Nos Primavera Sound

09 de Fevereiro de 2018 | por Público
Nos Primavera Sound

Figuras do rock, do hip-hop, da pop electrónica ou do que ainda não sabemos como apelidar, eis como será o cartaz do festival Nos Primavera Sound, que se realiza de 7 a 9 de Junho, como habitualmente no magnífico recinto do Parque da Cidade do Porto.

Para Nick Cave e os seus The Bad Seeds será um regresso. Em 2013 deu um memorável concerto na noite inaugural do festival. E, se tudo correr normalmente, o efeito deverá ser ainda mais categórico este ano. É que em 2016 editou o notável álbum Lovely Creatures e o ano passado percorreu a Europa e a América, numa série de espectáculos em sala que toda a gente avaliou como memoráveis. É um dos mais carismáticos performers da música popular em actividade. Não é de se defender em palco. Pelo contrário. Esse é o espaço por excelência onde se tem exposto ao longo de mais de trinta e cinco anos de carreira. Ainda assim surpreendeu na presente digressão. Nunca se o viu tão próximo do público para se deixar envolver por ele e nunca se viu este tão disponível para o receber nos seus braços.

Depois da edição do primeiro álbum muita gente vaticinou que a neozelandesa Lorde iria desaparecer de cena. Seria coisa efémera. Engano. O álbum do ano, Melodrama, provou-o. No mercado de massas em que se move continua a ser um corpo artístico invulgar, suplantando fórmulas expectáveis, seja em baladas intimistas ou temas hedonistas. Esteve em Lisboa no Rock In Rio de 2014, mas agora a sua reputação vem reforçada. No campo do hip-hop existem nomes fortes. Em primeiro lugar, o do nova-iorquino A$AP Rocky, que se prepara para lançar o muito esperado terceiro álbum, mas também o dos compatriotas Tyler, The Creator e Vince Staples, todos eles em estreia em palcos portugueses.   

Muitas figuras que lançaram no ano transacto álbuns de grande impacto vão passar pelo Porto. Entre eles, os americanos The War On Drugs, um dos grupos mais cotados do panorama rock actual, ou o também americano Father John Misty, que ainda em Novembro deixou um Coliseu dos Recreios rendidocom as canções do álbum Pure Comedy (2017). Do lado das electrónicas menos óbvias as atenções vão virar-se para a sueca Karin Dreijer, uma das metades dos The Knife, que lançou no ano passado o segundo álbum com a designação Fever Ray, ou para o venezuelano Arca, habitual colaborador de Björk, mas com importante obra a solo também, como o magnífico e homónimo álbum que lançou o ano passado.

A fantástica cantora americana Kelela, as irmãs francesas de ascendência cubana Ibeyi ou o americanoThundercat, tudo nomes credíveis na confluência de várias linguagens da música negra e com álbuns recentes, também vão estar no festival. Quem lançou registos novos já em 2018 foram os Rhye do canadiano Mike Milosh ou o improvável pianista alemão Nils Frahm, enquanto os psicadélicos Unknown Mortal Orchestra ou a revelação do R&B americano, a jovem cantora Abra, se preparam para o fazer nos próximos meses. Aliás nomes emergentes no feminino que têm surpreendido nos últimos tempos não vão faltar no festival como as excelentes Kelsey LuVagabon ou Mavi Phoenix, para além das surpreendentes Superorganism e também de Jay Som, Alex Lahey, Belako ou Waxahatchee.

Quem está de regresso ao Primavera e aos discos – o primeiro registo de estúdio dos últimos dez anos – são as The Breeders, de Kim e Kelley Deal. Outros veteranos, os Mogwai, também vão retornar ao festival para mais uma intensa sessão de pós-rock. Como sempre nomes clássicos do chamado “indie-rock” não faltarão, como os Grizzly BearEzra Furman ou os canadianos Wolf Paradee para sonoridades dançantes haverá de contar com os ingleses Jamie xx e Four Tet ou com o americano Floating Points, para além de Joe Goddard (dos Hot Chip), Motor City Drum Ensemble, Gerd Janson ou Levon Vincent.

Para aproximações mais extremas será de estar atento às incursões pelas margens do metal dos nova-iorquinos Zeal & Ardor, ao punk dos californianos Flat Worms ou à explosão de energia rock dos Starcrawler. Num espectro quase oposto movimentar-se-á o muito jovem Yellow Days, garantia de belas melodias nocturnas, ou os imprevisíveis Metá Metá, formação brasileira que vale mesmo a pena ver.  

De Portugal, representando a diversidade do panorama actual, estarão presentes os Fogo Fogo, garantia de festa e ritmos funaná, o rock dos Solar Coronao psicadelismo dos Black Bombaim ou o cantor-compositor Luís Severo. Para outros ritmos lá estarão MoullinexDJ Lycox (da editora Príncipe), Tiago ou Caroline Lethô. Os ingleses Foreign Poetry, mas com fortes ligações a Portugal, poderão até ser uma das boas surpresas do festival, numa edição que, mais uma vez, contará com os Shellac.

Os passes gerais para o festival estão à venda por 105 euros, existindo diversas versões do mesmo. O voucher diário custa 55 euros. Dos nomes mais sonantes que estarão no Primavera Sound de Barcelona uma semana antes, nota-se a ausência dos Arctic Monkeys, The National ou Björk, todos eles já com datas confirmadas para outros festivais do Verão português.

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