Para ter acesso às explicações, os estudantes devem-se inscrever no “site” da Federação Académica do Porto ou pedirem mais informações junto da sua escola.

A Federação Académica do Porto (FAP) e a autarquia lançaram esta quinta-feira um programa que vai permitir a estudantes carenciados do Ensino Secundário ter explicações gratuitas para “promover a igualdade” no acesso à universidade.
Na cerimónia de apresentação do Projeto Porto Partilha, que decorreu esta manhã, o presidente da FAP, Francisco Porto Fernandes, salientou que a iniciativa, que parte de uma parceria entre a FAP e a Câmara Municipal do Porto, quer “garantir a equidade e igualdade de oportunidades”.
“Com este projeto, estudantes do Ensino Superior, com formação pedagógica, vão ser remunerados à hora para dar explicações gratuitas a estudantes carenciados do Ensino Secundário com o objetivo de garantirmos equidade e igualdade de oportunidades”, explicou.
Francisco Porto Fernandes salientou que “o bolso e o Código Postal das famílias ainda afetam em muito o que é a frequência de determinados cursos e este protocolo com a Câmara Municipal do Porto visa, no primeiro ano, chegar às mil explicações”.
Segundo o responsável, “o Porto Partilha pretende restabelecer o elevador social”.
O projeto dirige-se prioritariamente a estudantes do Ensino Secundário provenientes de contextos de maior vulnerabilidade socioeconómica, nomeadamente abrangidos pela Ação Social Escolar.
Para ter acesso às explicações, os estudantes devem-se inscrever no “site” da Federação Académica do Porto ou pedirem mais informações junto da sua escola, sendo que as explicações vão “desde o português até à matemática, passando pela biologia, física ou química”.
“Por um lado, [as explicações têm] o foco na preparação global, mas também um foco específico na preparação para os exames, que sabemos que têm um grande peso para o acesso ao Ensino Superior e que jovens que não têm acesso a este tipo de ajuda individualizada muitas vezes, infelizmente, ficam para trás”, apontou.
Além do programa de explicações, a FAP e a autarquia colaboraram também na elaboração de um projeto dedicado a “aproximar o Ensino Secundário do Ensino Superior através da promoção do associativismo estudantil, da participação cívica e da cidadania ativa”.
Para a vereadora da Educação da Câmara Municipal do Porto, Matilde Rocha, os dois protocolos assinados com a FAP representam o “compromisso assumido” de, com recurso a “sinergias, dar resposta às necessidades dos estudantes e do ensino do município de Porto”.
“O Projeto Porto Partilha é um nivelamento e uma equidade que os nossos alunos, os nossos estudantes precisam. Sem projetos como este, iam continuar a crescer as desigualdades e as discrepâncias no acesso ao Ensino Superior”, disse.
Quanto ao Projeto Academia 360, este desenvolve-se por sessões presenciais, de caráter interativo e adaptadas ao contexto escolar.
“Pretende-se dar a conhecer o papel das estruturas representativas dos estudantes, bem como o impacto real do movimento associativo na defesa de direitos, na construção de comunidades mais participativas e no desenvolvimento de competências pessoais e sociais”, lê-se no protocolo assinado.
Os objetivos do Academia 360 passam por “sensibilizar os estudantes para o valor do associativismo (…), valorizar e promover a democracia como um processo dinâmico, construído através da participação ativa, do envolvimento cívico e da representação coletiva, contribuindo para uma sociedade mais democrática e mais justa”.