
O MIMO acontece em duas etapas: Festival MIMO de Cinema, de 27 de junho a 2 de julho, e MIMO Festival, de 3 a 5 de julho.

No momento em que Guimarães é Capital Verde Europeia e em que o MIMO assinala uma década de presença em Portugal, o festival chega ao berço da nação e, logo no início do verão, promete uma edição especial, à medida, com uma programação irresistível, abrangente… e de acesso gratuito — ou não fosse a acessibilidade uma das marcas do MIMO.
Durante o MIMO Guimarães há cultura em toda a cidade: nas ruas, nos parques, nas igrejas e em vários espaços icónicos do seu património edificado. Nesta primeira edição, o festival sobre à colina e instala o palco principal no Campo de São Mamede. Mas a festa chega também ao Paço dos Duques de Bragança, à Igreja de São Domingos, à Igreja de São Francisco, à Igreja da Oliveira, ao Largo Condessa do Juncal, ao Largo de S. Tiago, ao Largo Cónego José Maria Gomes e ao Museu de Alberto Sampaio, onde tudo vai estar a postos para acolher os habitantes da cidade, de todas as idades e de todos os gostos… e quem escolher visitar a cidade por esses dias.
O presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, deixa algumas pistas sobre o que motivou a cidade a acolher o MIMO: “Guimarães conquistou o MIMO e isso é, para todos nós, a afirmação de Guimarães como cidade capaz de disputar, atrair e realizar grandes eventos de dimensão internacional. No ano em que o MIMO assinala uma década de presença em Portugal, é profundamente simbólico que este festival chegue ao berço da nação e a uma cidade Património Mundial, onde a história, a cultura, o talento e a identidade coletiva se cruzam todos os dias com mais ambição de futuro.
Este é um momento importante para os Vimaranenses e para todo o território. Receber o MIMO significa reforçar a nossa oferta cultural de excelência, abrir Guimarães ao mundo e trazer até nós milhares de visitantes, artistas, agentes culturais e públicos de diferentes geografias. Mas significa também gerar valor concreto para a nossa economia local, para o comércio tradicional, para a restauração, para a hotelaria, para o turismo e para todos aqueles que fazem da cidade um espaço que queremos cada vez mais vivo, acolhedor e dinâmico.
Queremos que o MIMO seja vivido por Guimarães inteira. Queremos que seja um festival das pessoas, da cidade, das freguesias, dos comerciantes, dos empresários, dos criadores e das instituições. Esta é uma aposta na cultura, mas é também uma aposta no desenvolvimento, na projeção externa e na confiança no futuro. Guimarães tem história para receber o mundo e tem também ambição para continuar a conquistar o seu lugar entre os grandes destinos culturais da Europa”.
Complementando estas ideias, Lu Araújo, fundadora e diretora do MIMO, realça:“…estamos a trabalhar a um ritmo imparável, em estreita colaboração com a Câmara Municipal de Guimarães, para desenhar um evento que vai encher de orgulho quem cá nasceu e escolheu viver… e atrair milhares de pessoas à cidade que, mais do que vir para os concertos, o cinema ou as palestras, vêm viver Guimarães através dos olhos do MIMO — e sentir que a cidade é a grande protagonista desta edição — viva, aberta e em diálogo com o mundo.”
O cartaz completo e o detalhe das dezenas de iniciativas que dão forma ao MIMO Guimarães 2026 começam agora a ser divulgados… num ano em que Guimarães assinala também 25 anos da classificação do seu Centro Histórico como Património Mundial pela UNESCO. Para já, importa salientar que o MIMO coloca esta cidade nortenha na rota de outras cidades icónicas dos dois lados do Atlântico, onde o festival vem acontecendo ao longo de mais de duas décadas, como Olinda, Ouro Preto, Paraty, Rio de Janeiro ou São Paulo, no Brasil — muitas delas reconhecidas como Património Mundial —, e Amarante e Porto, em Portugal.
MÚSICA POR TODO O LADO…. E CINEMA… SOBRE MÚSICA
Com a curadoria sempre em diálogo entre linguagens e territórios, o Festival MIMO de Cinema transforma o Largo Condessa do Juncal, no centro histórico de Guimarães, numa grande sala de cinema ao ar livre. Com entrada livre, as sessões decorrem de 27 de junho a 2 de julho, reunindo uma programação internacional dedicada à música enquanto expressão artística, social e política, com 10 filmes entre longas e curtas-metragens, incluindo obras em estreia ou ainda inéditas em circuito comercial.
