A Câmara do Porto disse que ainda não é possível dar um prazo para o arranque das obras, e posterior conclusão, pelos trâmites habituais que antecedem a execução, incluindo a notificação do promotor.

As estruturas degradadas que se encontram na Praia do Ourigo, no Porto, vão ser retiradas até ao início da época balnear deste ano, disse hoje a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), com a câmara em “acompanhamento permanente”.
Segundo explicou à Lusa fonte da APA, o plano para a remoção daquelas estruturas, que implica demolição do que lá está instalado e subsequente limpeza, é fazê-lo antes deste verão.
Esta intervenção consta, de resto, do relatório técnico que aquele organismo apresentou a 11 de março, e é a única para o município do Porto, com quem a APA tem estado “totalmente articulada”.
As ruínas de um bar na Praia do Ourigo são a única estrutura no Porto listada no relatório, que diz respeito às ocorrências na faixa costeira de Portugal continental entre outubro de 2025 e os primeiros dias deste mês, um levantamento dos efeitos do mau tempo, e sucessivas tempestades, no país.
Em resposta à Lusa, a Câmara do Porto disse que ainda não é possível dar um prazo para o arranque das obras, e posterior conclusão, pelos trâmites habituais que antecedem a execução, incluindo a notificação do promotor.
Acrescenta que o executivo liderado por Pedro Duarte (PSD/CDS-PP/IL) tem feito “acompanhamento permanente deste processo e está totalmente empenhado em garantir a sua resolução”.
“A remoção desta estrutura, a par da demolição do Edifício Transparente, constitui uma prioridade clara para este executivo municipal. São duas situações que se arrastam há vários anos na cidade e que exigem uma resposta firme e definitiva, em linha com os compromissos assumidos na campanha eleitoral”, pode ler-se na resposta da autarquia.
No dia 12 de setembro de 2025, em campanha eleitoral, Pedro Duarte considerou o Edifício Transparente uma “obra sem grande sentido”, e prometeu “promover a demolição de todo o edifício até à cota da estrada, depois de terminada a sua concessão no próximo ano”, mantendo-se apenas, na parte, o “chamado apoio de praia”.
Projetado pelo arquiteto catalão Solà-Morales e construído no âmbito da Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura, o Edifício Transparente foi concessionado em junho de 2004 por um período de 20 anos, prazo que já tinha sido prorrogado em 2024 por um ano e voltou a ser prolongado até 2026.
Em vigor desde 2021, o Programa da Orla Costeira Caminha – Espinho (POC-CE) identifica 46 áreas críticas e determina o recuo de dezenas de núcleos habitacionais, bem como a proteção da Praia Internacional no Porto, junto ao Edifício Transparente, cuja demolição está prevista até 2028.