
Assange, que se arrisca a ser extraditado para a Suécia, onde foi acusado por duas mulheres de crimes de natureza sexual, tem defendido que está a ser alvo de perseguição e ontem pediu asilo político na embaixada do Equador. Depois de o Supremo Tribunal britânico ter recusado, na semana passada, um recurso relativo ao processo de extradição, o fundador da WikiLeaks tem referido que as autoridades suecas o poderão depois enviar para os Estados Unidos, onde receia ser acusado de crimes relacionados com a divulgação de documentos diplomáticos secretos pela WikiLeaks.
A embaixada do Equador confirmou que Assange pediu asilo político, e o ministro dos Negócios Estrangeiros equatoriano, Ricardo Patiño, adiantou que o fundador da WikiLeaks enviou uma carta ao Presidente, Rafael Correa, a denunciar que é alvo de “perseguição”. Enquanto isso, a Scotland Yard sublinhou que Assange “violou uma das condições” da liberdade sob caução, que o obriga a permanecer em casa entre as 22h e as 8h, e referiu que poderá ser detido, apesar de ser conhecido o seu paradeiro. Mas adiantou: “Ao estar na embaixada do Equador, Assange está em território diplomático e, portanto, fora do alcance da polícia”.
Assange tem negado as acusações de abuso sexual e referido que as relações sexuais que manteve com as mulheres foram consentidas. Esteve detido mas acabou por ser libertado mediante o pagamento de uma fiança de 240 mil libras. “As condições da fiança implicavam a sua permanência na morada indicada ao tribunal entre as 10 da noite e as 8 da manhã, todos os dias”, disse o porta-voz da Polícia Metropolitana de Londres, acrescentando que o desrespeito dessas condições implica a detenção imediata.
Equador avalia pedido de asilo
As autoridades do Equador já confirmaram que estão a avaliar o pedido de asilo político e, para tentar evitar um conflito diplomático com o Reino Unido, a embaixada equatoriana em Londres emitiu um comunicado em que refere que “como signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Equador tem a obrigação de avaliar os pedidos de asilo, o que já está a ser feito pelo departamento responsável em Quito”.
Não está posta de parte a possibilidade de Assange “ser posto à porta da embaixada”, o que abre caminho à detenção e extradição, sublinhou a BBC, e vários especialistas citados pelas agências consideraram que não é provável que o Equador conceda asilo a Assange.
O fundador da WikiLeaks está numa corrida contra o tempo para evitar a extradição, e após a decisão do Supremo Tribunal britânico resta-lhe recorrer ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. Terá até dia 28 para o fazer, e o seu advogado, Dinah Rose, já disse estar a considerar essa hipótese.
À porta da embaixada do Equador em Londres juntou-se nesta quarta-feira um pequeno grupo de manifestantes com mensagens de apoio a Assange. Representantes do Governo britânico encontraram-se com a embaixadora do Equador, Anna Alban, para um diálogo que esta definiu como “cordial e construtivo”. E adiantou: “Disse ao Governo britânico que não é intenção do Equador interferir com este processo ou com os governos do Reino Unido ou da Suécia”.
As negociações poderão agora envolver a Suécia, adiantou à AFP a advogada Helena Kennedy, que chegou a aconselhar a equipa envolvida na defesa de Assange. Poderá haver uma tentativa de obter um compromisso por parte da Suécia de que não haverá posterior extradição para os EUA, “e se os equatorianos obtiverem essa garantia não deverão colocar objecções a deixá-lo partir”. Para Helena Kennedy, “a extradição de Assange será uma questão de dias”.