Mercado do Bolhão no Porto vai ser alvo de melhorias após queixas de comerciantes

O reforço do sombreamento nos corredores, a instalação de ar condicionados e a criação de espaços exteriores para os comerciantes dos congelados são algumas das intervenções previstas.

Fevereiro 26, 2024

O reforço do sombreamento nos corredores, a instalação de ar condicionados e a criação de espaços exteriores para os comerciantes dos congelados são algumas das melhorias previstas para o Mercado do Bolhão, revelou hoje a vice-presidente da GO Porto.

Presente na reunião do executivo, na sequência de uma proposta do BE sobre o Bolhão, a vice-presidente da empresa municipal GO Porto, Cátia Meirinhos, esclareceu que irá existir “uma nova pala de sombreamento” para proteger as bancas do sol que incide nos corredores laterais.

Os serviços estão a “ultimar as peças do procedimento” para enviar a proposta para o Conselho de Administração da GO Porto, sendo que o procedimento deverá ter um valor base superior a 200 mil euros.

Cátia Meirinhos adiantou também que a GO Porto vai investir cerca de 30 mil euros na instalação de ar condicionados nos espaços que acomodam os congelados.

Os comerciantes dos congelados, cujas bancas se situam debaixo do vão das escadarias do mercado, vão também contar com “uma área de exposição cá fora”, adiantou a responsável.

A proposta do BE, que viria a ser retirada, propunha que a autarquia revisse as normas de funcionamento do Mercado do Bolhão, analisasse as necessidades detetadas pelos comerciantes, fizesse uma avaliação da gestão do equipamento e promovesse a participação ativa dos comerciantes.

Aos vereadores, Cátia Meirinhos assegurou que “os comerciantes nunca deixaram de ser ouvidos” e “sempre tiveram uma voz ativa”, notando que os comerciantes históricos representam cerca de 70% do total de comerciantes.

Relativamente às multas aplicadas, a responsável adiantou que 65% dos comerciantes “nunca teve uma ocorrência” e que mais de 50% das 141 coimas aplicadas se deve ao fecho das cortinas das bancas, sobretudo por “comerciantes históricos” que podem encerrar as suas bancas a partir das 17:00, contrariamente aos novos, que só o podem fazer a partir das 20:00.

Já quanto à Associação Bolha de Água, que representa comerciantes do mercado, Cátia Meirinhos disse não ter “indícios de fiabilidade” nos inquéritos realizados, adiantando que, em dois meses, a associação enviou “mais de 150 emails” a “atacar e difamar” o trabalho desenvolvido pela GO Porto.

Cátia Meirinhos afirmou ainda que a presidente da respetiva associação “deixou de ser inquilina” do mercado, não cumpriu com o contrato a que está obrigada e tem “tentado difamar” o trabalho desenvolvido.

Também o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, disse não ser possível confundir o trabalho desenvolvido pelos serviços da GO Porto com “um conjunto de mentiras” difundidas pela associação.

“Temos alguém que foi inquilina, já não é, e que aquilo que pretende é politizar o assunto. Peço imensa desculpa, mas comigo não vai discutir o assunto”, afirmou, criticando o facto de a associação ter atribuído culpas à direção do mercado pelos furtos ocorridos no fim de semana.

Contactada pela Lusa, a presidente da Associação Bolha de Água e representante da Oliveira Lovers, Lda, Helena Ferreira, negou as afirmações, dizendo que “quando não se pode atacar o argumento, ataca-se o argumentador”.

“Tanto a senhora vice-presidente da GO Porto, como o senhor presidente da Câmara Municipal do Porto misturam a atividade particular de uma inquilina com faltas à verdade com o trabalho associativo para denegrir ambos”, afirmou, dizendo que a associação irá continuar a defender os interesses dos comerciantes.

Na sequência dos esclarecimentos prestados pela vice-presidente da GO Porto e por já estar em curso a revisão do Regulamento do Mercado do Bolhão, aprovado pela Assembleia Municipal do Porto em janeiro de 2020, o BE retirou a proposta apresentada.

O Bolhão reabriu portas a 15 de setembro de 2022 e desde então passaram pelo mercado mais de sete milhões de visitantes.

Neste momento, estão em funcionamento 77 das 79 bancas, sete dos 10 restaurantes e 28 lojas das 38 lojas.

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