Segundo a ALPN, o estudo baseia-se “numa leitura parcial dos dados disponíveis, privilegiando indicadores que favorecem determinadas conclusões e omitindo outros, igualmente, relevantes para uma avaliação equilibrada”.

A Associação Alojamento Local Porto e Norte (ALPN) contestou hoje as conclusões do Barómetro do Turismo da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) por “responsabilizar o AL pela crise da habitação”.
Segundo a ALPN, o estudo baseia-se “numa leitura parcial dos dados disponíveis, privilegiando indicadores que favorecem determinadas conclusões e omitindo outros, igualmente, relevantes para uma avaliação equilibrada”.
“A ausência de contextualização territorial e socioeconómica reduz significativamente a robustez das interferências apresentadas”, considera a associação.
Em comunicado, a ALPN critica também a “falta de análise estrutural do problema da habitação” e as “extrapolações discutíveis sobre o impacto do Alojamento Local”, assim como a “ausência de propostas ou soluções”.
O barómetro da Fundação Francisco Manuel dos Santos, divulgado há precisamente uma semana, concluiu que a maioria dos portugueses apoia a redução do alojamento local e uma gestão mais controlada do turismo, dando prioridade ao bem-estar dos residentes, mesmo que implique redução nas receitas turísticas.
De acordo com a análise divulgada, centrada na forma como a população residente em Portugal continental avalia o impacto do crescimento do turismo, para a maioria dos inquiridos “a habitação é o domínio mais afetado pelo setor”, um impacto que associam ao aumento dos preços das casas e à redução da oferta.
Mais de 70% dos inquiridos defendem que o Governo deve dar prioridade ao bem-estar dos residentes, mesmo que isso implique uma redução das receitas turísticas, e “a grande maioria apoia a redução do alojamento local para responder à crise da habitação”, aponta o barómetro.
Entre outras conclusões, o estudo identificou ainda a “perceção generalizada de que o turismo é também responsável pela subida generalizada do custo de vida, pela pressão sobre os serviços e pelo congestionamento urbano”.
A ALPN considerou hoje que “a crise habitacional resulta de um conjunto complexo de fatores (desde décadas de subinvestimento no parque habitacional acessível a falhas do planeamento urbano, pressões macroeconómicas a dinâmicas laborais). Ao centrar o estudo exclusivamente no AL contribui para uma narrativa simplista que em nada ajuda a resolver os desafios reais”.
A associação admite que, apesar do AL poder ter impacto em zonas específicas de forte pressão turística, o estudo da FMS tende “a generalizar, transmitindo a ideia de que o fenómeno é estruturalmente determinante a nível nacional, o que carece de prudência e rigor metodológico. Acresce que o AL está suspenso nessas zonas fazendo, portanto, confusão com apartamentos turísticos e hotéis”.
“Num momento em que o país enfrenta uma crise habitacional grave, seria desejável que um estudo desta visibilidade contribuísse para o debate público com soluções e não apenas com diagnósticos parciais, sendo que essa falta limita o valor do trabalho enquanto ferramenta de política pública”, acrescenta.
No comunicado enviado à imprensa, a ALPN reforça ainda a importância da realização de “análises independentes, abrangentes e sólidas para orientar decisões políticas informadas”.
“A habitação é uma prioridade nacional e exige estudos que reflitam a complexidade do problema, evitando simplificações que distorcem a perceção pública e desviam a atenção das verdadeiras causas estruturais”, sustenta.