Batalha dedica retrospetivas a Miloš Forman e Satoshi Kon e homenagem a João Canijo

O Batalha Centro de Cinema apresentou nesta segunda-feira, 20 de julho, em conferência de imprensa, a programação para os meses de setembro de 2026 a fevereiro de 2027.

Julho 21, 2026

O programa reúne ciclos temáticos, retrospetivas, estreias, performances, festivais e projetos formativos, assinalando o encerramento do ciclo de programação do atual diretor artístico, Guilherme Blanc.

Para Jorge Sobrado, vereador da Cultura da Câmara Municipal do Porto, “um cinema que sobressalta e completa poderá ser a definição da missão cívica do Batalha, que se afirma, nesta programação, como casa comum da cinefilia e da cinematografia portuenses, ao mesmo tempo que reforça o seu posicionamento como um espaço de referência nacional e internacional na programação de qualidade e na formação de públicos em torno do cinema”.

Já Guilherme Blanc define que esta é “uma temporada em que propomos encontros contínuos com filmografias integrais de nomes incontornáveis da história do cinema, simultaneamente, divulgando em permanência o cinema nacional de vários períodos, incluindo uma retrospetiva-homenagem dedicada a Canijo. Numa esfera menos visível, mas central da nossa missão, reforçamos o programa Escolas, iniciativas de diálogo com pessoas vizinhas e organizações culturais da cidade, e os nossos projetos formativos, prosseguindo o trabalho de inscrição do Batalha enquanto lugar de cinefilia, cultura participativa e cidadania através do cinema”.

Ciclos e retrospetivas em destaque

A nova temporada abre com Cinema do Além, um ciclo que propõe um percurso pelas múltiplas formas como o cinema imaginou a vida após a morte. De vidas anteriores a mundos intermédios, passando por rituais ancestrais, estados de suspensão, experiências de luto e processos de transformação, o programa reúne obras que refletem sobre a memória, a sobrevivência da consciência, a relação entre vivos e mortos e as diversas formas de assombração – íntimas, políticas ou coletivas.

Segue-se um ciclo dedicado aos Efeitos Especiais no Cinema, que reúne um conjunto de filmes marcantes pela forma inovadora como exploraram, no seu tempo, as possibilidades técnicas e criativas dos efeitos visuais e da montagem. Através destas obras, o ciclo propõe uma perspetiva historiográfica sobre a evolução dos efeitos especiais e o seu impacto na linguagem cinematográfica.

As retrospetivas voltam a assumir um lugar central na programação. Entre setembro e fevereiro, o Batalha dedica uma retrospetiva integral a Miloš Forman, um dos mais importantes cineastas da segunda metade do século XX. Da Nova Vaga Checa a Hollywood, a sua filmografia distingue-se pelo olhar crítico, irreverente e profundamente comprometido com a liberdade individual, em obras incontornáveis como “One Flew Over the Cuckoo’s Nest” (1975) e “Amadeus” (1984).

Entre setembro e dezembro, é apresentada uma retrospetiva integral de Satoshi Kon, mestre visionário da animação japonesa, cuja obra revolucionou a linguagem do cinema de animação, através da fusão entre sonho, memória e realidade. A partir de outubro, o Batalha apresenta, igualmente, uma retrospetiva integral dedicada a Andrea Arnold, uma das vozes mais singulares do cinema britânico contemporâneo e vencedora de três Prémios do Júri no Festival de Cannes.

No dia 10 de dezembro, data em que João Canijo celebraria o seu aniversário, tem início uma retrospetiva de homenagem dedicada a um dos mais importantes cineastas portugueses contemporâneos, reunindo uma seleção dos seus filmes mais marcantes e obras de realizadores que influenciaram o seu percurso artístico.

Em janeiro, será também dedicada uma retrospetiva à artista franco-colombiana Paula Gaitán, autora de uma das filmografias mais singulares do cinema latino-americano contemporâneo.

Sessões especiais e programas regulares

A programação dá ainda especial destaque ao cineasta argentino Matías Piñeiro, que estará no Batalha para uma masterclass e para o lançamento da primeira monografia dedicada à sua prática cinematográfica, publicada conjuntamente pelo Batalha Centro de Cinema e pela Fireflies Press. Em parceria com a Cinemateca Portuguesa, assinalam-se também os 90 anos do nascimento de Paulo Rocha, através de duas sessões dedicadas à sua obra.

Nas sessões especiais, destaque para a antestreia de duas obras filmadas no Porto: “Memórias do Cárcere”, de Sérgio Graciano, inspirada na história de Camilo Castelo Branco e Ana Augusta Plácido, presos na Cadeia da Relação por adultério, acompanhando a sua história de amor, o período de prisão e a escrita de Amor de Perdição, e “Aquí”, de Tiago Guedes, estreada este ano em Cannes, que adapta ao cinema a Trilogia de Jesus, do Prémio Nobel J. M. Coetzee.

Haverá também espaço para a sessão que assinala os 25 anos da Casa da Animação, para a celebração do Halloween e para o regresso de “Play it Again, Batalha!”, que volta a reunir alguns dos filmes mais marcantes exibidos no último ano, incluindo uma sessão escolhida pelo público.

O último capítulo de Seleção Nacional, desenvolvido em parceria com a Cineteca Madrid, apresenta um programa dedicado a histórias e experiências “telúricas” no cinema de Portugal e de Espanha. Reunindo obras produzidas entre os períodos do pós-ditadura e o cinema contemporâneo, o programa coloca em diálogo filmes que exploram a relação entre paisagem, território, memória e modos de vida profundamente ligados aos ritmos da natureza.

Em Luas Novas, é apresentada uma sessão conjunta com Carla Andrade e Joana Patrão (em ligação ao programa Seleção Nacional) e outra com Inês Nunes, enquanto Tesouros do Arquivo reúne novas cópias restauradas de obras de Todd Solondz, Lina Wertmüller, Satyajit Ray, entre outros. As Matinés do Cineclube recuperam clássicos de Jean Cocteau, Elia Kazan, Orson Welles, Luis García Berlanga e Frank Capra.

O programa Famílias continua a dialogar com os ciclos e retrospetivas através de sessões como “O Meu Vizinho Totoro”, “A Família Addams” e “Ernest e Célestine: Contos de Inverno”. Já Câmara Sónica, o programa regular que cruza imagem em movimento e som, recebe novas performances de Bianca Scout e David Ole.

Exposições, festivais e projetos formativos

Na programação expositiva regressa “Sobre um Filme, Sobre um Poema”, desta vez com curadoria de Regina Guimarães. Cecilia Bengolea apresenta uma exposição em parceria com a Solar – Galeria de Arte Cinemática e Marie Losier desenvolve um projeto instalativo centrado em Marlene Monteiro Freitas. Seguem-se projetos expositivos de Paulo Carneiro, Isadora Neves Marques, Omar Chowdhury, Wang Bing e Maxime Jean-Baptiste.

O Batalha volta a acolher festivais como Film Project, MICAR, Queer Porto, Porto/Post/Doc, IndieJúnior e Fantasporto além de mostras e programas em parceria.

Um semestre de crescimento consolidado

Entre janeiro e julho de 2026, o Batalha Centro de Cinema recebeu um total de 36.896 espectadores. Considerando somente a sua programação própria, registou um aumento de público de 10%, face ao período homólogo de 2025.

O programa completo para os meses de setembro a dezembro está disponível no site do Batalha Centro de Cinema, e os bilhetes já se encontram à venda online e na bilheteira.

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