Os transportes públicos são gratuitos desde sexta-feira para os residentes do Porto portadores do Cartão Porto., que pode ser obtido “online” e noutros locais.

A CDU do Porto valorizou hoje a gratuitidade dos transportes públicos para os residentes na cidade portadores do Cartão Porto., mas defendeu que a medida exige um reforço da oferta e condições dignas de viagem.
“A redução de custos com a mobilidade constitui uma medida positiva para as populações e pode contribuir para aumentar a utilização do transporte coletivo”, referiu em comunicado a CDU (coligação PCP/PEV), salientando, contudo, que “a gratuitidade não pode ser apresentada como uma medida isolada, desligada da capacidade real da rede de transportes”.
Para a CDU, a previsível subida do número de passageiros não pode traduzir-se em mais sobrelotação, maiores tempos de espera, supressões de viagens ou degradação das condições de transporte.
“Eliminar o preço é importante, mas os utentes precisam também de frequência, cobertura, pontualidade, fiabilidade e conforto”, advertiu, lembrando as recentes situações de sobrelotação e calor excessivo em composições do Metro do Porto, que não constituem “uma condição digna de transporte e pode representar um risco acrescido para crianças, idosos e pessoas com problemas de saúde”.
A CDU exigiu, assim, que a Câmara do Porto, em articulação com a Transportes Metropolitanos do Porto (TMP), a Sociedade dos Transportes Coletivos do Porto (STCP), a Metro do Porto e o Governo “apresentem publicamente o plano de reforço da oferta que acompanhará o aumento da procura, identificando operadores, linhas, horários e períodos de maior utilização; as medidas previstas para assegurar os veículos e os trabalhadores necessários ao cumprimento da oferta; um plano imediato de verificação, manutenção e melhoria dos sistemas de climatização dos veículos; medidas de contingência para os períodos de temperaturas mais elevadas e dados regulares sobre procura, lotação, atrasos, supressões e reclamações dos utentes”.
“A gratuitidade deve ser uma verdadeira conquista para as populações e um instrumento para reduzir a utilização do transporte individual” mas, para isso, “precisa de ser acompanhada por mais transporte público, melhores condições de operação e investimento nos operadores públicos”, sustentou.
A coligação referiu ainda que vai questionar a autarquia sobre as medidas concretas previstas, bem como “continuará a defender uma rede pública de transportes com capacidade, qualidade e condições dignas para quem nela viaja e trabalha”.
Os transportes públicos são gratuitos desde sexta-feira para os residentes do Porto portadores do Cartão Porto., que pode ser obtido “online” (https://cartao.porto.pt/) e noutros locais.
Além do Gabinete do Munícipe, a adesão ao cartão municipal pode ser feita na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, na Piscina Municipal da Constituição, Piscina Municipal de Cartes, Piscina Municipal Eng. Armando Pimentel, Teatro Municipal do Porto — Rivoli, Balcão da Habitação Acessível (Porto Vivo, SRU), na Loja de Cidadão das Antas, no EcoPorto, no Ecocentro da Prelada e Gabinete do Inquilino Municipal (GIM).
Na sexta-feira, na apresentação desta medida, o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte (PSD/CDS-PP/IL), anunciou que o carregamento da gratuitidade dos transportes será anual.