DDD – Festival Dias da Dança

Festival comemora 10 anos com 50 apresentações no Porto, Matosinhos e Gaia.

08 Abr
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19 Abr

O DDD – Festival Dias da Dança regressa, de 8 a 19 de abril, para a 10.ª edição no Porto, Matosinhos e Gaia. Ao longo de 12 dias, o DDD propõe um programa composto por 50 apresentações, com 13 estreias absolutas e cinco estreias nacionais. Um fôlego criativo sustentado por uma forte aposta na produção, materializada em 12 coproduções nacionais e três coproduções internacionais, que consolidam o festival como um espaço de colaboração e de novos caminhos para a dança.

“Assinalando dez anos de existência, e durante doze dias, o DDD – Festival Dias da Dança converte o Porto, Matosinhos e Vila Nova de Gaia numa grande capital da dança, afirmando a vitalidade da criação contemporânea e a capacidade de trabalho em rede no território. Celebrar esta década é, sobretudo, renovar um compromisso: tornar o DDD sempre inicial, sempre novo, como desígnio para o presente e para o futuro.”, destaca Jorge Sobrado, vereador da Cultura da Câmara Municipal do Porto.

“Muitas das propostas desta edição fazem-nos olhar para o que nos trouxe aqui, outras projetam caminhos possíveis para o que vem a seguir, e outras ainda resultam de autorias partilhadas e responsabilidade coletiva, sugerindo que o futuro da criação artística poderá residir no esforço comum, mais do que no génio individual. Cada espetáculo transporta-nos para um lugar distinto e esta abundância de possibilidades, aliada à rutura com ritmos habituais, abre novas formas de experienciar o mundo”, afirma Drew Klein, diretor artístico do DDD.

Além dos habituais palcos no Teatro Rivoli, Teatro Campo Alegre, Palácio do Bolhão, CRL – Central Elétrica, Serralves, Siloauto, Mercado do Bolhão, Jardim do Passeio Alegre, Auditório Municipal de Gaia, Estações de Metro de Manuel Leão (Gaia) até São Bento (Porto), Parque Municipal da Lavandeira, Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery e Praça Guilherme Pinto, o DDD volta a apresentar-se no Coliseu Porto Ageas e, pela primeira vez, no Palácio da Bolsa e no Teatro Helena Sá e Costa, num total de 15 palcos e espaços públicos.

Artistas em estreia no DDD: do Brasil ao Líbano

A 10.ª edição do DDD arranca na quarta-feira, dia 8 de abril, com a nova criação de Renan Martins para o Balé da Cidade de São Paulo, que se apresenta pela primeira vez no festival. “Encruzilhada”, uma obra coreográfica sobre a celebração como espaço de resistência e negociação como prática compartilhada será apresentada no Teatro Rivoli. No mesmo dia, e também pela primeira vez no festival, a espanhola Candela Capitán apresenta “The Death at the Club”, no Coliseu Porto Ageas, uma performance que explora o corpo humano sob tensão numa pista de dança.

Ao grupo de estreantes desta edição, junta-se a dupla brasileira Davi Pontes & Wallace Ferreira, apresentando, em estreia nacional, “Repertório N.1”, a peça final de uma trilogia que interroga os mecanismos de brutalidade e procura desconstruí-los no Pátio das Nações do Palácio da Bolsa — um dos novos parceiros do festival.

Chiara Bartl-Salvi e Lisa Vereertbrugghen apresentam, respetivamente, “Heat Island”no Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery, e “Again Forever”, na CRL – Central Elétrica. Gio Lourenço & Sofia Berberan apresentam “Sobre o fim”, uma reflexão sobre a intersecção entre humanos e plantas. A performer portuense Xana Novais estreia “How to Kill… For the sake of Dying”, no Teatro Campo Alegre, onde explora o corpo como tela e objeto, utilizando o treino e a disciplina para transcender a performatividade.

O encerramento do DDD está a cargo do francês Éric Minh Cuong Castaing/ Compagnie Shōnen, com a estreia nacional de “Tarab”, dia 18, no Siloauto. Uma celebração reimaginada em parceria com o músico Rayess Bek e oito intérpretes do Egito, da Palestina e do Líbano, com inspiração em danças como a dabkeh e a taa’kib.

Regressos nacionais e internacionais

Esta edição também se faz de regressos, revisitando mais de 15 artistas que passaram pelas nove edições anteriores.

No Teatro Helena Sá e Costa, outro dos novos parceiros desta edição, Joana von Mayer Trindade & Hugo Calhim Cristóvão apresentam “Quando vem a taciturna de limiar em limiar o presente frágil”, depois de terem estado presentes na edição de 2017. Também presente na mesma edição, a coreógrafa marroquina Bouchra Ourziguen apresenta-se, desta vez, em Serralves, com “Este Mundo”, uma nova peça para a companhia Dançando com a Diferença, centrada no gesto, na respiração e na presença, nos dias 9 e 10 de abril.

No Teatro Campo Alegre, Catarina Miranda estreia “FARSA”, e Wura Moraes estreia “Reverberações”. Luísa Saraiva apresenta o solo “Agora baixou o sol”, título de uma canção popular do noroeste português, no Auditório Municipal de Gaia. Tânia Carvalho regressa com uma nova peça estreada na Bienal de Veneza, “ventre do vulcão”, para ver no Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery.

