Alice Neel: Beautifully Imperfect

Vai estar patente de 16 de julho a 17 janeiro de 2027.

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A Fundação de Serralves apresenta Alice Neel: Beautifully Imperfect, uma grande exposição que traz pela primeira vez em Portugal uma das mais pungentes, celebradas e admiradas vozes da pintura americana do século XX, explorando os retratos profundamente humanos da artista sobre identidade, intimidade e luta social.

Reunindo cerca de 90 obras, a que se soma vasta documentação do arquivo da artista, Alice Neel: Beautifully Imperfect  mostra os trabalhos da artista pela primeira vez em Portugal, numa das maiores retrospetivas de sempre naEuropa e está organizada em torno das grandes preocupações de Neel, cujo talento artístico singular só foi reconhecido tarde na sua vida: a intimidade, o corpo feminino, a maternidade, o envelhecimento e a vida das comunidades marginalizadas, entre as quais ativistas queer, imigrantes e os seus vizinhos do Harlem espanhol.

A exposição em exibição na Ala Álvaro Siza tem curadoria de Inês Grosso, Curadora-Chefe do Museu de Serralves, e reúne empréstimos de instituições como a National Portrait Gallery, em Washington D.C., ou o Whitney Museum of American Art, em Nova Iorque, oferecendo um panorama mais abrangente da carreira de Neel, desde as suas primeiras experiências expressionistas até aos retratos psicologicamente densos e formalmente seguros do seu período de maturidade.

Em 2021, alguns dos trabalhos de Alice Neel foram mostrados no Guggenheim Bilbao, e, um ano depois, em Paris, no Centre Georges Pompidou. Agora, a obra desta artista fundamental da História da Arte é revisitada em Serralves, incluindo uma iniciativa inédita:  à obra de Neel vão juntar-se vozes de artistas contemporâneos seus admiradores.

Alice Neel: Beautifully Imperfect sublinha a convicção de Neel de que a imperfeição está no centro da experiência humana e estabelece ligações significativas entre diferentes períodos da sua carreira, revelando como a artista encarava o retrato como um acto político, que exige visibilidade, inclusão e toda a complexidade da experiência vivida.

“Esta exposição surgiu depois de anos a ouvir artistas com quem trabalhei referir Alice Neel como uma das suas favoritas, ou como uma referência importante para a sua própria prática. Esta admiração persistente é prova da notável atualidade da sua obra. As pessoas que retratou, a dignidade com que as representou, e o questionamento subjacente da liberdade, da igualdade e da visibilidade na sua pintura continuam a ter eco nos dias de hoje. Numa época em que a guerra, a polarização e novas formas de exclusão crescem, vale a pena lembrar aqueles que, muito antes de nós, ajudaram a apontar o caminho para uma sociedade mais livre, mais justa e mais humana”, sustenta Inês Grosso.

A curadora acrescentou ainda: “Quis aproximar o público da visão radicalmente humana de Neel e mostrar como a sua obra continua a falar ao presente. Alice Neel foi uma figura extraordinária e profundamente inspiradora, cuja coragem, independência e visão singular lhe conferem um lugar único na História da Arte.”

Alice Neel: Beautifully Imperfect inclui ainda uma extensa secção dedicada à documentação, reunindo cartas, fotografias, recortes de imprensa e materiais de arquivo raramente apresentados ao público. Ao enquadrar a produção artística de Neel no seu contexto social, político, familiar e emocional mais amplo, este conjunto documental evidencia as relações, os debates e as experiências de vida que moldaram tanto a sua trajetória pessoal como a sua prática artística. As obras são acompanhadas por textos interpretativos acessíveis, que aprofundam tanto os principais temas da exposição como as especificidades de cada pintura.

Cartas de artistas de hoje escritas para Neel

Em preparação para a exposição, a equipa de curadoria levou a cabo um extenso processo de seleção de documentação para contextualizar a vida e a obra de Alice Neel. Ao trabalhar com o arquivo da família da artista, Inês Grosso deparou-se com dezenas de cartas enviadas à artista ao longo dos anos: testemunhos comoventes de admiração, reconhecimento e gratidão por parte de quem foi tocado pela sua obra.

Esta descoberta deu origem a uma ideia: prolongar esse gesto até ao presente, convidando vários artistas, portugueses e internacionais, conhecidos pela sua profunda admiração pela obra de Neel, a escrever-lhe uma carta, como se a artista ainda estivesse viva, ou simplesmente como acto de homenagem e tributo.

