Proteção Civil sensibiliza população para risco sísmico com exercício público

Proteção Civil alerta para importância de portugueses estarem preparados para um sismo.

Novembro 4, 2026

A Proteção Civil desafia a população portuguesa a realizar na quinta-feira um exercício público de sensibilização para o risco sísmico, uma ação que dura um minuto e compreende a realização de três gestos: baixar, proteger e aguardar.

O exercício, denominado “A Terra Treme” (www.aterratreme.pt), vai acontecer às 11:05 de quinta-feira, é organizado anualmente pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em colaboração com diversas entidades públicas e privadas, e visa capacitar a população a saber como agir em caso de sismo.

A ANEPC pretende com esta iniciativa dar a conhecer à população “o que fazer antes, durante e depois de um sismo, nomeadamente conhecer as medidas preventivas e os comportamentos de autoproteção a adotar”.

Segundo a Proteção Civil, o exercício compreende “a realização de três gestos simples que podem fazer a diferença a quem os praticar perante a ocorrência de um sismo”.

A ANEPC indica que a ação se desenrola durante um minuto, no qual os participantes, a título individual ou coletivo (famílias, escolas, empresas, instituições públicas, privadas ou associativas), são convidados a executar os três gestos de autoproteção: baixar, proteger e aguardar.

O exercício, que se realiza este ano pela 14.ª vez, acontece sempre a 05 de novembro, o Dia Mundial de Sensibilização para os Tsunamis, e quatro dias depois do aniversário do grande terramoto de 1755.

Em declarações à Lusa, o diretor nacional de prevenção e gestão de riscos da ANEPC, Carlos Mendes, afirmou que na edição de 2025 participaram mais de 750.000 pessoas e este ano espera-se que ultrapasse aqueles números.

“O que nós queremos, ano após ano, é sempre ampliar o número de pessoas que praticam estes três gestos essenciais para fazer em caso de um sismo, nomeadamente o baixar, para evitar que a onda sísmica nos possa atirar ao chão e lesionar, o proteger, nomeadamente as partes sensíveis do corpo e se possível debaixo de uma superfície dura como uma mesa, e aguardar”, afirmou.

Carlos Mendes acrescentou que se deve aguardar um minuto, considerado como tempo médio para a duração de um sismo.

“Durante esse minuto as pessoas estão a exercitar estes comportamentos e assim a treinar ações que podem fazer a diferença”, disse, frisando que os sismos de grande dimensão em Portugal manifestam-se “muito espaçadamente no tempo e isso faz com que não haja uma memória coletiva presente do que é um sismo e dos impactos que podem trazer”.

Como exemplo, referiu que o risco de incêndio florestal está muito mais presente na memória coletiva dos cidadãos, destacando a importância todos os anos deste exercício para recordar o risco sísmico e para interiorizar os comportamentos de autoproteção.

“Como os eventos se repetem muito espaçadamente, é importante todos os anos trazer para a agenda pública que, de facto, Portugal é um país que está numa zona de elevada vulnerabilidade”, disse ainda.

Em todo o país, os Comandos Regionais e Sub-regionais de Emergência e Proteção Civil da ANEPC, em parceria com comunidades educativas, serviços municipais de proteção civil, corpos de bombeiros e outros agentes de proteção civil, vão desenvolver ações de sensibilização sobre o risco sísmico.

O evento principal desta 14.ª edição volta a realizar-se junto de uma escola, designadamente na Escola Secundária Sebastião da Gama, em Setúbal.

Proteção Civil alerta para importância de portugueses estarem preparados para um sismo

O diretor de gestão de risco da Proteção Civil alertou hoje os portugueses para a importância de estarem preparados para agir e adotar comportamentos de autoproteção em caso de sismo, lembrando que Portugal está numa zona de “particular vulnerabilidade”.

“Importa ter presente que os sismos não têm hora marcada. Podem acontecer a qualquer momento. Podemos estar a falar agora e daqui a alguns minutos ocorrer um evento sísmico. Nunca se sabe quando é que podem ocorrer. Não há capacidade científica para prever data e hora da ocorrência de sismos. A única coisa que podemos é, sabendo que estamos numa zona de particular vulnerabilidade, estarmos cientes dessa eventualidade e estarmos preparados para reagir” disse à Lusa Carlos Mendes.

Por ocasião do exercício público de sensibilização para o risco sísmico “A Terra Treme”, que a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) organiza na quinta-feira, o diretor nacional de prevenção e gestão de riscos da ANEPC avançou que é essencial adotar condutas de autoproteção durante o sismo e estar preparado para os minutos e as horas após o sismo.

Segundo o responsável, esta preparação é fundamental para se poder funcionar “como um agente colaborativo” no socorro e ajudar familiares e vizinhos e procurar evitar ceder ao pânico.

Carlos Mendes especificou que as zonas de maior intensidade histórica de risco sísmico são a Área Metropolitana de Lisboa, Vale do Tejo, Alentejo e Algarve.

“Tem sido aí que os sismos de grande dimensão se têm manifestado com consequências mais danosas no passado. Mas de qualquer forma, um sismo de grande dimensão afetará todo o Portugal Continental, mas aquilo que a ciência indica, é que estas regiões são as zonas potencialmente mais afetadas”, frisou.

Questionado se Portugal está preparado para um sismo de grande dimensão, respondeu: “Costuma dizer-se, é quase um chavão, que nenhum país está totalmente preparado para um sismo de grandes dimensões, porque a verdade e a experiência internacional vai dizendo isso mesmo. Mesmo em países com um histórico mais frequente de sismos acabam sempre a ter alguns danos associados a sismos de grande dimensão”.

O diretor nacional de prevenção e gestão de riscos da ANEPC afirmou que Portugal tem uma regulamentação sísmica relativamente recente do ponto de vista das construções que permite uma maior resistência das habitações ao sismo.

“Mas mesmo que o edificado resista, o recheio dos edifícios e os acessos às estruturas podem ser afetados por um efeito sísmico. Não podemos excluir a possibilidade de haver fortes afetações, até porque muitos edifícios e muitas estruturas foram construídas ainda antes da regulamentação sísmica mais recente” , disse.

O responsável acrescentou que “seguramente um sismo de elevada magnitude nestas regiões mais críticas de Portugal continental terá efeitos na sociedade, na forma como as construções estão instaladas, no dia-a-dia, nas redes de fornecimento, nos serviços digitais e transportes”.

Carlos Mendes sustentou que o exercício “A Terra Treme” tem contribuído ao longo dos anos para colocar “na agenda esta perceção da existência do risco sísmico”, além de fazer “despertar um coletivo no sentido de melhorar os níveis de resistência”.

Frisou também que “há hoje uma consciência coletiva mais elevada para os efeitos potenciais de um sismo”, salientando que os sismos recentes na Venezuela, Panamá, Colômbia e Espanha “acabam por trazer sempre a debate a vulnerabilidade que Portugal também tem”.

No entanto, considerou que esta cultura de segurança não se cria de um dia para o outro e recordou que existe aquela “convicção de que só pode acontecer aos outros”.

“Há já duzentos e tal anos que não há um grande sismo em Portugal. Nada indica que venha a acontecer outro hoje ou amanhã. Temos que pensar que a qualquer momento um sismo pode voltar a manifestar-se e pode ter consequências mais nefastas ou pode ser de dimensão mais reduzida e a preparação é a palavra-chave”, disse ainda.

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