O Estudo Nacional de Saúde 2025 – Estado de Saúde Geral da População Portuguesa revela ainda que a valorização da saúde mental no local de trabalho continua a ser uma questão crítica.

A região Norte de Portugal apresenta um cenário de contrastes na saúde: destaca-se positivamente no acesso aos cuidados de saúde mas os níveis de stress, desafios de saúde mental e sono apresentam níveis elevados. A conclusão é apresentada na segunda edição do Estudo Nacional de Saúde 2025 – Estado de Saúde Geral da População Portuguesa, desenvolvido pela Marktest para a Medicare, que traça um retrato abrangente e atualizado sobre a saúde dos portugueses.
Numa análise global, a população portuguesa atribui ao seu estado de saúde um índice de 75,8 (numa escala de 0 a 100), observando-se um valor inferior no Grande Porto e no Litoral Norte, com 73,8 e 75,7 pontos, respetivamente. Ainda assim, as diferenças são pouco expressivas e mantêm o Norte dentro de um panorama globalmente positivo de bem-estar.
As prioridades de saúde revelam-se claras e transversais em toda a região: menos stress, menos ansiedade e mais equilíbrio. A redução destes sintomas é apontada como a principal meta por 27,9% dos indivíduos do Litoral Norte, 25,4% do Grande Porto e 18,5% do Interior Norte.
Seguem-se preocupações como a redução do cansaço diário, o controlo do peso e a melhoria da qualidade do sono, que completam o retrato das principais necessidades sentidas na região.
É precisamente no Norte do país que se verifica uma maior incidência de problemas relacionados com o sono. No Grande Porto, 38,5% da população revela dificuldade em adormecer, enquanto 47,3% refere interrupções frequentes do sono — valores acima da média nacional (29,9% e 42,7%, respetivamente). Consequentemente, esta é também a sub-região onde menos pessoas afirmam acordar habitualmente com sensação de descanso (38,6%).
No domínio da saúde mental, o Grande Porto volta a destacar-se pela negativa, com 39,4% da população a reportar sintomas do foro psicológico, tais como ansiedade, burnout, ataques de pânico ou depressão — um valor acima da média nacional (34,6%), que desceu 4,9 pontos percentuais face a 2023. O recurso a consultas de saúde mental é igualmente mais elevado nesta sub-região (20,2%, face aos 17,1% a nível nacional), uma tendência que se repete no Litoral Norte (18,9%).
Em linha com estes resultados e à semelhança do panorama nacional, o stress mantém-se como um dos principais desafios à saúde dos portugueses. No Interior Norte, 52,5% dos indivíduos entre os 18 e os 64 anos afirmam ter sofrido níveis de stress elevados nos últimos 6 meses. No Litoral Norte e Grande Porto registam-se valores igualmente elevados, 51,6% e 49,2% respetivamente, em linha com a média nacional (50,4%).
O Estudo Nacional de Saúde 2025 – Estado de Saúde Geral da População Portuguesa revela ainda que a valorização da saúde mental no local de trabalho continua a ser uma questão crítica. No Interior Norte, seis em cada dez pessoas (60,6%) consideram que o tema não é devidamente valorizado nas empresas, um valor em linha com a média nacional (58%). Em contraste, a discussão em contexto familiar e social revela maior abertura — com apenas 31,1% da população residente nesta região a admitir não se sentir confortável para abordar o tema, um valor igualmente em linha com a média nacional.
Apesar dos desafios identificados, o Norte evidencia boas condições de acesso aos cuidados de saúde. No Grande Porto, mais de metade da população (59,6%) afirma ter médico de família e facilidade em marcar consultas — valor 11 pontos percentuais acima da média nacional (48,2%). O Interior Norte (53,6%) e o Litoral Norte (49,4%) seguem a mesma tendência, embora nesta última sub-região 46,3% da população refira ter médico de família, mas dificuldade em marcar consulta.
Quando o tema é o futuro da medicina, a inteligência artificial continua a dividir opiniões. No Grande Porto, um terço da população (33,4%) acredita que a IA será fiável no apoio ao diagnóstico nos próximos dois anos, enquanto 28% manifesta falta de confiança nessa previsão.
No Litoral Norte (29,5%) e no Interior Norte (30,6%), a perceção de fiabilidade é mais baixa, com 28,4% e 31,1%, respetivamente, a considerarem que a IA não será fiável, refletindo uma postura de maior cautela face à inovação digital na saúde.