Atual e ex-presidente de duas juntas de Gaia desfiliam-se do PS

O atual presidente de junta de Santa Marinha e Afurada e um ex-presidente da junta da Madalena, em Gaia, desfiliaram-se nos últimos dias do PS após décadas de militância, a três meses das eleições autárquicas.

Julho 7, 2025

O atual presidente de junta de Santa Marinha e Afurada e um ex-presidente da junta da Madalena, em Gaia, desfiliaram-se nos últimos dias do PS após décadas de militância, a três meses das eleições autárquicas.

De acordo com cartas a que a Lusa teve acesso, à desfiliação conhecida na semana passada de Paulo Lopes, que se mantém como presidente da junta da União de Freguesias de Santa Marinha e São Pedro da Afurada, adiciona-se esta segunda-feira a de José Carlos Cidade, militante do PS desde 1979 e antigo presidente da junta da Madalena (2001-2009).

“Acredito que a política vive hoje um tempo novo. A sociedade exige novas formas de participação, mais abertas, mais próximas, menos dependentes das lógicas partidárias tradicionais. O mundo mudou, e com ele mudou também a forma como entendo a intervenção cívica e pública”, refere José Carlos Cidade na carta de desvinculação dirigida ao presidente do PS, Carlos César, a que a Lusa teve esta segunda-feira acesso.

A missiva, datada de domingo, não indica mais motivos concretos para abandono do partido, referindo o agora ex-militante que sai do PS “de cabeça erguida, com a consciência tranquila e com o coração cheio de gratidão”, bem como “com o orgulho de quem acreditou até ao fim e com a certeza que a política continuará a ser”, para si, “um espaço de serviço”.

“Deixo um abraço fraterno a todos os camaradas, na convicção de que continuaremos, cada um a seu modo, a lutar por uma sociedade mais justa, solidária e livre”, conclui o texto.

Contactada pela Lusa, fonte da concelhia PS/Gaia não quis comentar a saída de José Carlos Cidade.

A saída do antigo autarca da Madalena junta-se à de Paulo Lopes, presidente da junta da União de Freguesias de Santa Marinha e São Pedro da Afurada, que agora passa a liderar a autarquia como independente.

Na sua carta de demissão, a que a Lusa teve acesso, o autarca refere que sai “após mais de 30 anos de militância ativa” no PS, considerando que o partido se afastou “das linhas orientadoras essenciais que historicamente o definiram, deixando para segundo plano os valores e princípios que deveriam ser intransponíveis num partido com a sua história e responsabilidade”.

“Assim, não podendo continuar a defender aquilo em que já não acredito, e por respeito a mim próprio, às populações que sirvo e à história que ajudei a construir dentro do partido, comunico formalmente a minha saída enquanto militante do Partido Socialista, com efeitos imediatos”, pode ler-se no texto datado de 01 de julho.

Num comunicado em reação a esta saída, a concelhia do PS/Gaia classificou a saída de Paulo Lopes como “um ato de lamentável oportunismo e de ambição pessoal desmedida”.

“Ao mesmo tempo, desrespeita a confiança que o próprio pediu ao partido para ser candidato à Junta de Freguesia de Santa Marinha e São Pedro da Afurada”, refere ainda a estrutura, considerando que o PS “serviu a Paulo Lopes durante 11 anos e nove meses e deixou de servir para os últimos três meses do mandato”.

No texto assinado por Dália Miranda, o PS/Gaia considera que “o que naturalmente se esperaria de alguém com mais de 30 anos de militância seria uma explicação fundamentada desta decisão”, mas os socialistas consideram que “a demissão é anunciada através de uma carta vazia de explicações”.

“Talvez por isso não seja inocente que a demissão ocorra a cerca de três meses das eleições autárquicas e na véspera da apresentação de outro(s) candidato(s) à Câmara Municipal”, refere o PS/Gaia, antecipando que “em breve (…) ficará tudo às claras e se perceberá a real intenção deste comportamento”.

Na corrida à Câmara de Gaia são para já conhecidas as candidaturas de João Paulo Correia pelo PS, de André Araújo pela CDU, de Luís Filipe Menezes pelo PSD/CDS-PP e de Daniel Gaio pelo Volt.

O executivo municipal é composto por 11 lugares, tendo o PS nove e o PSD dois.

As eleições autárquicas realizam-se a 12 de outubro.

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