A programação percorre diferentes territórios da criação musical, reunindo retratos de artistas e movimentos culturais. Entre os destaques, estão The Blind Couple from Mali, de Ryan Marley, sobre Amadou & Mariam, Dona Onete – Meu Coração Neste Pedacinho Aqui, de Mini Kert, e A Noite de Alaíde, de Liliane Mutti, que revisita o percurso de Alaíde Costa — também presente no festival —, além de Da Lata 30 Anos, de Paulo Severo, sobre Fernanda Abreu, aprofundando o diálogo entre cinema e música ao vivo.
Integram ainda a seleção obras como Filhos do Meio – Hip Hop à Margem, de Luís Almeida, e Macaléia, de Rejane Zilles, ao lado de propostas experimentais como Isso é Kuduro, de Indira Mateta, e As Aventuras do Angosat, de Resem Verkron e Marc Serena. No campo internacional, destaca-se NOVA ‘78, de Aaron Brookner e Rodrigo Areias, que reúne figuras como William S. Burroughs, Patti Smith e Frank Zappa, reforçando o posicionamento do MIMO como plataforma de circulação de obras de grande relevância artística.
Alguns dos artistas presentes no ecrã integram também a programação de concertos ao longo do fim de semana seguinte, reforçando o diálogo entre cinema e música e afirmando o MIMO como um espaço de cruzamento entre linguagens, tempos e experiências.
DESTAQUES DA PROGRAMAÇÃO
Já o MIMO Festival, que acontece de 3 a 5 de julho, apresenta uma programação musical que reúne artistas de mais de dez países e atravessa géneros, épocas e linguagens — da música clássica à música antiga, das expressões contemporâneas aos sons africanos e da diáspora, do pop à eletrónica. Ao longo de mais de 50 atividades, o festival propõe uma experiência imersiva em que uma parte significativa dos artistas se apresenta em Portugal em atuações exclusivas.
DESTAQUES – ARTISTAS
Entre os destaques, nomes incontornáveis da música global como Oumou Sangaré, uma das grandes vozes do Mali e referência da música africana contemporânea, Tricky, pioneiro do trip hop, e o encontro inédito entre Daddy G (Massive Attack) e Don Letts DJ Set, que cruza décadas de cultura sonora entre reggae, punk e eletrónica. Em destaque na cena portuguesa, Papillon afirma-se como uma das vozes mais relevantes da atualidade.
A programação integra também nomes fundamentais da música brasileira, como Fernanda Abreu, que celebra os 30 anos de Da Lata, um marco na renovação do pop brasileiro, e Alaíde Costa — ao lado de Cristóvão Bastos e Mauro Senise —, numa presença rara que atravessa gerações e se estende do cinema ao palco. A nova geração surge com artistas como Melly, uma das vozes mais marcantes do R&B contemporâneo, Zé Ibarra, em afirmação autoral, e Unsafe Space Garden, projeto emergente da cena portuguesa.
Em paralelo, a cultura DJ assume um lugar de destaque, com nomes como DJ Andy Smith, referência da cena britânica e ligado aos Portishead, e DJ Reborn, artista norte-americana e DJ oficial de Ms. Lauryn Hill, reconhecida pelas suas colagens sonoras que atravessam hip hop, soul e heranças afro-diaspóricas, ao lado de uma nova geração de DJs.
Entre os destaques, Barbatuques afirma-se como fenómeno global com Baianá, tema que se tornou viral à escala internacional e que será a trilha desta edição do MIMO, enquanto K.O.G, uma das vozes mais vibrantes da nova música africana, reinterpreta o highlife do Gana numa linguagem atual e altamente performativa.
DESTAQUES – DIVERSIDADE & IGUALDADE DE GÉNERO
O festival afirma ainda um compromisso com a diversidade e o equilíbrio de género, com uma presença expressiva de mulheres artistas em diferentes frentes da criação. Destacam-se projetos como o Coletivo Gira, coletivo sediado em Lisboa que afirma o samba como espaço de encontro e celebração, Aline Paes, que revisita o universo dos Afrosambas com uma abordagem contemporânea, as Batucadeiras das Olaias, que trazem a força do batuku cabo-verdiano como expressão de identidade e resistência, e Alzira E, figura central da vanguarda paulista, cuja trajetória atravessa mais de quatro décadas de criação.
