De acordo com o presidente da Câmara, apenas uma pessoa ficou de fora deste acordo, pois “uma das senhoras conseguiu ir viver com familiares”.

Oito famílias da rua Garcia de Orta, no bairro do Cedro, em Gaia, foram hoje formalmente realojadas pela câmara municipal, recebendo as chaves das suas novas habitações nas freguesias de Afurada, Canidelo e Canelas.
“Comprometemo-nos até ao dia 31 de julho que todos teriam casa. Foi exatamente isso que eu disse há semanas. Estamos a cumprir. Poderia não ter acontecido, poderíamos ter resvalado uns dias ou umas semanas, às vezes isso acontece, mas desta vez foi possível cumprir rigorosamente este desiderato e este objetivo”, disse, numa cerimónia que decorreu hoje na Casa da Presidência, o líder da autarquia gaiense, Luís Filipe Menezes (PSD/CDS-PP/IL).
Em causa estão oito famílias da rua Garcia de Orta, no bairro do Cedro, em Mafamude, cujas casas onde viviam foram compradas pela mesma empresa, e foram agora realojados nos bairros do Cavaco (Afurada), Barbosa de Melo e Coronel Pinto Simões (Canidelo), e Rosa Mota (Canelas).
De acordo com o presidente da Câmara, apenas uma pessoa ficou de fora deste acordo, pois “uma das senhoras conseguiu ir viver com familiares”.
Questionado sobre como foi possível arranjar solução para as famílias, Menezes disse que “havia nos bairros sociais 160 casas que estavam fechadas e vandalizadas” que o anterior executivo PS queria recuperar “para serem colocadas no mercado como casas de renda acessível, casas para os 400, 500, 600 euros de arrendamento”, o que não conjugava com haver “muita gente inscrita para habitação social”.
“Há muita gente que tem necessidade da habitação social e precisa da habitação social e, portanto, não fazia sentido estarmos a colocar essas casas no mercado de renda acessível, quando ainda havia muita gente a precisar de casas de habitação social, inclusivamente não penso que as coisas fossem correr bem”, considerou.
Já sobre se estes moradores tiveram prioridade sobre os restantes pedidos de habitação social, que em Gaia rondam os 1.700, Luís Filipe Menezes justificou que “na maior parte dos casos”, as pessoas que estão na lista de espera não estão nas condições dos moradores da rua Garcia de Orta.
“Estão numa situação de ter habitações que estão ou degradadas, ou vivem numa situação de sobrelotação com familiares – acontece muito – mas não tinham o risco de ir para a rua. Neste caso, tínhamos o risco de ir para a rua até pessoas com bastante idade”, disse.
Como se tratava de “uma situação de emergência”, para Menezes “não fazia nenhum sentido pessoas que estão para ser despejadas e para a rua e que não tenham qualquer possibilidade de ter meios para alugar uma casa”, pelo que se justifica “que tenham tido prioridade”.
No final de maio, o jornal Público denunciou que, no início deste ano, as 13 moradias da Rua Garcia de Orta, no Cedro, em Gaia, foram vendidas a uma empresa de negócios imobiliários com sede em Torre de Moncorvo e os moradores – na maioria pessoas reformadas ou com baixos rendimentos – receberam a notificação de que deveriam sair no final dos contratos, o que deve acontecer entre este mês e agosto.
O diário relatou ainda que a autarquia podia ter adquirido as habitações por 1,2 milhões de euros, mas optou por não o fazer.
Hoje, Luís Filipe Menezes disse ainda que as mudanças ficarão a cargo dos serviços da Câmara de Gaia e das Águas de Gaia.
O autarca voltou a referir que pretende lançar um concurso público para mais habitação social e rendas acessíveis em setembro ou outubro.
“Estes oito meses serviram para procurar terrenos, para fazer projetos, para negociar formas de financiamento público e privado para construir”, apontou.
Quanto a locais, disse que “a lógica é espalhá-los um bocadinho por todo o município”, com prioridade para terrenos municipais, apontando como exemplo a zona dos Arcos do Sardão, Madalena ou Crestuma.