Falta de passagens sob a Linha do Norte é “intolerável” e Gaia exige correção à IP

O processo para o estudo de viabilidade de passagens inferiores à Linha do Norte na Aguda e Granja, em Gaia, arrasta-se desde 2022 e pode superar os quatro anos.

Março 5, 2026

 O vice-presidente da Câmara de Gaia considerou esta quinta-feira “intolerável” a falta de um projeto para passagens sob a Linha do Norte na Aguda e Granja, pretendendo corrigir junto da Infraestruturas de Portugal (IP) a “mancha urbanística” naquelas zonas.

“Em relação às passagens inferiores que estavam protocoladas há quatro anos da Aguda e da Granja, consideramos que a situação da sua não construção, e nem sequer de um projeto é, de facto, intolerável e uma quebra de compromisso que existe perante tantas pessoas que contestaram as passagens superiores que foram construídas”, disse esta quinta-feira o vice-presidente da Câmara de Gaia, Firmino Pereira, à Lusa.

O processo para o estudo de viabilidade de passagens inferiores à Linha do Norte na Aguda e Granja, em Gaia, arrasta-se desde 2022 e pode superar os quatro anos, segundo dados da IP.

Em causa estão os diversos procedimentos desencadeados desde a assinatura de um protocolo entre a IP e a Câmara de Vila Nova de Gaia (distrito do Porto) em julho de 2022, após críticas das populações da Granja e Aguda às passagens superiores e barreiras construídas nas obras de requalificação da Linha do Norte.

“Nós pretendemos, de facto, que as passagens desniveladas da Granja e da Aguda sejam construídas, desniveladas e subterrâneas, eliminando aquilo que está neste momento construído, que além de difícil acessibilidade para as pessoas, é uma mancha urbanística, quer na zona da Aguda, quer na zona da Granja”, disse ainda o autarca.

O assunto será levado a uma reunião que a Câmara de Gaia terá com a IP na segunda-feira, afirmou.

Firmino Pereira, eleito na coligação PSD/CDS-PP/IL, que tem os pelouros dos Equipamentos Públicos e Espaço Público, apontou ainda às frequentes avarias nos elevadores que foram construídos nas passagens superiores, considerando que “se não existe manutenção por parte da IP, é uma situação que vai ser recorrente”.

“Em primeiro lugar, vamos sensibilizar a IP que tem que fazer uma manutenção regular aos elevadores. Mas, fundamentalmente, aquilo que interessa às pessoas e a nós, a câmara, é que sejam construídas as passagens subterrâneas, exatamente para eliminar essa questão da constante avaria dos elevadores”, vincou.

Outro dos assuntos que também está relacionado com a Linha do Norte em Gaia é a dimensão dos abrigos para passageiros, que “devem ser maiores”, segundo Firmino Pereira.

“Se há um apelo à utilização do transporte público, neste caso do comboio, nós temos que dar condições às pessoas para os utilizar”, referiu o vice-presidente da autarquia, que garantiu que a questão será colocada à IP “para que sejam redimensionadas as infraestruturas dos abrigos em Gaia”.

Para Firmino Pereira, “não é compreensível” a diferença na dimensão dos abrigos em estações das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, e dá como exemplo a estação das Devesas, em Gaia, que “não está adaptada para a dimensão de maior estação da área metropolitana a sul do Douro”.

O autarca disse ainda que vai exigir à IP na segunda-feira que as plataformas tenham cobertura integral, quando a interligação com a Linha Rubi do Metro do Porto estiver concluída nas Devesas.

O autarca disse também que a Câmara de Gaia quer proceder à montagem do Mirante da Madalena, uma estrutura construída no século XIX “de estilo revivalista, com aspeto de torre castelã, construído posteriormente à construção da linha ferroviária (1864/65), para que dele se pudesse contemplar a passagem dos comboios”, que também tinha sido protocolada com a IP em 2022 e a remontagem ficando a cargo da autarquia.

“Tive que perguntar na Câmara, aos serviços, onde estavam as peças do mirante. Deram uma resposta de que, eventualmente, estão localizadas e, é evidente que, se existirem condições, a câmara procederá à sua reconstrução na freguesia da Madalena. Lamento que esse compromisso tenha sido assumido e não tenha sido concretizado”, disse.

Segundo a IP, “o mirante foi desmontado e foram elaborados registos estratigráficos (interior e exterior do edificado) com vista à possível reconstrução” e “as peças foram acondicionadas nos terrenos da Misericórdia de Gaia”.

Para já, o vice-presidente não adiantou prazos por desconhecer “a complexidade da montagem da estrutura”, cuja montagem poderá ser feita ou “por serviços da câmara, por administração direta, ou terá que ser feita uma empreitada”, sendo necessário “avaliar os custos” para decidir.

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