
Instalada no edifício histórico da antiga Casa das Máquinas do Funicular dos Guindais, apresenta “Amazonia Immersive Art”.

A Casa das Máquinas abre no Porto como um novo espaço cultural dedicado a exposições de arte, em formato digital e imersivo. Instalada no edifício histórico da antiga Casa das Máquinas do Funicular dos Guindais, do qual preserva o nome, propõe uma nova relação entre as obras, o espaço e o visitante, valorizando a forma como cada pessoa vive, sente e interpreta a experiência artística. Com inauguração marcada para 29 de outubro, a Casa das Máquinas apresenta “Amazonia Immersive Art”, uma exposição digital imersiva, que reúne obras de mais de uma dezena de reconhecidos artistas contemporâneos da Amazónia, com direção artística das artistas Aíla e Roberta Carvalho.
O projeto afirma-se como uma plataforma artística onde diferentes linguagens visuais e sensoriais convergem para criar uma experiência integrada. “O que procuramos construir não é apenas um espaço de contemplação, mas uma experiência artística em que o visitante se torna parte integrante da narrativa”, explica Kelly Faleiro, cofundadora do projeto. “A nossa visão é oferecer uma nova forma de vivenciar a arte, revelando as intenções mais profundas de cada obra e convidando cada visitante a descobrir, através da intuição e da imersão, novas formas de a sentir e interpretar”, afirma Gustavo Fontes, cofundador do projeto.
Arquitetura e património como parte da experiência
Instalada num edifício marcado pela linguagem industrial característica da cidade, a Casa das Máquinas assume a própria arquitetura como parte integrante da experiência artística. As paredes em granito, a verticalidade das salas e a relação entre a luz natural e os ambientes imersivos foram incorporadas no desenho do espaço, criando diferentes atmosferas ao longo do percurso.
A ampliação e reabilitação do edifício, desenvolvidas pelo gabinete do arquiteto Nuno Valentim, procuraram preservar a sua identidade histórica, integrando as infraestruturas necessárias para acolher uma nova geração de experiências culturais e imersivas.
A história da Casa das Máquinas reflete também a evolução da cidade e a relação entre engenharia e criação artística. Construído para albergar as máquinas do Funicular dos Guindais, projetado por Raul Mesnier e inaugurado há 135 anos, o edifício viria a acolher, após a desativação do funicular, o atelier do escultor Henrique Moreira. Hoje, novas máquinas dão continuidade a esta história, num espaço que ganha uma nova vida através da arte e procura elevar a relação entre as obras, o espaço e as pessoas.
“Amazonia Immersive Art” reúne obras de mais de uma dezena de artistas
Depois de ter recebido mais de 30 mil visitantes em Belém, no Brasil, a exposição “Amazonia Immersive Art” chega agora ao Porto, na sua primeira apresentação internacional, trazendo novas perspetivas sobre a maior floresta tropical do mundo, as comunidades que nela vivem e os desafios que moldam o seu futuro.
“Esta é a primeira itinerância internacional do projeto que nasceu em Belém do Pará, no coração da amazónia brasileira”, apontam as diretoras artísticas, explicando que “foi deste lado do oceano que partiram as embarcações que chegaram à Amazónia, começando a narrá-la através de relatos, mapas, gravuras e crónicas que inventaram uma floresta vazia, exótica e à espera de ser descoberta”. Para contar uma versão diferente da história – a real e atual –, é a vez de os artistas atravessarem o oceano e se apresentarem no território que um dia os imaginou. “É um reencontro que só se torna possível quando quem foi narrado passa a narrar”, acrescentam Roberta Carvalho e Aíla.
Às duas artistas unem-se outros nomes que têm dedicado a sua obra a este território vasto e cheio de particularidades. Ailton Krenak, o primeiro indígena eleito para a Academia Brasileira de Letras, Olinda Silvano, tecelã e muralista do povo shipibo-konibo (Perú), ou Paulo Desena, indígena da etnia Desana, são apenas algumas das referências artísticas presentes, entre mais de uma dezena de nomes. Através de obras que cruzam pintura, vídeo e fotografia, apresentadas em projeções a 360 graus, os visitantes são convidados a mergulhar nestes universos artísticos e a descobrir diferentes formas de olhar e interpretar a Amazónia.
Com a apresentação de “Amazonia Immersive Art”, a Casa das Máquinas acolhe uma criação artística enraizada no presente, que dá voz a artistas contemporâneos e coloca a arte em diálogo com as questões culturais, sociais e ambientais do nosso tempo.
Um espaço pensado para diferentes momentos e experiências
Para além da componente expositiva e das experiências imersivas, a Casa das Máquinas integra também o Guindais Garden Bar & Restaurant, inaugurado no dia 26 de maio de 2026, restaurante e terraço panorâmico aberto ao público e explorado em parceria com a Real Companhia Velha e o Grupo Romando.
Implantado na encosta histórica dos Guindais, com vista sobre o rio Douro e a Ponte Luís I, o Guindais Garden Bar & Restaurant articula a experiência gastronómica com a envolvente arquitetónica e patrimonial, prolongando a relação entre o espaço, a cidade e quem o visita.
A Casa das Máquinas acolherá também eventos culturais, ativações artísticas e eventos privados, concebidos de acordo com a identidade do espaço e numa lógica de curadoria. Estas iniciativas procurarão estabelecer pontes entre criação artística, património, tecnologia e experiência sensorial, alargando a programação para além da atividade expositiva.
Mais informações sobre a Casa das Máquinas, a programação e as experiências imersivas estão disponíveis em www.casadasmaquinas.com. Os bilhetes para assistir à exposição “Amazonia Immersive Art” encontram-se à venda, com preços de 12 euros para crianças e de 18 euros para adultos, estando previstos descontos para famílias e grupos. Existem ainda tarifas reduzidas em horários selecionados, no início e no final do dia, com o propósito de incentivar o acesso da comunidade local.



