Numa cerimónia de entrega de nove habitações sociais… que contou com a presença do ministro das Infraestruturas e Habitação, Luís Filipe Menezes disse ainda já ter cerca de 2.000 em perspetiva de começarem a construção no início do próximo ano.

O presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes (PSD/CDS-PP/IL), disse hoje que vai entregar 500 casas até março, numa cerimónia que contou com a presença do ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz.
“Nós, do nosso lado, até março vamos conseguir entregar aos cidadãos de Gaia 500 casas, e já temos cerca de 2.000 em perspetiva de começarem a construção no início do próximo ano”, disse hoje numa cerimónia de entrega de nove habitações sociais nas freguesias de Arcozelo (oito) e Serzedo (um), que decorreu na Casa da Presidência.
No dia 22 de outubro, o presidente da câmara já tinha dito que iria entregar 100 casas no período do Natal e Ano Novo.
Na cerimónia de hoje, o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, disse ainda que, além do tema da habitação, se reuniu com o presidente da Câmara e discutiu “muitos temas”, como “mobilidade” e “temas estratégicos como a ferrovia”, após na segunda-feira ter dito no parlamento que se iria reunir com Menezes sobre a linha de alta velocidade.
No final da cerimónia, Miguel Pinto Luz não quis prestar declarações à Lusa sobre a reunião, dizendo que já tinha falado de manhã no Porto, e o presidente da Câmara também optou por não prestar declarações.
Na segunda-feira, Miguel Pinto Luz, disse que é “claro” que a estação de alta velocidade de Gaia será em Santo Ovídio, e que teria hoje “oportunidade de ter reuniões com o presidente da Câmara de Gaia [Luís Filipe Menezes] e com o presidente da Câmara do Porto [Pedro Duarte]” sobre a linha de alta velocidade, para depois avaliar o que é possível “colmatar ou não”.
No dia 20 de outubro, Luís Filipe Menezes assinalou na reunião do executivo o alinhamento com a oposição PS na reivindicação de compensações relativas à construção da estação de alta velocidade em Santo Ovídio.
“Desta vez, quer nós, quer o maior partido da oposição, estamos numa situação de procurar minorar os estragos, ou seja, de que o Estado procure compensar Gaia com um conjunto de decisões que menorize o prejuízo que vamos necessariamente ter”, disse o autarca.
O autarca disse que iria “publicamente confrontar” o ministro com as reivindicações do município e procurar que desse “explicações aos gaienses”, o que não aconteceu hoje.
O executivo gaiense exige a construção de um interface rodoviário, apoio financeiro para a manutenção das vias circundantes, o financiamento de três vias de ligação, e o apoio ao estudo e financiamento de um metrobus ou teleférico entre Avintes e D. João II.
O PS/Gaia exigiu o “financiamento do Governo dos acessos ao tabuleiro rodoviário” da nova ponte rodoferroviária sobre o rio Douro, um “contrato de minimização de impactos”, “plano de acessos de emergência ao Hospital de Gaia”, um terminal intermodal, uma ligação direta entre a estação D. João II do metro e a estação de alta velocidade, e um túnel rodoviário entre a EN 222 e a Avenida da República.
A associação Frente Cívica avisou que “já se brincou demasiado” com a obra da linha alta velocidade em Gaia, instando o Governo a fazer cumprir o contrato de concessão, que prevê estação em Santo Ovídio, dizendo o vice-presidente da associação, João Paulo Batalha, que a Câmara deve dirigir as suas reivindicações “ao consórcio que está a fazer a obra” e não “pressionar o Governo para fazer o favor que a Mota-Engil queria que tivesse feito, que é alterar a natureza do contrato e da obra depois de ter sido adjudicado”.
O consórcio AVAN (Mota-Engil, Serena, Teixeira Duarte, Casais, Alves Ribeiro, Conduril e Gabriel Couto) tentou alterar a localização da estação para Vilar do Paraíso em 2025, sem sucesso, tendo essa pretensão sido “chumbada” pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
As obras do troço Porto – Oiã (Oliveira do Bairro, Aveiro) da linha de alta velocidade até Lisboa arrancaram em outubro.
A linha deverá ligar Porto e Lisboa numa hora e 15 minutos em 2032, com paragens possíveis em Gaia, Aveiro, Coimbra e Leiria.