Aliança quer ser “exigente” com Governo e Presidente

19 de Setembro de 2018 | por Público
Aliança quer ser “exigente” com Governo e Presidente

Esperado por um pequeno grupo de apoiantes à chegada do Tribunal Constitucional, Pedro Santana Lopes carregou, durante alguns metros, uma das caixas de cartão com as assinaturas para formalizar o seu novo partido. O fundador da Aliança traz um discurso moderado: “É um partido que vem criar um bom ambiente em Portugal”.

Santana Lopes posiciona-se contra a “frente de esquerda” que está a “prejudicar o país” mas quer ser “exigente com o Governo e com o Presidente da República” nas reformas necessárias ao país. O ex-líder do PSD não quis comentar nada sobre Rui Rio mas elogiou Assunção Cristas.

Ao lado de ex-sociais-democratas como Carlos Pinto, antigo autarca da Covilhã, de Rosário Águas, que foi secretária de Estado da Habitação, e de Adriana Aguiar-Branco, ex-deputada, Pedro Santana Lopes assume que, com “humildade democrática” vai “lutar por dois dígitos” mas diz prescindir de figurões do PSD no seu novo projecto político. O seu alvo são os abstencionistas e o seu trunfo são os “que nunca participaram na política e que agora querem lá estar”. 

Com a preocupação de sublinhar que não faz “ataques” ao Governo nem aos outros partidos, o fundador do Aliança afirma querer “ter as melhores propostas” e “mais do que ser oposição” assume que pedirá mais ao executivo mas também a Marcelo Rebelo de Sousa. “O senhor Presidente da República pode e deve usar toda a popularidade que conseguiu para mudar a sociedade portuguesa para fazer reformas que há muito tempo são necessárias – reformas do sistema eleitoral, da justiça, da produtividade mas também as questões das pessoas”, disse aos jornalistas, depois de entregar as assinaturas, “entre 12 e 13 mil”.

Sem receio de mostrar ambição eleitoral, Santana Lopes não esconde proximidade à posição assumida por Assunção Cristas quando diz que à esquerda o número de forças políticas é maior. “A líder do CDS tem feito umas análises bem lúcidas”, disse, colocando-se no grupo dos maiores: “A Aliança nasce para ganhar um lugar entre os maiores partidos portugueses”.

 A Aliança também nasce com a geringonça na mira: “Esta política da frente esquerda está a prejudicar o país”, defendeu, referindo o “excesso de cativações” de verbas que estão a “ultrapassar o limite”. Como exemplo apontou o hospital de São João, no Porto, onde ainda não começaram as obras para a ala pediátrica oncológica.
Com um discurso pontuado por questões sociais, Santana Lopes aceita o rótulo da Aliança como um partido que quer “menos impostos” e que “por isso o Estado tem de consumir menos riqueza nacional”. Para dar um exemplo de contenção e de “demagogia”, o ex-líder do PSD apontou a gratuitidade dos manuais escolares até ao 6º ano de escolaridade. “Não concordo com esta política dos manuais escolares para todos, mesmo os que podem comprar”, disse, lembrando que quando foi primeiro-ministro tentou criar condição de recursos nas taxas moderadoras e que “o Presidente Sampaio foi contra”.

Assumindo que o Aliança é “europeísta”, Santana Lopes ainda não revela o nome do cabeça de lista às próximas europeias. Já sabe quem será mas ainda não tem certezas absolutas. E descarta a hipótese de ser Rui Moreira, “um excelente presidente de câmara”, mas com quem não abordou o assunto.

A Aliança vai agora arrancar com a comissão instaladora que vai preparar o congresso para “Dezembro ou Janeiro”. Santana Lopes reitera que será um partido que não apostará nas sedes físicas mas que será mais digital e “low-cost” [baixo custo]. E será low-profile também? “Não, é low-costhigh-profile mas desmaterializado e paper-free.”

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