A música instrumental e de matriz clássica assume um lugar de destaque nesta edição, com projetos de grande sofisticação artística, como a Accademia del Piacere, referência europeia na recriação dos repertórios dos séculos XVI e XVII, o pianista vimaranense Pedro Emanuel Pereira, e o encontro entre Bianca Gismonti e Manuel de Oliveira, que recebem Ricardo Ribeiro, uma das grandes vozes do fado contemporâneo, num diálogo entre Brasil e Portugal. Este eixo estende-se ao concerto de Rui Soares e da soprano Fabiana Magalhães, apresentado no órgão histórico da Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, reforçando a ligação entre música e património.
A programação inclui ainda o encontro entre La Litanie des Cimes e Mah Damba, uma das grandes vozes da tradição griot do Mali, num projeto de forte dimensão espiritual que cruza herança africana e criação contemporânea. Em diálogo com o território, a programação inclui projetos de forte enraizamento local, como o Coro Espontâneo e os Amigos das Concertinas de Guimarães, reforçando a ligação entre criação artística e património vivo.
DESTAQUES – TERRITÓRIO E COMUNIDADES
Em forte diálogo com o território, o festival integra igualmente projetos de forte enraizamento local, reforçando a ligação do festival ao território e às suas comunidades. Destaca-se o Coro Espontâneo, formação que nasce a partir do Coro En’Canto, sob direção da maestrina Marisa Oliveira, propondo uma experiência participativa que envolve o público na construção coletiva do canto. Soma-se a este eixo a presença dos Amigos das Concertinas de Guimarães, que celebram a tradição musical popular minhota, trazendo para o festival a energia das sonoridades tradicionais e da música de raiz. Estes projetos afirmam o MIMO como um espaço de encontro entre criação contemporânea e património vivo, onde a cultura local dialoga com expressões artísticas de diferentes geografias.
ARTISTAS ESTREIA MIMO GUIMARÃES
TRICKY (UK)
Figura central na criação do trip hop, construiu uma linguagem singular, marcada por atmosferas densas e cruzamentos entre géneros. Em 2026, lança o seu 15.º álbum de estúdio, Different When It’s Silent, pela False Idols, marcando o regresso a uma linguagem sonora que remete à sua estreia com Maxinquaye. Em plena digressão internacional, reafirma a atualidade de uma obra que continua a influenciar a música contemporânea. Em palco, propõe atuações intensas, imprevisíveis e de forte identidade.
OUMOU SANGARÉ (Mali)
Considerada a rainha da música do Mali, construiu uma obra profundamente enraizada nas tradições do seu país, afirmando-se como uma das grandes referências da música africana contemporânea. A sua trajetória cruza criação artística com uma forte intervenção social e uma voz ativa na afirmação das mulheres. Num raro regresso a Portugal, apresenta um repertório de grande força expressiva, reunindo alguns dos seus maiores sucessos. Em palco, revela atuações intensas e envolventes, onde ritmo, identidade e presença se impõem com grande potência musical.
DADDY G (MASSIVE ATTACK) vs DON LETTS DJ SET (UK)
Dois nomes fundamentais da cultura musical britânica encontram-se num set inédito que cruza reggae, dub, punk e eletrónica. Pioneiros na construção de pontes entre géneros e movimentos — de Bristol à cena punk londrina —, ajudaram a redefinir o som urbano global. Daddy G regressa ao MIMO, depois de protagonizar um dos momentos mais empolgantes da edição de 2025, para um encontro que promete grande inventividade, à altura de dois criadores inquietos que atravessam décadas a desafiar convenções e a reinventar linguagens
FERNANDA ABREU (Brasil)
Pioneira na renovação da música brasileira, construiu uma trajetória singular onde o pop se cruza com o funk carioca, a eletrónica e as pulsões urbanas do Rio de Janeiro. No MIMO, apresenta Da Lata 30 Anos, revisitando um álbum marcante que redefiniu a linguagem da música brasileira nos anos 90, reunindo muitos dos seus maiores sucessos. Um repertório que atravessa gerações e continua a marcar a música brasileira.
