A obra convida à interatividade dos visitantes para que entrem e sintam, como se estivessem numa sala de cinema a participar na rodagem de um filme.

“Auto dos Anfitriões” é a nova exposição que o Museu de Serralves inaugura hoje, na qual são mostradas, pela primeira vez, obras da Coleção da Fundação Leal Rios, no museu de arte contemporânea do Porto.
Uma linha que descreve um cone de luz, fumos a pairar no ar e uma sala escura são os ingredientes escolhidos pelo artista inglês Anthony McCall para tornar a obra inédita em Serralves como um convite ao visitante para penetrar na projeção e tentar ser o realizador de um filme antigo onde ainda se podia fumar.
Na visita à imprensa, Ricardo Nicolau, adjunto do diretor do museu e comissário da exposição, destacou esta obra de Anthony MacCall, que é uma das “pessoas mais conhecidas ligadas ao cinema experimental dos anos 70”, conta Ricardo Nicolau.
A obra está numa sala escura e lá desvenda-se um “cone de luz” que convida à interatividade dos visitantes para que entrem e sintam, naquela luz projetada, como se estivessem numa sala de cinema a participar na rodagem de um filme.
“Funciona simultaneamente como uma espécie de escultura muito física, porque quase temos medo de atravessar o cone de luz. É forte a presença imaterial do cone na sala”, reflete Ricardo Nicolau, referindo que é uma das obras que vão ser apresentadas pela primeira vez em Serralves.
“A Casa Morcego”, da artista Ângela Ferreira, é outra das peças da exibição que vai ser revelada pela primeira vez em Serralves e que a própria artista só viu instalada duas vezes antes de ser adquirida, conta Ricardo Nicolau.
A obra é feita a partir de um edifício de um arquiteto sul-africano. Trata-se de uma “casa na Cidade do Cabo, nos anos 60” que, como o nome indica – “Casa Morcego” -, aparece invertida e suspensa a partir do teto, com o telhado rente ao solo.
O fio condutor desta exposição é a “visibilidade versus a invisibilidade”.
“Enquanto curador teve o trabalho facilitado pelo facto de haver já um fio condutor na coleção (…), há muitas obras que têm a ver com a questão da visibilidade e invisibilidade ou a relação entre as duas, a relação entre aparição e desaparição e portanto, esse é o fio condutor da exposição”.
A mostra exibe pela primeira vez em Serralves obras de 20 dos 70 artistas nacionais e internacionais representados na Coleção da Fundação Leal Rios, que em 2021 foi parcialmente depositada no Museu de Serralves.
A Coleção da Fundação Leal Rios foi constituída pelos irmãos Manuel e Miguel Leal Rios desde 2003.
A exposição “Autos dos Anfitriões” vai estar patente em Serralves a partir de hoje e fica até 28 de junho.