Há acordo de governo, SPD fica com as finanças

07 de Fevereiro de 2018 | por Público
Há acordo de governo, SPD fica com as finanças

Finalmente, fumo branco: depois de sucessivos adiamentos, os conservadores da chanceler Angela Merkel e os sociais-democratas chegaram a acordo para uma “grande coligação”, noticia a imprensa alemã.

Ainda sem confirmação oficial, a revista dá conta de que os responsáveis estão já a partilhar pastas ministeriais entre a CDU, o seu partido-gémeo na Baviera CSU, e o SPD. Segundo a generalidade da imprensa germânica online, os sociais-democratas deverão ficar com a tutela das pastas dos Negócios Estrangeiros, do Trabalho e, mais surpreendente, das Finanças – a pasta ocupada no passado Governo pelo popular Wolfgang Schäuble deverá agora passar para as mãos do social-democrata Olaf Scholz, presidente da câmara de Hamburgo.

A CSU, que quer mais restrições à imigração, ficará com o ministério do Interior - Horst Seehofer, que fez do tecto máximo para entrada de refugiados no país uma badeira, deverá ser o novo ministro. 

Não é claro como foi resolvida a disputa entre os partidos nos temas do trabalho e saúde. O SPD tentava obter concessões dos conservadores para políticas que tivessem uma marca social-democrata para convencer os seus membros do partido a aprovarem o acordo de coligação, como restrições a contratos precários não justificados e um seguro de saúde único (e não o sistema actual com um público e um privado).

Ainda falta, no entanto, um passo essencial para que esta coligação seja realidade: a aprovação dos partidos. Se do lado conservador, CDU e CSU aprovarão o acordo sem dificuldade através de reuniões das suas lideranças, o SPD levará, tal como em 2013, o tema a aprovação dos militantes, num referendo por voto postal.

Se o calendário desta vez for semelhante ao de então, ainda será preciso esperar até que se saiba se há governo: nesse ano passaram 23 dias entre o anúncio oficial do acordo e o apuramento do resultado do referendo aos membros do SPD.

E se da última vez a aprovação foi fácil, actualmente o SPD está dividido, com a juventude partidária a levar a cabo uma grande campanha defendendo a passagem à oposição.

No âmbito desta campanha, os jovens sociais-democratas pediram a inscrição de mais membros no partido para votarem contra a “grande coligação”, e segundo o Frankfurter Allgemeine Zeitung, inscreveram-se 24.339 pessoas – assim, poderão votar no referendo 463.723 militantes do SPD.

Analistas desvalorizam o peso dos novos membros, sublinhando que estes podem vir quer das fileiras dos opositores, quer das fileiras dos defensores da entrada do SPD na nova coligação.

Ainda antes de ser anunciado todo o acordo, já havia análises na imprensa. Cerstin Gammelin, repórter parlamentar do Süddeutsche Zeitung e chefe da delegação de Berlim do diário, falava de “investimentos generosos”, mas “oportunidades perdidas” no programa da próxima grande coligação. “Há qualquer coisa para quase todos os cidadãos, mas a União [CDU/CSU] e o SPD não tiveram coragem de fazer as reformas importantes”.

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