BARBATUQUES (Brasil)
Celebrando 25 anos de percurso, afirma-se como uma referência mundial na exploração musical do corpo humano, criando uma linguagem singular onde ritmo, voz e movimento se transformam em matéria sonora. A partir de palmas, estalos e batidas, constrói uma verdadeira “orquestra corporal”, cruzando tradição e inovação. No espetáculo, revisita temas como Natureza e o fenómeno global Baianá, numa celebração vibrante e contagiante.
PAPILLON (Portugal)
Entre palavra e ritmo, constrói um universo sonoro onde o rap se cruza com o soul, o R&B e a spoken word, num registo íntimo e profundamente autoral. Com o álbum Wonder, afirma uma nova fase da sua trajetória, marcada por maior abertura estética e uma escrita refinada. Tem vindo a afirmar uma forte ligação ao público, esgotando salas e conquistando presença regular nas rádios. Em palco, revela um carisma singular e uma energia direta e envolvente.
ZÉ IBARRA (Brasil)
Um dos nomes em ascensão da nova música brasileira, apresenta AFIM (2025), um álbum que marca uma nova fase do seu percurso, agora acompanhado por banda e explorando novas dimensões sonoras. Após o sucesso com Bala Desejo — vencedor do Grammy Latino —, tem vindo a afirmar uma identidade própria, reunindo colaborações com nomes relevantes da cena contemporânea. Um percurso em crescimento, marcado pela consistência e por uma escrita cada vez mais singular.
K.O.G (Gana)
Nascido em Acra, afirma-se como uma das presenças mais marcantes da nova música africana, cruzando as tradições do Gana com uma linguagem global e altamente performativa. No álbum Don’t Take My Soul (2024), produzido por Guts, revela uma escrita mais íntima, aprofundando a sua identidade entre África e Europa. Com passagens por grandes palcos internacionais, constrói um universo onde afrobeat, highlife e energia urbana se encontram com grande força e originalidade.
DJ ANDY SMITH (UK) (EX-PORTISHEAD)
Figura incontornável da cultura DJ britânica, destacou-se como DJ dos Portishead e como um dos pioneiros das compilações multi-género com a série The Document, referência para gerações seguintes. Com uma carreira internacional consolidada, construiu uma linguagem que cruza hip hop, funk, reggae, soul e eletrónica. Uma presença de grande experiência e energia, onde a arte da seleção se transforma numa viagem contínua pela história da música.
DJ REBORN (EUA) (OFICIAL DJ MS LAURYN HILL)
DJ Reborn é uma artista norte-americana reconhecida internacionalmente pela sua abordagem singular à cultura DJ, onde cruza hip hop, soul, funk e sonoridades afro-diaspóricas com uma forte componente narrativa. Conhecida pelas suas colagens sonoras sofisticadas e sets que atravessam épocas e geografias, destacou-se também como DJ oficial da digressão mundial de Ms. Lauryn Hill. Para além dos palcos, desenvolve um trabalho consistente como educadora e curadora, afirmando a música como ferramenta de memória e transformação cultural.
ALAÍDE COSTA, CRISTÓVÃO BASTOS & MAURO SENISE (Brasil)
Aos 90 anos, reafirma uma trajetória incontornável da música brasileira, marcada por sofisticação e permanência. Referência maior da bossa nova e da canção, apresenta-se ao lado de dois músicos de excelência: Cristóvão Bastos, pianista e arranjador fundamental, e Mauro Senise, um dos mais importantes instrumentistas do país. Um encontro de rara cumplicidade musical, onde memória, interpretação e virtuosismo se encontram.
MANUEL DE OLIVEIRA & BIANCA GISMONTI FEAT. RICARDO RIBEIRO (Portugal | Brasil)
Bianca Gismonti, herdeira de uma das mais singulares linhagens da música brasileira, e Manuel de Oliveira, um dos mais originais guitarristas portugueses da sua geração — distinguido com o Prémio Carlos Paredes — encontram-se num projeto onde piano e guitarra constroem uma linguagem comum entre Brasil e Portugal. Com percursos internacionais consolidados, desenvolvem um diálogo de grande sofisticação e liberdade, aprofundado neste encontro pela presença de Ricardo Ribeiro, uma das vozes maiores do fado. Um concerto que celebra raízes partilhadas e abre caminho para novas criações em conjunto.