Artistas, escritores, músicos e outras vozes contemporâneas nacionais e internacionais —como Alexandre Farto aka Vhils, Allora & Calzadilla, André Romão, André Tecedeiro, Annie Sprinkle, Carminho, Celia Paul, Chantal Joffe, Fernanda Fragateiro, Hilda de Paulo, Joey Skaggs, Jordan Casteel, Juan Araujo, Katy Hessel, Minês Castanheira, Panmela Castro, Tiago Baptista, Vasco Araújo, entre outros — foram convidados a escrever a Alice Neel. Reunidas em torno do autorretrato de Alice Neel que abre a exposição, as cartas prolongam o gesto guardado no arquivo e demonstram que a obra de Neel continua a encontrar eco no presente, junto de artistas de diferentes gerações e contextos.

Estas cartas serão apresentadas em conjunto nas salas do Museu, numa iniciativa inédita em qualquer exposição dedicada a Alice Neel.

Beautifully Imperfect é organizada pela Fundação de Serralves — Museu de Arte Contemporânea, com curadoria de Inês Grosso, Curadora-Chefe do Museu de Serralves. A coordenação da exposição é de Filipa Loureiro, coordenadora de exposições temporárias.

Performances de Vera Mantero

Serralves convidou Vera Mantero para criar novas peças no âmbito da exposição, tendo sido foi planeado para acontecerem nas galerias, com base na matéria que funda as suas coreografias mas também na documentação que integra o arquivo doado à Fundação de Serralves, em 2024.

O trabalho artístico e o pensamento da coreógrafa, performer e investigadora Vera Mantero, embora pertencentes a uma geração distante da artista Alice Neel, revelam convergências significativas na forma de viver e de representar o mundo.

As novas performances serão co-criadas por Vera Mantero e a artista e performer Emily da Silva e concebidas visualmente pela cenógrafa e designer Sara Leme, também responsável pelo figurino. Serão apresentadas em setembro.

A  anteceder a apresentação das performances decorrerá um período de residência artística da coreógrafa e equipa, entre 19 e 24 de Julho.

Sobre a artista

Alice Neel (1900–1984) é amplamente reconhecida como uma das mais importantes artistas norte-americanas do século XX. Numa época em que a vanguarda das décadas de 1940 e 1950 abandonava a figuração, Neel desenvolveu uma abordagem singular à representação da figura humana. Trabalhando a partir da observação direta e da sua memória, criou retratos de uma honestidade desarmante da sua família, amigos, colegas do meio artístico, escritores, poetas, artistas, atores, ativistas e muitas outras figuras do seu círculo.

As suas pinturas, simultaneamente diretas, íntimas e, por vezes, bem-humoradas, abordam de forma explícita, mas também subtil, questões políticas e sociais. A sua capacidade para retratar aqueles que a rodeavam com uma precisão serena, honestidade e profunda empatia revela-se de forma consistente ao longo da sua obra.

Descrevendo-se a si própria como uma “colecionadora de almas”, Neel é reconhecida não apenas pela forma como captava a verdade de cada indivíduo, mas também pela maneira como os seus retratos espelharam a época em que viveu.

Nasceu em Merion Square, no estado da Pensilvânia, e faleceu em Nova Iorque. Em 1921, ingressou no curso de Belas-Artes da Philadelphia School of Design for Women (atual Moore College of Art and Design), onde concluiu os estudos em 1925.

Embora tenha exposto de forma esporádica no início da sua carreira, a sua obra passou a ser amplamente apresentada em exposições a partir da década de 1960. Em 1971, o Moore College of Art and Design organizou uma grande exposição individual dedicada à sua pintura e, em 1974, o Whitney Museum of American Art, em Nova Iorque, apresentou a sua primeira grande retrospetiva.

A obra de Alice Neel integra as coleções permanentes de instituições como o Art Institute of Chicago; o Hirshhorn Museum and Sculpture Garden, em Washington, D.C.; o Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque; o Moderna Museet, em Estocolmo; o Museum of Contemporary Art, em Los Angeles; o Museum of Fine Arts, em Houston; o Museum of Modern Art, em Nova Iorque; a National Gallery of Art, em Washington, D.C.; o Philadelphia Museum of Art; a Tate, no Reino Unido; e o Whitney Museum of American Art, em Nova Iorque.


Foto: © nvstudio – Fundação de Serralves

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