Freguesia de Leça da Palmeira em Matosinhos contra terminal de contentores de Leixões

A Junta de Freguesia de Leça da Palmeira, em Matosinhos, revelou hoje ter dado parecer desfavorável à ampliação e reorganização do Terminal de Contentores Norte do Porto de Leixões, no âmbito do Plano Estratégico 2025-2035. Apesar de reconhecer a importância estratégica do Porto de Leixões para a economia regional e nacional, a junta de freguesia […]

Fevereiro 2, 2026

A Junta de Freguesia de Leça da Palmeira, em Matosinhos, revelou hoje ter dado parecer desfavorável à ampliação e reorganização do Terminal de Contentores Norte do Porto de Leixões, no âmbito do Plano Estratégico 2025-2035.

Apesar de reconhecer a importância estratégica do Porto de Leixões para a economia regional e nacional, a junta de freguesia considerou, contudo, que o projeto tem impactos negativos de “elevada magnitude” para a população, o território e a identidade de Leça da Palmeira.

Em comunicado, a junta de freguesia destacou que o projeto vai eliminar a Marina Porto Atlântico, dado que a área ocupada por esta será integralmente absorvida pelo novo terrapleno e cais do terminal.

“Não existe qualquer solução de relocalização definida, financiada ou calendarizada e a eventual deslocação para o molhe sul ou outras localizações implicaria perda de capacidade e perda de centralidade náutica”, entendeu.

Para a junta de freguesia, a eliminação da marina reduzirá a procura que sustenta parte significativa dos negócios da zona, incluindo restauração e serviços ligados às atividades náuticas, acrescentando que a marina é um gerador diário de fluxos turísticos, desportivos e técnicos.

Além da marina, a junta de freguesia assinalou os impactos visuais e paisagísticos “muito significativos” que a ampliação do terminal vai causar, nomeadamente na marginal, praias, Piscinas das Marés e Casa de Chá da Boa Nova, alterando de forma definitiva a paisagem costeira.

Aumento de tráfego pesado e agravamento da mobilidade, riscos ambientais associados a dragagens e sedimentos contaminados e ameaças ao património construído e simbólico são outras das desvantagens daquele projeto para Leça da Palmeira, ressalvou.

“A intervenção rompe com um século de convivência harmoniosa entre a atividade portuária e a vivência urbana, comunitária e marítima de Leça da Palmeira”, apontou a junta de freguesia.

Em sua visão, os valores identitários, culturais e paisagísticos da freguesia ficam ameaçados “de forma irreversível”.

Tal como a junta de freguesia, a Câmara de Matosinhos, liderada pela socialista Luísa Salgueiro, também vai dar parecer desfavorável ao novo Terminal de Contentores Norte do Porto de Leixões por fazer a cidade recuar para que o porto cresça.

Na semana passada, na apresentação do plano estratégico, o ministro das Infraestruturas e Habitação garantiu que o projeto é para avançar e que o Governo vai dialogar com a autarquia para encontrar soluções.

“O plano é para avançar e, agora, vamos conversar com Matosinhos para encontrar soluções que mitiguem os problemas causados, segundo a Câmara de Matosinhos, e como é que nós podemos compensar Matosinhos ou alterar o projeto”, afirmou Miguel Pinto Luz.

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