ACCADEMIA DEL PIACERE (FAHMI ALQHAI & ANA MORALES) (Espanha)
Um dos mais destacados ensembles europeus de música antiga, dirigido por Fahmi Alqhai — referência internacional na viola da gamba —, afirma uma abordagem inovadora que devolve vitalidade e emoção aos repertórios históricos. No programa Rediscovering Spain, que inclui peças como Fantasías, diferencias y glosas, revisita práticas dos séculos XVI e XVII, explorando a improvisação, a variação e a recriação musical como elementos centrais da interpretação. Neste encontro com a bailarina Ana Morales, a música ganha corpo e movimento, num diálogo expressivo entre som e dança.
LA LITANIE DES CIMES & MAH DAMBA (França | Mali)
Uma das grandes vozes do Mali na atualidade, Mah Damba — herdeira da tradição griot — junta-se ao trio La Litanie des Cimes num encontro de forte dimensão espiritual e musical. A sua voz, profunda e envolvente, traz à música uma intensidade que cruza tradição mandinga e criação contemporânea. Entre improvisação, repetição e liberdade sonora, constrói-se um universo onde intimidade e força coletiva se entrelaçam, numa experiência de grande poder evocativo.
PEDRO EMANUEL PEREIRA (Portugal)
Natural de Guimarães, é um dos mais destacados pianistas portugueses da sua geração, com um percurso sólido, reconhecido por distinções e pela presença em salas e festivais internacionais. No MIMO, apresenta um programa dedicado a compositores portugueses, incluindo nomes como José Victorino d’Almeida e Mário Laginha, entre outros. Um recital que revela o piano na sua expressão mais clara e intensa, entre rigor interpretativo e sensibilidade musical.
ALZIRA E (Brasil)
Figura central da vanguarda paulista, construiu uma obra singular ao lado de nomes como Itamar Assumpção e Alice Ruiz, afirmando uma linguagem autoral que cruza poesia, experimentação e canção. Com mais de quatro décadas de carreira, apresenta Senhora do Tempo, espetáculo que resgata composições inéditas e revisita um repertório marcado pela liberdade criativa. Uma trajetória que atravessa o pop, o rock e as tradições brasileiras, consolidando-se como referência para diferentes gerações da música brasileira.
MELLY (Brasil)
Uma das vozes mais marcantes da nova música brasileira, afirma uma identidade que cruza o R&B, o pop e referências afro-baianas. Com o álbum Amaríssima (2024), aclamado pela crítica, consolidou o seu nome com colaborações com Liniker e Russo Passapusso, além de conquistar o Prémio Multishow de Artista Revelação e uma nomeação ao Grammy Latino. Após a sua primeira digressão europeia, regressa com a Euro Tour 2026, aprofundando um percurso em expansão e afirmando-se como um dos nomes mais relevantes da sua geração.
UNSAFE SPACE GARDEN (Guimarães | Portugal)
Nascidos na Penha de Guimarães, afirmam-se como um dos projetos mais singulares da nova música portuguesa, cruzando experimentação, poesia e um imaginário entre o absurdo e o sensorial. Em plena ascensão, têm vindo a ganhar projeção internacional, com passagens recentes por palcos e plataformas de referência. A sua música constrói um universo em constante mutação, onde improvisação, intensidade e liberdade criativa se encontram.
BATUCADEIRAS DAS OLAIAS (Cabo Verde| Portugal)
Grupo de batuku cabo-verdiano com sede no Bairro Portugal Novo, em Lisboa, nasce do encontro de mulheres da comunidade que encontram na música um espaço de expressão e partilha. Com raízes na ilha de Santiago, afirmam uma tradição onde voz, corpo e percussão constroem uma linguagem coletiva e poderosa. Através de cantigas autorais, traduzem vivências e identidades, fazendo do batuku um gesto de memória, afirmação e resistência.
COLETIVO GIRA (Brasil)
Projeto criado em Lisboa por mulheres imigrantes, afirma o samba como espaço de encontro, celebração e afirmação cultural. Com raízes na tradição afro-brasileira, constrói uma experiência coletiva onde música, dança e participação se entrelaçam, reunindo comunidades diversas em torno da roda. Em poucos anos, tornou-se presença marcante na cena lisboeta, expandindo a sua energia para palcos nacionais e internacionais.
ALINE PAES (Brasil)
Cantora e compositora que revisita, com olhar próprio, o universo dos Afrosambas de Baden Powell e Vinicius de Moraes, um dos álbuns mais marcantes da música brasileira. Neste projeto, propõe uma releitura sensível e contemporânea dessa obra seminal, explorando as suas raízes afro-brasileiras e a força poética das canções. Um trabalho que cruza tradição e reinvenção, revelando uma artista de grande intensidade interpretativa.
