O IPMA não consegue identificar o local exato que sofrerá o maior impacto, mas estima que as zonas mais afetadas pela “Kristin” serão o Norte e o Centro e sobretudo o litoral.

A Proteção Civil decidiu elevar o estado de prontidão especial para nível 4, o máximo, em toda a orla costeira entre Viana do Castelo e Setúbal, para fazer face a nova depressão meteorológica que atravessará Portugal na próxima madrugada.
O distrito de Coimbra, até Aveiro, a norte, e até Leiria, a sul, será a zona de maior risco à passagem da depressão Kristin, que sucede à depressão Joseph e que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) qualificou como “ciclogénese explosiva”, termo utilizado para depressões de forte intensidade, tanto em vento como em chuva.
A situação foi transmitida à comunicação social na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, concelho de Oeiras (distrito de Lisboa), pelo presidente desta entidade, José Manuel Moura, por José Ribeiro, segundo-comandante nacional da Proteção Civil, e Nuno Lopes, meteorologista da Divisão de Previsão Meteorológica e Vigilância do IPMA.
O estado de prontidão de nível 4 mobiliza os dispositivos de resposta até 100%, “num prazo de 12 horas”, adiantaram, reconhecendo que aguardam um “fenómeno complexo” e “com potencial destrutivo muito significativo”.
A nova depressão “vai ter forte impacto no nosso território”, resumiu o presidente da ANEPC, depois de se ter realizado uma reunião extraordinária do Centro de Coordenação Operacional Nacional, esta manhã.
Na sequência da depressão “Joseph” foi detetada uma “ciclogénese explosiva”, que “vai intensificar-se rapidamente em 24 horas” e passará por Portugal na próxima madrugada, — com maior impacto entre as três e as seis da manhã, com “vento muito intenso”, podendo as rajadas atingir os 140 quilómetros hora, adiantou Nuno Lopes, não excluindo que “localmente elas possam ser superiores”.
O IPMA não consegue identificar o local exato que sofrerá o maior impacto, mas estima que as zonas mais afetadas pela “Kristin” serão o Norte e o Centro e sobretudo o litoral.
Ainda assim, o IPMA vai “afinando o local do embate” à medida que a depressão se aproximar, mas “o problema” é que já restará pouco tempo quando esta estiver próxima, porque passará “rapidamente” pelo território.
“Não podemos excluir que haja [tornados ou fenómenos semelhantes]”, admitiu Nuno Lopes, em resposta aos jornalistas, centrando a atenção no vento.
Perante este cenário, a Proteção Civil decidiu estender o estado de prontidão elevado a toda a orla costeira entre Viana do Castelo e Setúbal.
A Proteção Civil está em contacto com as entidades que gerem redes e infraestruturas, tendo sugerido que reforcem os operacionais e elevem o seu estado de prontidão.
O presidente da ANEPC antecipa que a passagem da nova depressão “vai afetar sobretudo a vulnerabilidade das redes” de transportes, elétrica, etc., apelando à população que garanta “adequada fixação de estruturas soltas”.
Em contacto com terra, a ciclogénese explosiva “tem um potencial de estrago, de dano muito significativo, num curto espaço de tempo”, alertou.
Durante a tarde, a Proteção Civil vai trabalhar “de forma mais próxima com um conjunto de agentes e entidades, nomeadamente na área do apoio social”, para tentar “antecipar eventuais necessidades de alojamento de emergência de pessoas”.