Estado lesado em mais de 66 ME por esquema que originou buscas em bancos

Banco Carregosa confirma buscas e diz que vai cooperar com autoridades.

Outubro 14, 2026

As autoridades suspeitam que o esquema que originou hoje buscas às sedes do Banco Carregosa, no Porto, e ao Banco Angolano de Investimentos, em Lisboa, tenha lesado o Estado em mais de 66 milhões de euros.

“Em causa estão factos suscetíveis de configurar a prática de crimes de burla tributária qualificada, relacionados com a obtenção indevida de Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT). Estima-se que, entre 2017 e 2025, o prejuízo causado ao Estado ascenda a mais de 66 milhões de euros”, refere, em comunicado, a Polícia Judiciária (PJ).

Segundo a força policial, há indícios da “existência de esquemas organizados de constituição, em série, de sociedades comerciais, formalmente destinadas à compra e revenda de imóveis”, mas que não tinham “qualquer atividade económica real”, vulgarmente conhecidas por “empresas de prateleira”.

“De forma a simular o exercício habitual daquela atividade, os suspeitos promoviam sucessivas transmissões de imóveis, por valores irrisórios, entre sociedades por si controladas, sem qualquer fluxo financeiro associado”, levando a Autoridade Tributária “a reconhecer às sociedades o direito à isenção de pagamento de IMT”, precisa a PJ.

Estas sociedades “eram, depois, comercializadas junto de investidores nacionais e estrangeiros” e mais tarde “utilizadas como veículos para aquisição de imóveis, incluindo carteiras de ativos de elevado valor, nomeadamente de portefólios bancários, sem liquidação do imposto devido”.

No total, foram executadas hoje de manhã 53 buscas domiciliárias e em sociedades comerciais, instituições bancárias e escritórios de advogados, nas regiões de Lisboa, Porto e Setúbal, destinadas à apreensão de documentos.

Entre os locais alvo de buscas, estiveram as sedes do Banco Carregosa, no Porto, e o Banco Angolano de Investimentos, em Lisboa, indicou à Lusa fonte da PJ.

A operação “Tax Free” contou ainda com a participação da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), 13 procuradores, três juízes de instrução e um técnico consultor do Banco de Portugal.

“No decurso das diligências foram apreendidos diversos documentos e objetos com elevada relevância probatória”, garante a PJ.

A investigação é dirigida pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), que, em comunicado, informou que o inquérito está em segredo de justiça.

Banco Carregosa confirma buscas e diz que vai cooperar com autoridades

O Banco Carregosa confirmou hoje as buscas às suas instalações e disse que vai colaborar com as autoridades para apurar a verdade, em resposta à agência Lusa.

Na resposta, o Banco Carregosa confirmou que autoridades se encontram nas instalações, no Porto, “a recolher informação no âmbito de uma investigação em curso” e disse estar totalmente disponível para cooperar com a investigação.

“O Banco Carregosa está, como é de lei, inteiramente disponível para colaborar com as autoridades para apurar a verdade dos factos”, afirmou fonte oficial, sem adiantar mais informação.

A Polícia Judiciária (PJ) e a Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) realizaram hoje de manhã dezenas de buscas por suspeita de fraude fiscal num esquema no Imposto Municipal Sobre Transações Onerosas de Imóveis (IMT).

As buscas abrangem as sedes do Banco Carregosa, no Porto, e do Banco Angolano de Investimentos, em Lisboa, assim como instalações de empresas e escritórios de advogados.

A PJ emitiu um comunicado em que refere que foram executadas 53 buscas e que as autoridades suspeitam que o esquema tenha lesado o Estado em mais de 66 milhões de euros entre 2017 e 2025.

Segundo a força policial, há indícios da “existência de esquemas organizados de constituição, em série, de sociedades comerciais, formalmente destinadas à compra e revenda de imóveis”, mas que não tinham “qualquer atividade económica real”, vulgarmente conhecidas por “empresas de prateleira”.

A investigação é dirigida pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), que, em comunicado, informou que o inquérito está em segredo de justiça.

O Banco Carregosa, presidido por Maria Cândida da Rocha e Silva, é uma instituição financeira sediada no Porto especializada em gestão de fortunas e corretagem de mercados de capitais. Em 2025, segundo o relatório e contas desse ano, teve um lucro de 2,8 milhões de euros, menos 33% do que em 2024.

A Lusa também contactou o Banco Angolano de Investimentos mas até ao momento não obteve resposta.

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