A associação contava na quarta-feira à noite com 131 sócios e o seu propósito é fomentar o debate público e “ajudar a repensar” o loteamento em discussão.
Um grupo de portuenses fundou a Associação Porto Atlântico para “falar a uma só voz e legitimar a contestação” feita em torno do projeto da futura avenida Nun”Álvares e defender aquela zona, disse esta quinta-feira o presidente da associação.
Constituída oficialmente a 31 de julho, a Associação Porto Atlântico surgiu após se terem juntado centenas de pessoas a um grupo de “whatsApp”, criado por Miguel Aroso, no qual tem sido debatida e contestada a possibilidade da construção de três torres até 25 andares, com fachadas até 100 metros, junto à futura avenida Nun”Álvares, na União das freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde.
“A discussão no grupo [que começou por ser como contestação às torres] escalou rápido e outras questões foram-se levantando à medida que fomos estudando o processo”, explicou à Lusa o presidente da associação, Miguel Aroso, que é morador desta zona da cidade e que chegou a pertencer à Assembleia da própria União de Freguesias, eleito pelo PSD.
Durante o mês de julho, esteve em consulta pública a proposta de definição no âmbito do Estudo de Impacte Ambiental relativa às unidades de loteamento da futura avenida Nun”Álvares (que ligará a Praça do Império à Avenida da Boavista), que recebeu 1.306 participações.
Em causa estão operações de loteamento das unidades de execução desta operação de urbanística, que abrange uma área total de 26 hectares e que, para a além da construção da futura avenida, prevê a urbanização das áreas envolventes, que foram divididas em três subunidades e onde vão nascer edifícios (entre eles três torres), áreas verdes e praças.
De acordo com o documento da constituição de sociedade, consultado pela Lusa, a Associação Porto Atlântico tem como fim “a defesa das freguesias de Foz do Douro e Nevogilde (…) do respetivo conjunto urbanístico, da sua identidade e dos interesses dos seus moradores e proprietários, incluindo da sua qualidade de vida, junto de todas as entidades públicas e privadas”.
Visa também “a defesa do património, ambiente, cultura, ordenamento do território, saúde, habitação, mobilidade urbana dos eleitores na cidade do Porto” e a “defesa dos cidadãos prejudicados ou lesados por quaisquer obras públicas ou privadas no concelho”, e especificamente no “território que vai desde a Praça do Império até à Avenida da Boavista e Parque da Cidade, incluindo os terrenos para onde está prevista a denominada Avenida Nun”Alvares e todos os terrenos envolventes”.
A associação contava na quarta-feira à noite com 131 sócios e o seu propósito é fomentar o debate público e “ajudar a repensar” o loteamento em discussão.
Em relação ao loteamento atual e em comparação com um projeto de 2010, a associação contesta que a futura Avenida Nun”Álvares tenha visto diminuída a sua largura de 35 para 23 metros, valores que considera que afeta “a solução de mobilidade que era exigida para ali”, nomeadamente o metro à superfície, proposta entretanto descartada no atual projeto.
“Numa artéria numa zona que já tem um trânsito infernal atualmente, como é que se vão colocar ainda cinco mil novos carros e moradores, mais todos os trabalhadores e clientes que se desloquem para o comércio que lá vai nascer? Para onde é que o trânsito vai escoar?”, questionou Miguel Aroso.
Seguindo a mesma lógica, o morador interrogou também se esta nova zona estará preparada em termos de serviços de saúde e educação para receber mais habitantes.
Miguel Aroso lamentou ainda que o loteamento destes terrenos tenha começado a ser discutido nos últimos anos de um executivo em fim de mandato e que as forças políticas da oposição “não tenham questionado mais sobre essa decisão”.
A 20 de maio, a Câmara do Porto aprovou por maioria, com a abstenção da CDU, as unidades de loteamento da futura Avenida Nun”Álvares. O início da discussão da delimitação das áreas de execução do atual projeto em sede de executivo municipal começou, contudo, em 2023, quando foi revelado que a autarquia tinha conseguido a “anuência” da maioria dos proprietários dos terrenos.
Ressalvando que esta é uma associação apartidária e composta por pessoas que moram um pouco por toda a cidade, Aroso considerou “muito feio” que se dê a entender que “são os moradores da Foz que não querem esta construção [das três torres], que não querem que ninguém mexa no quintal deles”.
“Não é a Foz que está contra os outros, nem os outros contra a Foz. Isto aqui é um grupo de pessoas que está preocupada com uma intervenção (…) porque uma pessoa quando faz um projeto desta envergadura não está a licenciar uma casa ou um prédio, está a licenciar uma obra estruturante para uma zona da cidade”, justificou.