
Aalto mostra obra de um dos maiores nomes da história da Arquitetura mundial. De 18 de julho a 4 de janeiro de 2026 na Ala Álvaro Siza do Museu de Serralves.
A Fundação de Serralves apresenta Aalto, uma exposição que antecipa os 50 anos da morte de Alvar Aalto(1898 – 1976), uma das maiores figuras da história da arquitetura. Aalto focar-se-á no extenso corpo de obra desenvolvido com ambas as esposas, Aino Aalto (1894 – 1949) e Elissa Aalto (1922 – 1994), exibindo 31 projetos demonstrativos de um percurso singular, com curadoria de António Choupina, diretor de Arquitetura da Fundação de Serralves.
A família Aalto revolucionou a vertente humanista da arquitetura moderna, radicando-a numa ligação orgânica à natureza: pelo contexto, pelas formas, pelos materiais e pelo conforto — tendo produzido inúmeras peças de design através da sua empresa de mobiliário, Artek, adquirida pela Vitra em 2013.
Os Aalto tiveram, por isso, um papel determinante na transformação da arquitetura moderna, deixando um legado que se materializou tanto na arquitetura como no design, através de peças e edifícios que marcaram a identidade cultural do século XX.
Durante o período entre as duas guerras mundiais, Alvar e Aino Aalto contribuíram de forma decisiva para a afirmação da jovem nação finlandesa no panorama internacional, participando em eventos como os Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna (CIAM) e nas Exposições Universais de Paris e Nova Iorque. Entre as suas obras mais emblemáticas destacam-se a Biblioteca de Viipuri (atualmente em território russo), a Villa Mairea (Finlândia), a Baker House (EUA) e a Maison Carré (França).
Particular destaque merece o Sanatório de Paimio, um projeto visionário concebido no contexto do advento dos antibióticos, onde os Aalto demonstraram como a arquitetura pode promover a saúde e o bem-estar. Estudaram cuidadosamente elementos como a exposição solar, a ventilação natural e até a insonorização de componentes quotidianos, como os lavatórios.
Este edifício é um dos treze projetos atualmente nomeados a Património Mundial da UNESCO e um dos motivos pelos quais a Medalha Alvar Aalto é dedicada a contributos significativos para a criação arquitetónica, tendo-se tornado um dos mais relevantes prémios internacionais.
Entre os galardoados, como James Stirling, Jørn Utzon ou Tadao Ando, encontram-se os portugueses Paulo David e Álvaro Siza, que em 1988 recebe a medalha homónima daquele que havia sido um dos seus heróis desde que comprou a primeira revista de arquitetura, no início da década de 1950.
É justamente com essa medalha que se entra na exposição, mimetizando formalmente o anfiteatro do seu próprio atelier e sublimando a intimidade da sua Casa Experimental através da impressão digital que deixa propositadamente indentada no perímetro.
Contudo o percurso expositivo não se inicia aqui, nas décadas de 1950-60, mas sim cronologicamente na década de 1920, à esquerda, terminando com a morte de Elissa em 1994, à direita. Trinta e um anos depois, contemplamos agora 31 projetos, assim como outros que pontualmente os contextualizam, simbolicamente organizados a partir de temas bíblicos, enfatizando o impacto da sua obra na construção da fé luterana.
Aalto é uma exposição organizada pela Fundação de Serralves – Departamento de Arquitetura, em colaboração com o Alvar Aalto Museum, e tem curadoria de António Choupina, diretor de Arquitetura da Fundação de Serralves, com coordenação Diana Cruz e Sónia Oliveira.
