Nova temporada do Teatro Municipal do Porto com espetáculos gratuitos, regressos aclamados e estreias absolutas

A nova temporada do Teatro Municipal do Porto (TMP), apresentada nesta quinta-feira, 16 de julho, em conferência de imprensa, consolida o equilíbrio entre o regresso de criadores consagrados, como Né Barros, Joana Providência, Phia Ménard/ Cie Non Nova, a Compagnie Bakélite e o Teatro Experimental do Porto, com o fulgor de artistas e coletivos que se apresentam pela primeira vez no TMP.

Julho 17, 2026

Até dezembro, o Rivoli e o Campo Alegre recebem onze estreias absolutas, onze estreias nacionais, oito coproduções e cinco coapresentações.

A abertura de temporada, marcado para 18 e 19 de setembro, propõe programação de acesso gratuito, aberta à cidade.

No primeiro dia, o Grande Auditório do Rivoli é palco da estreia nacional de “A SEXUAL HISTORY OF THE INTERNET”, uma palestra interativa da artista e investigadora Mindy Seu, que convida o público a ler em voz alta um guião partilhado que explora as origens perversas e as histórias menos conhecidas das ferramentas digitais, cruzando sexualidade, inovação e autonomia.

Também o centro do Porto serve de cenário a outra estreia nacional: “Efectos Especiales”, de Luciana Acuña & Alejo Moguillansky. Uma rodagem de um filme coreografado em plano-sequência, onde diferentes intérpretes inventam consecutivamente formas de morrer face à arquitetura urbana, sob efeitos especiais como chuva, neve e fumo colorido.

O programa inclui ainda uma oficina orientada por Né Barros, um concerto tripartido de Slide Bons Symbiosis, um ensemble português de trombones, e o concerto dos Unsafe Space Garden, um coletivo musical de Guimarães que mistura rock psicadélico, pop e funk para abordar o absurdo da vida adulta, na Praça de D. João I.

Em outubro, nos dias 1 e 2, o Rivoli acolhe a estreia de “Zonas de Sombra”, de Né Barros, em que o movimento, a palavra e a música se unem para explorar as vertentes psicológicas, metafísicas e invisíveis da sombra através de corpos que ocultam sentidos profundos.

A 17 de outubro, o ciclo literário Quintas de Leitura regressa também ao Teatro Campo Alegre sob o tema “Nas tuas mãos começa o precipício”:

A fechar o mês, a 29 e 30, o TMP recebe a estreia de “Atlas, mapeamento poético”, uma criação de Joana Providência/ Teatro do Bolhão que junta seis intérpretes num manifesto coreográfico que aproxima a vivência da imigração em Portugal ao universo poético global através do som, do gesto e da palavra.

Programa para novembro e dezembro

Em novembro, dias 6 e 7, o Rivoli recebe Isabél Zuaa com “AFRO SAL.OYÁ”, um espetáculo-concerto-pop-ritualístico que acompanha o processo de criação de um álbum de uma artista afro-saloia que cresceu na periferia de Lisboa.

Nos dias 13 e 14 de novembro, o Rivoli apresenta a estreia nacional de “Dzudza”, de Idio Chichava (em coapresentação com a Fundação Calouste Gulbenkian). Uma dança que celebra a vida e a resistência na periferia de Maputo, unindo cantos populares e o simbolismo da capulana.

E nos dias 28 e 29, a estreia nacional de “السّيرة الهلاليّ “[A Epopeia de Banī Hilāl]”, do Khashabi Theatre (coapresentado com o Teatro do Bairro Alto e Teatro Nacional D. Maria II). A encenação de Bashar Murkus celebra musical e visualmente uma lendária saga árabe oral do século XIV sobre a migração da tribo Banī Hilāl.

O mês de dezembro começa no Rivoli, de 3 a 5, com “L’amour du risque”, da Compagnie Bakélite, um bailado para robôs aspiradores geridos por inteligência artificial que transforma um jantar romântico num espetáculo caótico e hipnótico.

A 3 de dezembro, também no Rivoli, a dupla Panda Bear & Sonic Boom apresenta o concerto do álbum “A ? of WHEN”, cruzando sonoridades de harpa, steel drums e mariachi com reflexões urgentes sobre a ansiedade ecológica e a fadiga digital.

Nos dias 4 e 5 de dezembro, no Campo Alegre, Ali Charour apresenta “When I Saw the Sea” (coapresentado com o Alkantara), uma peça em que três mulheres dão voz às histórias e pesadelos de trabalhadoras domésticas migrantes no Líbano sob o sistema Kafala.

De 10 a 12 de dezembro, estreia “Icária, Icária, Icária: Uma conferência _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ sobre um desejo chamado utopia e outros superpoderes”, de Rui Pina Coelho/ Teatro Experimental do Porto, que toma como ponto de partida o romance utópico de Étienne Cabet para questionar o papel da imaginação política face ao colapso ambiental do capitalismo.

O ano encerra a 22 de dezembro, no Campo Alegre, com nova sessão de Quintas de Leitura. Desta vez sob o mote “Alguma coisa onde a tua mão escrevesse cartas para chover”, do poeta António José Forte.

Os bilhetes para os espetáculos desta temporada, de setembro a dezembro de 2026, estarão disponíveis a partir de dia 16 de julho, nas bilheteiras do Teatro Rivoli e do Teatro Campo Alegre, e online em tmp.bol.pt.

Imagem: Carolina Ribeiro

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