Trata-se de uma tradição popular associada às Festas de São Bartolomeu, cujo culto e práticas rituais remontam, pelo menos, ao início do século XIX.

O Cortejo dos Trajes de Papel de São Bartolomeu, da Foz do Douro, no Porto, uma tradição com 150 anos, vai realizar-se a 30 de agosto com um “número recorde” de 700 figurantes, anunciou hoje a União das Freguesias.
O desfile terá início às 10:30 na Rua das Sobreiras, seguindo pelo Passeio Alegre e pela Rua Senhora da Luz, terminando na Praia do Ourigo, onde vai ter lugar o tradicional banho de São Bartolomeu, um dos momentos mais simbólicos desta celebração, descreve a União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde (UFAFDN).
O Cortejo dos Trajes de Papel de São Bartolomeu, da Foz do Douro, foi inscrito no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI).
Trata-se de uma tradição popular associada às Festas de São Bartolomeu, cujo culto e práticas rituais remontam, pelo menos, ao início do século XIX.
Organizado anualmente em agosto pela UFAFDN o desfile tem vindo a juntar cerca de 500 figurantes, mas este ano a organização anunciou um “numero recorde” de 700 figurantes e que o tema será “Fábulas e Lendas”,
Habitualmente este cortejo atrai milhares de pessoas e termina com o chamado “banho santo” na praia do Ourigo.
Os fiéis acreditam que, a 24 de agosto, Dia de São Bartolomeu, o santo encarna nas águas, e procuram proteção conta males de pele, gaguez ou efeitos demoníacos, mergulhando no mar em busca da sua proteção.
A importância deste cortejo candidato a Património Imaterial da UNESCO desde 2023, tem sido sublinhada pelo “caráter identitário para a comunidade local, onde há uma clara valorização do trabalho manual e conteúdo material desta tradição”.
No anúncio publicado em Diário da República a 11 de junho, o conselho diretivo do Património Cultural – Instituto Público (PC-IP) destaca esta tradição pela “importância de que se reveste esta manifestação do património cultural imaterial enquanto reflexo da identidade da comunidade envolvente e os processos sociais e culturais nos quais teve origem e se desenvolveu a manifestação do património cultural imaterial na contemporaneidade”.
Já a união de freguesias refere num comunicado partilhado hoje que “o desfile reúne centenas de participantes de diferentes gerações, que ao longo de vários meses transformam papel crepe em verdadeiras obras de arte. O resultado é um espetáculo de criatividade, cor e tradição que continua a afirmar-se como uma das manifestações culturais mais emblemáticas da cidade do Porto”.
Quanto ao reconhecimento no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, para a presidente da UFAFDN, Cláudia Bravo, este representa “acima de tudo, uma homenagem à comunidade”.
“Das pessoas que, há décadas, dedicam tempo, criatividade e talento para que esta tradição continue a emocionar quem a vive e quem a visita”, afirma a autarca, citada no comunicado enviado à agência Lusa.
Além do cortejo, a união de freguesias promete música e animação durante toda a manhã e garante que estas festas continuam a afirmar-se como “um momento de encontro entre gerações, envolvendo associações locais, escolas, artesãos, costureiras, voluntários e centenas de figurantes que mantêm viva uma tradição com profundas raízes na identidade da Foz”.