// Projeto por Sala
SALA 1
Sauna Cultural Harju, Jyväskylä, Finlândia (1925)
Harju Cultural Sauna Jyväskylä, Finland (1925)
Clube dos Trabalhadores, Jyväskylä, Finlândia (1924–25)
Jyväskylä Workers’ Club, Finland (1924–25)
Biblioteca Viipuri, Vyborg, Rússia (1927-35)
Viipuri Library, Vyborg, Russia (1927-35)
SALA 2
Sede do Jornal Turun Sanomat & Pavilhão de Exposição, Turku, Finlândia Finland (1928–29)
Turun Sanomat Newspaper Headquarters & Exhibition Pavilion, Turku, Finland (1928–29)
Concurso para o Farol Memorial de Colombo, Santo Domingo, República Dominicana (1928–30)
Columbus Memorial Lighthouse Competition, Santo Domingo, Dominican Republic (1928–30)
Sanatório de Paimio, Finlândia (1929-33)
Paimio Sanatorium, Finland (1929-33)
SALA 3
Artek (1935)
Casa Aalto, Helsínquia, Finlândia (1935–36)
The Aalto House, Helsinki, Finland (1935–36)
SALA 4
Fábrica de Celulose e Área Residencial de Sunila, Kotka, Finlândia (1936–38, 1947, 1951–54)
Sunila pulp mill and residential area, Kotka, Finland (1936–38, 1947, 1951–54)
Villa Mairea, Noormarkku, Finlândia (1937–39)
Villa Mairea, Noormarkku, Finland (1937–39)
SALA 5
Pavilhão finlandês na Feira Mundial de Nova Iorque Nova Iorque, EUA (1939)
Finnish Pavilion at the New York World Fair New York, USA (1939)
Dormitório MIT Baker House, Cambridge, Massachusets, EUA (1947-49)
MIT Baker House Dormitory, Cambridge, Massachusets, USA (1947-49)
SALA 6
Universidade de Tecnologia de Helsínquia, Espoo, Finlândia (1949-74)
Helsinki University of Technology, Espoo, Finland (1949-74)
Universidade de Jyväskylä, Finlândia (1951–71)
University of Jyväskylä, Finland (1951–71)
SALA 7
Câmara Municipal de Säynätsalo, Jyväskylä, Finlândia (1949-52)
Säynätsalo Town Hall, Jyväskylä, Finland (1949-52)
Centro Cívico de Seinäjoki, Finlândia (1951-87)
Seinäjoki Civic Centre, Finland (1951-87)
SALA 8
Casa Experimental Muuratsalo, Jyväskylä, Finlândia (1952-54)
Muuratsalo Experimental House, Jyväskylä, Finland (1952-54)
Barco Nemo propheta in patria [Ninguém é profeta na sua própria terra] (1954-55)
Boat Nemo propheta in patria [No one is a prophet in his own land] (1954-55)
Estúdio Aalto, Helsínquia, Finlândia, (1954-55, 1962-63)
Studio Aalto, Helsinki, Finland (1954-55, 1962-63)
SALA 9
Casa da Cultura, Helsínquia, Finlândia (1952-58)
House of Culture, Helsinki, Finland (1952-58)
Pavilhão finlandês na Bienal de Veneza, Itália (1956)
Finnish Pavilion at the Venice Biennale, Italy (1956)
SALA 10
Casa Louis Carré Bazoches-sur-Guyonne, França (1956-59, 1961-63)
Maison Louis Carré Bazoches-sur-Guyonne, France (1956-59, 1961-63)
Edifício Habitacional Interbau – Hansaviertel, Berlim, Alemanha (1956–58)
Apartment Building, Berlin, Germany (1956–58)
Torre Neue Vahr, Bremen, Alemanha (1958-62)
Neue Vahr Highrise, Bremen, Germany (1958-62)
SALA 11
Igreja das Três Cruzes, Imatra, Finlândia (1956-58)
Church of the Three Crosses, Imatra, Finland (1956-58)
Igreja do Espírito Santo, Wolfsburg, Alemanha (1959-62)
Church of the Holy Spirit, Wolfsburg, Germany (1959-62)
Igreja de Santo Estêvão, Wolfsburg, Alemanha (1965-68)
St Stephen’s Church, Germany (1965-68)
SALA 12
Ópera Aalto, Essen, Alemanha (1959, 1983−88)
Opera House, Essen, Germany (1959, 1983−88)
Livraria Académica , Helsínquia, Finlândia (1961-69)
Academic Bookstore, Helsinki, Finland (1961-69)
SALA 13
Biblioteca da Abadia de Mount Angel, Saint Benedict, Oregon, EUA (1964-68)
Mount Angel Abbey Library Saint Benedict, Oregon, USA (1964-68)
Centro Cívico de Rovaniemi, Finlândia (1961-88)
Rovaniemi Civic Centre, Finland (1961-88)
