Pedro Duarte assume que gostava de ter transportes gratuitos em toda a AMP

Em causa está a gratuitidade dos transportes públicos para os portuenses, que lhes permitirá viajar por toda a AMP e que pode arrancar já este ano.

Abril 24, 2026

O presidente da Câmara e da Área Metropolitana do Porto assumiu esta sexta-feira que gostava que os transportes gratuitos implementados no seu concelho fossem alargados a todo o território metropolitano, dizendo que está a trabalhar com os municípios nesse sentido.

“Eu gostava que, de facto, isto fosse uma medida metropolitana. Mas, para isso, tem que haver vontade política, e essa parece-me existir daquilo que vou conversando com diferentes autarcas. Mas tem que haver condições, nomeadamente financeiras e orçamentais”, disse esta sexta-feira Pedro Duarte aos jornalistas após uma reunião do Conselho Metropolitano do Porto (CmP), que reúne os 17 autarcas da Área Metropolitana do Porto (AMP).

Em causa está a gratuitidade dos transportes públicos para os portuenses, que lhes permitirá viajar por toda a AMP e que pode arrancar já este ano, mas que não existe nos restantes municípios da AMP, e que já gerou reservas dos autarcas de Gondomar e de Santa Maria da Feira relativamente à concertação da decisão e potenciais assimetrias entre territórios.

“Eu compreendo perfeitamente aquilo que é o posicionamento e a situação em que estão outros autarcas da Área Metropolitana do Porto e, em certo sentido, comungo das suas preocupações”, disse Pedro Duarte, mas referiu que, “na realidade político-administrativa do país” só pode “tomar uma medida relativa ao município do Porto”, pois não tem “um orçamento para gerir em termos metropolitanos”.

Pedro Duarte disse ter disposição para “trabalhar conjuntamente com esses municípios, no âmbito da área metropolitana, particularmente aqueles que estão na coroa da cidade do Porto, para tentar encontrar soluções”.

“Se eu quero, de facto, incentivar a utilização de transportes coletivos e desincentivar o transporte individual, eu não posso conviver bem com ter cerca de 130 ou 140 mil automóveis a entrar na cidade todos os dias, nos movimentos pendulares que conhecemos”, apontou, referindo que “o problema da mobilidade é um problema metropolitano”.

Assim, “também é importante que nos outros municípios haja medidas que desincentivem o transporte individual”, estando os municípios “de braço dado” para estudar a matéria e depois poder “apresentar a situação da Área Metropolitana do Porto para, conjuntamente, entre a área metropolitana e o Governo, encontrar uma solução que abranja todos os municípios”.

“O poder central deve olhar para esta realidade, porque, e bem, o Governo tem uma política de mobilidade nacional, está a incentivar, e bem, a utilização de transportes públicos, por exemplo, com o passe ferroviário verde, mas deve olhar também para a realidade das áreas metropolitanas, porque as áreas metropolitanas têm, de facto, um problema de congestionamento de tráfego”, lembrou.

Assumiu ainda que a sua medida no Porto foi também um sinal para a AMP, porque, “às vezes, é importante dar-se um primeiro passo para desbloquear alguma apatia”, face a “uma pressão que é excessiva, do ponto de vista do seu condicionamento atmosférico, da pressão ambiental, até do stress individual das pessoas” na cidade.

“Com medidas destas, que são disruptivas, eu acredito que vai começar a existir uma mudança”, defendeu o autarca, assinalando que, mesmo que as pessoas não passem “a usar o transporte coletivo só porque ele é gratuito”, há uma “mudança cultural que pode começar a ser feita”, devendo o transporte público ser fiável.

Porém, reconheceu que “os autocarros se atropelam uns aos outros quase porque ficam parados no trânsito”, e, por isso, quer apostar em mais corredores BUS já este ano.

“Quando se demora mais tempo a ir de autocarro do que se for em transporte individual, é difícil, porque as pessoas, nomeadamente quem tem carro, prefere utilizá-lo. Portanto, temos que alterar essa circunstância. Isto vai causar alguma resistência dos automobilistas, é normal, mas estamos disponíveis para enfrentar esse problema”, apontou.

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