O movimento de cidadãos considera que “a frente atlântica de Canidelo e a foz do Douro constituem uma das paisagens mais marcantes de Gaia, resultado da relação aberta entre o rio, o oceano e a linha de horizonte, um património natural e paisagístico que deve ser preservado”.

O movimento Gaia Verde defendeu hoje um “debate alargado e rigoroso” sobre o projeto do teleférico no concelho, que ligará a Arrábida às praias, alertando para possíveis “impactos socioambientais e económicos significativos”.
“É indispensável abrir um debate alargado e rigoroso sobre esta proposta. Trata-se de uma entre várias soluções possíveis para o território, cuja concretização poderá implicar impactos socioambientais e económicos significativos, exigindo por isso uma avaliação séria, transparente e participada”, pode ler-se num comunicado enviado às redações.
O projeto de um novo teleférico de Gaia, a ligar a praia das Pedras Amarelas à Arrábida, será um investimento privado que poderá rondar os 90 milhões de euros e não terá custos para o município, segundo o presidente da Câmara, Luís Filipe Menezes (PSD/CDS-PP/IL).
O movimento de cidadãos, que defende mais áreas verdes no concelho, considera que “a frente atlântica de Canidelo e a foz do Douro constituem uma das paisagens mais marcantes de Gaia, resultado da relação aberta entre o rio, o oceano e a linha de horizonte, um património natural e paisagístico que deve ser preservado”.
“A instalação de pilares elevados, cabos suspensos, estações de grande dimensão e cabines em movimento permanente representaria uma alteração muito profunda dessa paisagem e da forma como este espaço é vivido pelos residentes e visitantes”, consideram.
Assim, o movimento alerta que “em vez de valorizar a frente costeira, o projeto arrisca-se a descaracterizá-la, reforçando ainda mais a artificialização de uma orla já fortemente pressionada”, uma preocupação que “ganha particular relevo pela proximidade da Reserva Natural Local do Estuário do Douro e do Parque do Vale de São Paio”, podendo o projeto funcionar como “barreira artificial num território de grande valor ecológico” com riscos de “perturbação da avifauna, incluindo colisões nas infraestruturas do teleférico”.
O movimento alerta ainda para “as fortes rajadas de vento que se fazem sentir ao longo de grande parte do ano, associadas ao ambiente salino e à corrosão dos materiais, levantam dúvidas legítimas quanto à regularidade do serviço, às necessidades de manutenção e aos custos de exploração”.
Aos jornalistas, em 07 de julho, Menezes referiu, quanto aos impactos do mar ou dos ventos, que a região “não tem tufões nem furacões” mas sim a “nortada”, “um fenómeno fundamentalmente de verão” com ventos na casa dos 40 e 50 km/h, lembrando que os teleféricos de Paris “suportam ventos de 190 km/h”, garantindo que “não se vai tirar a paisagem a ninguém”.
Já os ambientalistas referem que “um investimento desta dimensão não pode ser decidido sem uma comparação transparente com outras soluções de mobilidade sustentável, como o reforço dos transportes públicos existentes, a expansão da rede ciclável, a melhoria dos percursos pedonais ou outras alternativas de menor impacto”.
Assim, defendem “a realização de uma consulta pública efetiva antes de qualquer decisão irreversível, assegurando a participação de cidadãos, associações e especialistas”, bem como “os residentes das zonas potencialmente afetadas, tendo em conta os impactos sobre a tranquilidade, a privacidade e a identidade do território”.
Caso se conclua que o teleférico “é efetivamente a solução mais adequada”, o movimento defende que “deve ser evitada, a todo o custo, a passagem junto à Reserva Natural Local do Estuário do Douro ou entre esta e o Parque do Vale de São Paio”, tendo o projeto “critérios ambientais muito exigentes, incluindo a integração paisagística, medidas eficazes de proteção da biodiversidade, em especial da avifauna”.
São ainda pedidos “estudos independentes e públicos sobre os impactos na biodiversidade, tanto na fase de construção como durante a exploração da infraestrutura, incluindo a movimentação de terras, a circulação de maquinaria pesada, o ruído e as alterações no comportamento das espécies”.