Plano estratégico do porto de Leixões prevê marina do lado da praia de Matosinhos

Atualmente, o porto de Leixões dispõe de uma doca de recreio “localizada no enraizamento do quebra-mar Norte do Porto de Leixões, com capacidade de amarração para cerca de 250 embarcações”.

Março 6, 2026

O plano estratégico do porto de Leixões 2025-2035 prevê a instalação de uma marina no extradorso do molhe sul da infraestrutura, ou seja, do lado da praia de Matosinhos, de acordo com o documento.

Segundo o cenário escolhido do Plano Estratégico 2025–2035, com a construção do novo terminal de contentores norte, atualmente em fase de análise ambiental, este implica “a eliminação da marina de Leixões (sendo criado um novo porto de recreio no lado exterior do molhe Sul e/ou outras soluções de reforço no rio Douro)”.

“Com o prolongamento do molhe Norte, em curso, poder-se-á criar um apoio à náutica de recreio (porto de recreio) e aos desportos náuticos (clubes) no extradorso do molhe Sul, viabilizando no total uma capacidade de cerca de 400 lugares para embarcações de recreio, consolidando a possibilidade de este molhe vir a constituir um polo de atratividade associado ao turismo”, pode ler-se no documento.

Os gráficos disponibilizados no documento comprovam a adição da marina do lado da praia de Matosinhos, juntando-se à “área ainda não infraestruturada, adjacente ao terminal de cruzeiros Sul, destinada à implantação de um porto de recreio para 170 embarcações”.

Atualmente, o porto de Leixões dispõe de uma doca de recreio “localizada no enraizamento do quebra-mar Norte do Porto de Leixões, com capacidade de amarração para cerca de 250 embarcações”.

Na apresentação do plano, no final de janeiro, o presidente da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL), João Pedro Neves, defendeu que a atual marina “não está bem situada”.

“A Marina de Leixões tem beneficiado de uma barra fantástica que é a Barra de Leixões, que permite um acesso franco para qualquer marinheiro menos experiente poder entrar, mas, de facto, não está bem situada”, assinalou.

Já quanto às escolas de vela, o responsável especificou que as crianças que as frequentam cruzam-se com os navios, os rebocadores, as lanchas de pilotos e as traineiras da pesca e “não é assim que as coisas devem ser feitas”.

“Portanto, nós aproveitamos este plano para corrigir isto, não é porque foi sempre assim que tem que ficar assim, se nós estamos cá e podemos melhorar nós temos a obrigação de melhorar”, ressalvou.

João Neves sublinhou que o objetivo é “pôr a carne toda no assador” e obter o espaço máximo que o porto permite dar.

“São mais 20 hectares do lado norte e são mais 10 hectares do lado sul, portanto, nós vamos, de facto, tirar partido do porto sem entrar muito no espaço da cidade e sair ainda para o mar”, assinalou.

Os documentos submetidos a consulta pública relativos à ampliação do molhe norte do porto de Leixões indicavam que “a ampliação do terrapleno terá uma sobreposição total com a Marina Porto Atlântico e os postos B e C do terminal petrolífero do porto de Leixões, desativando-os”.

Segundo o estudo, tornado público em dezembro, a “relocalização da marina” estava a “ser estudada, prevendo a APDL que a mesma ocupe a bacia junto ao terminal de cruzeiros, onde já existem infraestruturas náuticas”.

Estava também em curso “um estudo de náutica de recreio para avaliar a necessidade de complementar esta área com outra na proximidade do porto de Leixões, nomeadamente na margem direita do rio Douro, na zona do Cais do Ouro”, e, “se necessário, a marina da Afurada poderá acolher algumas embarcações”.

Porém, ainda não tinha sido mencionada a estrutura no extradorso do molhe sul.

Em setembro, a APDL já tinha dito que estava a “desenvolver um estudo para a oferta de mais lugares de atracação numa nova localização no porto de Leixões”, pelo que “se poderá inferir que a resposta à náutica de recreio será valorizada e aumentada”.

Em agosto, fonte oficial da APDL tinha dito à Lusa que a marina seria relocalizada para junto do terminal de cruzeiros, “onde já existem infraestruturas projetadas há 10 anos para o efeito”.

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