RUI SOARES & FABIANA MAGALHÃES (Portugal)
Num programa dedicado à influência da música italiana em Portugal, percorrem repertórios dos séculos XVII e XVIII, cruzando obras de Monteverdi, Vivaldi e Giovanni Picchi, com compositores portugueses como João de Sousa Carvalho e António Silva Leite. Interpretado no órgão histórico da Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, este concerto valoriza o diálogo entre tradição europeia e criação nacional. Rui Soares, organista com carreira internacional e presença em importantes ciclos e festivais, junta-se à soprano Fabiana Magalhães, cuja trajetória na música antiga se destaca pelo rigor e sensibilidade interpretativa, num encontro que evidencia a riqueza tímbrica e expressiva deste repertório.
ESPAÇOS MIMO GUIMARÃES 2026
• Campo de São Mamede — Castelo de Guimarães (Palco Principal)
• Paço dos Duques de Bragança (interior e jardins)
• Igreja de Nossa Senhora da Oliveira
• Igreja de São Francisco
• Igreja de São Domingos
• Largo da Oliveira
• Praça de São Tiago
• Largo Cónego José Maria Gomes
• Museu de Alberto Sampaio (interior e jardins)
• Largo Condessa do Juncal (Festival MIMO de Cinema — projeções ao ar livre)
• Conservatório de Música de Guimarães
SOBRE O MIMO FESTIVAL
Com 65 edições realizadas em 14 cidades, o MIMO Festival consolidou-se como um dos projetos culturais mais relevantes no espaço ibero-atlântico, tendo já mobilizado mais de 2,1 milhões de participantes ao longo da sua trajetória. Sempre com entrada gratuita, o festival afirma-se por um modelo que combina excelência artística, acesso democrático à cultura e forte impacto nos territórios onde se realiza.
Multipremiado no Brasil e em Portugal, o MIMO tem vindo a afirmar-se como uma plataforma internacional de circulação artística e intercâmbio cultural, reconhecida pela qualidade da sua programação e pela capacidade de transformar cidades de elevado valor histórico em espaços vivos de criação, encontro e fruição cultural.
Ao longo do seu percurso, o festival apresentou cerca de 1.900 atividades culturais, incluindo mais de 600 concertos, centenas de sessões de cinema, workshops, debates e ações formativas, envolvendo mais de 4.000 músicos e criadores de diferentes geografias. A sua programação distingue-se pela diversidade estética e pela articulação entre tradição e contemporaneidade, cruzando géneros, linguagens e culturas.
Cerca de 4.000 músicos já passaram pelo MIMO Festival, protagonizando mais de 600 concertos que marcaram diferentes gerações. Entre os nomes que integraram a programação destacam-se Herbie Hancock, Pat Metheny, Buena Vista Social Club, Chick Corea, Egberto Gismonti, Philip Glass, Tom Zé, Salif Keita, Gilberto Gil, Teresa Salgueiro, Maria João Pires, Richard Bona, Emir Kusturica, Oumou Sangaré, Jacob Collier, Richard Galliano, Rui Veloso, Manel Cruz, Dead Combo, Ana Moura, Samuel Úria, Dino D’Santiago, Mayra Andrade, McCoy Tyner, Hermeto Pascoal, Goran Bregović, Hamilton de Holanda e Ibrahim Maalouf. Para além dos concertos, os artistas participam também em sessões de cinema, workshops e conversas, ampliando a relação com o público e promovendo uma efetiva circulação de conhecimento.
Presente em cidades como Olinda, Recife, João Pessoa, Ouro Preto, Paraty, Tiradentes, Rio de Janeiro, São Paulo e Amarante, o MIMO iniciou a sua trajetória internacional em 2016, com edições em Portugal, e reforçou a sua presença global com participações em contextos como o Celtic Connections (Glasgow) e, mais recentemente, com a integração na Temporada Cruzada Brasil–França 2025, através da parceria com o Jazz in Marciac.
Mais do que um festival, o MIMO afirma-se como uma plataforma cultural integrada, que articula música, cinema, formação e pensamento, promovendo o acesso, a inclusão e a valorização dos territórios. A sua realização contribui para a dinamização da economia local, o estímulo ao turismo cultural e o reforço da identidade das cidades que o acolhem.



