
De acordo com os dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal (BdP), as instituições financeiras nacionais detinham em Junho cerca de 14,4 mil milhões de euros em crédito malparado, mais 4,3 mil milhões do que em igual período do ano passado. O peso deste crédito de cobrança duvidosa sobre o total dos empréstimos concedidos a famílias e empresas atingiu os 5,8% em Junho. É o valor mais alto desde que o BdP tem registo destes dados, ou seja, desde 1997.
O grau de incumprimento está a aumentar, sobretudo, devido às empresas. Em Junho, o peso do crédito malparado sobre o total de empréstimos concedidos ao sector corporativo atingiu os 8,66%, o valor mais alto de sempre.
Já no caso das famílias, o montante de empréstimos considerados de cobrança duvidosa está a diminuir há três meses consecutivos e correspondia, em Junho, a 3,53% do total de crédito concedido.
O incumprimento continua a ser maior no caso dos créditos ao consumo (10,8%), o que mostra que os portugueses começam por deixar de pagar primeiro este tipo de empréstimos (compra de carros ou electrodomésticos, por exemplo) e só em última instância o crédito à habitação. Aqui, o peso do crédito malparado sobre o total de empréstimos concedidos ronda 1,9%.
Bancos aumentam financiamento à economia
Acompanhando o aumento do crédito malparado, que pesa sobre os seus balanços, e as crescentes dificuldades de financiamento no mercado interbancário, os bancos nacionais têm vindo a reduzir o financiamento à economia. Mas nem todos têm sido afectados de igual forma.
Os dados do BdP mostram que, em Junho, as instituições financeiras portuguesas concederam 4588 milhões de euros em novos empréstimos, mais 1,3% do que em igual período de 2011. No entanto, só as empresas parecem estar a beneficiar do dinheiro dos bancos.
O financiamento às famílias voltou a bater um novo mínimo histórico, com os bancos a emprestarem apenas 481 milhões de euros em Junho a particulares – menos 47,6% do que no período homólogo. A quebra é particularmente acentuada no caso do crédito à habitação, onde os bancos estão a conceder menos 60% de empréstimos do que há um ano. O crédito ao consumo regista diminuições na ordem dos 30%.
As empresas são as únicas que ainda vêem a torneira do crédito aberta. Em Junho, foram concedidos 4107 milhões de euros em novos empréstimos, mais 13,7% do que em Junho do ano passado. Contudo, são as grandes empresas que parecem beneficiar do financiamento, visto que só as operações acima de um milhão de euros estão a aumentar. Em Junho, os bancos nacionais concederam 2,4 mil milhões acima desse valor, mais 39,6% do que no período homólogo. Já as operações abaixo de um milhão de euros apresentam uma queda de 11,5%, de um total de 1,6 mil milhões.