SALA 14
Museu de Arte Moderna Kunsten, Aalborg, Dinamarca (1957–58, 1963–72)
Kunsten Museum of Modern Art, Aalborg, Denmark (1957–58, 1963–72)
Museu de Arte de Baghdad, Iraque (1957-58)
Baghdad Art Museum, Iraq (1957-58)
Museu de Arte Moderna de Shiraz, Irão (1969-72)
Shiraz Museum of Modern Art, Iran (1969-72)
SALA 15
Finlandia Hall, Helsínquia, Finlândia (1962-75)
Finlandia Hall, Helsinki, Finland (1962-75)
Centro da Cidade de Helsínquia, Finlândia (circa 1961)
Helsinki City Centre, Finland (circa 1961)
Igreja de Santa Maria da Assunção, Riola di Vergato, Itália (1966-80)
St. Mary’s Church of the Assumption, Riola di Vergato, Italy (1966-80)
// Sobre Alvar Aalto
Alvar Aalto (1898–1976) teve uma carreira excecionalmente rica e variada como arquiteto e designer, tanto na Finlândia como no estrangeiro.
Depois de se formar como arquiteto no Instituto de Tecnologia de Helsínquia (mais tarde Universidade de Tecnologia de Helsínquia e agora parte da Universidade Aalto) em 1921, Aalto fundou o seu primeiro atelier de arquitetura em Jyväskylä. As suas obras iniciais seguiam os princípios do Classicismo Nórdico, o estilo predominante na época. No final dos anos 1920 e início dos anos 1930, realizou várias viagens pela Europa, durante as quais ele e a sua esposa Aino Marsio, também arquiteta, se familiarizaram com as mais recentes tendências do Modernismo, o Estilo Internacional.
A fase puramente Funcionalista do trabalho de Aalto durou vários anos. Esta permitiu-lhe alcançar reconhecimento internacional, em grande parte devido ao Sanatório de Paimio (1929–1933), um marco importante do Funcionalismo. Aalto adotou os princípios do design funcional e centrado no utilizador na sua arquitetura. A partir do final dos anos 1930, a expressão arquitetónica dos edifícios de Aalto passou a ser enriquecida com o uso de formas orgânicas, materiais naturais e uma maior liberdade na organização dos espaços.
Era característico de Aalto tratar cada edifício como uma obra de arte completa – até ao mobiliário e à iluminação. Em 1935, foi fundada a Artek com o objetivo de promover a crescente produção e venda de mobiliário desenhado por Aalto. O design do seu mobiliário combinava praticidade e estética com produção em série, seguindo a principal ideia da Artek de incentivar uma vida quotidiana mais bela no lar. No que diz respeito ao design, Aalto demonstrava um particular interesse pelo vidro, pois oferecia a oportunidade de trabalhar o material de uma forma inovadora, com formas livres. A sua vitória no concurso de design de vidros Karhula-Iittala, em 1936, levou à criação do mundialmente famoso vaso Savoy.
A partir da década de 1950, o atelier de arquitetura de Aalto passou a dedicar-se principalmente ao desenho de edifícios públicos, como a Câmara Municipal de Säynätsalo (1948–1952), o Instituto de Pedagogia de Jyväskylä, atualmente Universidade de Jyväskylä (1951–1957), e a Casa da Cultura em Helsínquia (1952–1956). Os seus planos de ordenamento urbano representam projetos de maior escala do que os edifícios mencionados acima, sendo os mais notáveis os centros cívicos de Seinäjoki (1956–1965/87), o centro da cidade de Rovaniemi (1963–1976/88) e o parcialmente construído centro administrativo e cultural de Jyväskylä (1970–1982).
Desde o início da década de 1950, o trabalho de Alvar Aalto centrou-se cada vez mais em países fora da Finlândia, tendo sido construídos vários edifícios, tanto privados como públicos, com base nos seus projetos no estrangeiro.
Fotografia: nvstudio