Entre um espetáculo, um protesto e um grupo de apoio a pessoas em burnout, “Tender Riot”, de Ana Rita Xavier, Daniel Conant, Madison Pomarico, Andy Pomarico, Jonas Friedlich, Maurícia Barreira Neves e Belisa Branças, é apresentado na CRL – Central Elétrica. No mesmo local, será apresentada “a.travessa.da”, de Piny, uma investigação prática sobre performance e academia, cidade e processos sociais de destruição e construção de culturas e corpos. Também Diana Niepce, presente nas edições de 2022 e de 2024, regressa com “Hornfuckers”, ondequestiona os estereótipos e desafia a gravidade.

Na segunda semana do festival, Ana Rita Teodoro – que esteve na 1.ª edição do DDD, em 2016 – apresenta “Sonhos Comuns”, no Auditório Municipal de Gaia, partindo da ideia de que a dança tem algo de semelhante ao sonho, produzem movimentos e sensações difíceis de captar em imagem e traduzir em palavras.

A artista brasileira Alice Ripoll, que marcou presença no DDD em 2019 e em 2023, regressa com “Adorno”, nova proposta centrada na construção de subjetividades e na presença do outro no espaço performativo, com apresentação no Teatro Campo Alegre.

Jonathan Uliel Saldanha, que transformou o palco do Rivoli num poço da morte em 2017, estreia agora, no Palácio do Bolhão, “AXIOM CASINO”, uma máquina de jogo num espaço liminar. Nos mesmos dias, a companhia chinesa TAO Dance Theater apresenta, em estreia nacional, “16 & 17”, em formato double bill, depois de, em 2019, terem apresentado “4 & 8”.

Na reta final do festival, Maurícia | Neves com Ana de Oliveira e Silva, Jo Castro, Mara Nunes & Vera Martins apresentam “sensível”, no Campo Alegre, e o Coletivo Afrontosas apresenta “Bixa Bixo”, na CRL – Central Elétrica, uma imersão artística que articula queerness, ecologia e género por meio de uma abordagem performativa interseccional.

As festas no TMP Café estão marcadas para os sábados de 11 e 18 de abril.

Programação em espaço público: Corpo+Cidade

Dando continuidade à parceria com o balleteatro, o Corpo+Cidade vai apresentar seis espetáculos em espaços públicos, com entrada livre, do Porto, Matosinhos e Gaia, nomeadamente de Flávio Rodrigues, de Polina Skarga e Maksim Kunzetsov, de Dinís Quilavei, de Rafael Ferreira e de ELLA HEART, de Laura Barroso e de Francisca Lima com estudantes do balleteatro.

Atividades paralelas de conexão internacional

Ao longo dos 12 dias de festival, serão orientados workshops com Ana Rita Teodoro, Chiara Bartl-Salvi, Davi & Wallace, Éric Minh Cuong Castaing, Lisa Vereeertbrugghen e Renan Martins.

Para os programadores, o DDD Próximo dá a conhecer o trabalho que está a ser desenvolvido por artistas nacionais. O TMP Café vai receber um momento de partilha sobre o que vêm aí por quem trabalha a partir de Portugal: Aura, Bruno Brandolino, Fábio Krayze, Inês Campos e Sol Santana.

Regressa também o LAWN – Live Art Writers Network, que propõe uma residência de escrita com Claire Sivier e Hilda de Paulo, de 8 a 19 de abril, e um laboratório – escrita e performance como práticas de reflexão e crítica, com Daniele Avila Small e Pedro Vilela, sábado, dia 11, ambos no CAMPUS Paulo Cunha e Silva, e ainda uma conversa aberta com Anahí Saravia Herrera, Dori Nigro, Pedro Vilela e Tiziano Cruz, na segunda-feira, dia 13, n’A PiSCiNA.

Nesta edição, o festival acolhe seis artistas de festivais associados ao Visiting Artists Programme, do qual o DDD é parceiro, nomeadamente Guilhem Chatir, UIT Daria Koval, Katerina Goga, Inaja Katharina Skands, Jens Jeffry Trinidad, Sarah Marie Vella, Chandra Grangean.  Com esta iniciativa, o DDD dá continuidade ao programa que já apoiou cerca de 100 artistas em encontros internacionais, consolidando-se como uma plataforma reconhecida de networking e desenvolvimento artístico.

Os bilhetes para os espetáculos do DDD podem ser adquiridos na bilheteira central do DDD, no Teatro Rivoli, nas bilheteiras dos respetivos espaços de apresentação, e online, na plataforma BOL (ddd.bol.pt) – com exceção para os espetáculos no Auditório Municipal de Gaia, que estão na plataforma Ticketline, e o de Serralves, na plataforma Blueticket.

Na compra simultânea de cinco ou mais bilhetes para espetáculos diferentes é aplicado um desconto de 50. Este pacote DDD só está disponível para compra na bilheteira do Teatro Rivoli.

Imagem: Adorno © Renato Mangolin

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