Camargo Corrêa fica com quase 95% do capital da Cimpor

20 de Junho de 2012 | via publico.pt
Camargo Corrêa fica com quase 95% do capital da Cimpor A empresa pode agora lançar uma OPA potestativa aos restantes accionistas, obrigando-os a vender os títulos que a Camargo ainda não detém na Cimpor. Para já, a cimenteira deixa de estar cotada no principal índice da bolsa de Lisboa, o PSI-20.

A Camargo passa a deter 637.102.036 acções da Cimpor, o equivalente a uma participação directa de 94,81% e de 95,69% dos direitos de voto.

O resultado da OPA, tornado público esta tarde na bolsa de Lisboa, indica que a Caixa Geral de Depósitos e o Fundo de Pensões do BCP aceitaram a oferta para vender as suas posições e que também Manuel Fino terá vendido acções ao preço de 5,5 euros oferecido pela Camargo.

Até aqui, o banco público era accionista de 9,6% da cimenteira liderada por Francisco Lacerda e tinha com o segundo maior accionista (Votorantim) um acordo parassocial que imputava aos dois 30,8% dos votos. O Fundo de Pensões do BCP era detentor de 10% do capital, Manuel Fino de 10,7%. Os restantes 15,6% estavam dispersos em bolsa.

Antes da OPA, a Camargo detinha 33,25% do capital, mas eram-lhe imputados 64,38%, por causa da participação directa e indirecta.

Com a quase totalidade do capital nas mãos de um só accionista, a Cimpor deixa de pertencer ao PSI-20 depois do fecho de bolsa de quinta-feira, anunciou entretanto a Euronext Lisboa, que gere o principal índice da praça portuguesa. Isto não significa, pelo menos para já, que a empresa sai da bolsa portuguesa, onde está cotada faz em Julho 18 anos.

A OPA, a segunda lançada sobre a Cimpor em cerca de dois anos, foi apresentada no final de Março pela InterCement, controlada pela Camargo Corrêa. A oferta foi considerada demasiado baixa pela administração da Cimpor, porque, sustentou a gestão, subavaliava “significativamente” a empresa.

Pelo meio, houve ainda uma contraproposta da Semapa destinada a travar a OPA, com a qual a empresa liderada por Pedro Queiroz Pereira pretendia juntar numa holding as participações portuguesas na Cimpor e na qual propunha integrar ainda a cimenteira Secil, detida pela Semapa. A proposta falhou. Tanto a CGD como o Fundo de Pensões do BCP já haviam manifestado intenção de vender na OPA.

A Camargo está presente em vários sectores de actividade. A construção é, desde a fundação, em 1939, o pilar dos seus negócios. Mas foi na década de 1990 que a empresa deu um salto, quando já entrara (no final dos anos 60) no sector dos cimentos. Hoje, aposta noutras áreas, como as concessões de energia, transporte, engenharia ou numa área tão distinta como o calçado.

Notícia actualizada às 19h44: Acrescenta informação sobre a oferta de aquisição e a actividade da Camargo Corrêa
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