulos] da Direcção-Geral da Saúde [Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável] deveria estar presente em todos os alimentos embalados”. Quanto ao semáforo que ajudaria a descodificar os alimentos com potencial cancerígeno, aqui a proposta passa por levar em conta criação e a inclusão, nos alimentos embalados, de informação sobre o potencial carcinogénico que determinados alimentos possuem, de acordo com a classificação elaborada pelo IARC.

Acreditando na mais-valia do semáforo nutricional, o BE quer que o Governo "desencadeie, junto da indústria e das cadeias de distribuição, as acções necessárias para que a declaração nutricional obrigatória nos alimentos embalados" inclua este sistema. Propõe ainda que as grandes superfícies e as cadeias de distribuição disponibilizem aos seus clientes gratuitamente "cartões exemplificativos do sistema de semáforo nutricional".

Sem certezas quanto ao modelo final a adoptar, até porque existem outros sistemas além do semáforo nutricional que ajudam os consumidores a interpretar os rótulos, o PEV sugere que o Governo avalie e defina um esquema complementar à actual declaração nutricional, envolvendo representantes de nutricionistas, consumidores, produtores, indústrias e distribuidores. Defende igualmente que se garanta a aprendizagem, nas escolas, da leitura e interpretação da declaração nutricional.

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