A proposta de Orçamento e Grandes Opções do Plano será discutida e votada na hoje em reunião extraordinária do executivo.

O PS vai abster-se na votação hoje do Orçamento da Câmara de Gaia para 2026, por considerar que é “insuficiente e pouco ambicioso” e não responde aos desafios reais do concelho, como a habitação, água e transportes.
“O Partido Socialista de Gaia não acompanha opções erradas nem compactua com recuos sociais, mas também não abdica do seu sentido institucional. A abstenção é um sinal político claro: este Orçamento é insuficiente e pouco ambicioso e falha em responder aos desafios reais do concelho”, lê-se num comunicado hoje enviado.
A estrutura socialista afirma ter analisado a proposta “com sentido de responsabilidade”, contudo, considera que a mesma “não merece o voto favorável”.
O partido sublinha que “a esmagadora maioria” das intervenções e investimentos incluídos “resultam de planeamento, candidaturas e decisões tomadas por anteriores executivos do Partido Socialista”.
Entre os exemplos apontados estão o novo Centro de Saúde dos Carvalhos, as reabilitações da Avenida Vasco da Gama e de vários equipamentos escolares, o Teatro Municipal Almeida e Sousa em Avintes, bem como projetos de habitação pública de renda acessível em Mafamude, Madalena, Pedroso e Grijó, além da nova linha de metro Rubi.
“Tudo isto foi possível graças a uma herança de boas contas, equilíbrio financeiro e visão estratégica deixada pelo PS, hoje utilizada sem o devido reconhecimento político”, pode ler-se no comunicado.
O PS acrescenta que esses investimentos são financiados por “mais de 50 milhões de euros de verbas do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] e PT2030 conquistadas na gestão anterior”.
O orçamento para 2026, o primeiro do presidente Luís Filipe Menezes (PSD/CDS-PP/IL), ascende a 328,715 milhões de euros, mais 43,9 milhões do que no ano anterior.
Segundo o documento a que a Lusa teve quinta-feira acesso, as Grandes Opções do Plano representam 230 milhões de euros, com destaque para as áreas de Ação Social (55,1 milhões) e Educação (32,3 milhões).
A autarquia prevê ainda investir em equipamentos municipais e obras como a reconstrução da Piscina Maravedi, a construção da Unidade de Saúde dos Carvalhos, bem como a aquisição de instalações para serviços municipais, entre os quais a Polícia Municipal.
O executivo argumenta que herdou “um ano orçamental sem margem de manobra face a 380 milhões de euros de compromissos assumidos” pelo anterior executivo municipal, liderado durante quase 12 anos por Eduardo Vítor Rodrigues (PS), cuja liderança, aponta, “assentou a sua ação no esbanjamento de meios financeiros sem norte, em ações de políticas sociais irresponsáveis, porque não assentes em princípios de sustentabilidade, mas tão somente no aumento de clientelas e sobreposição anárquica de programas”.
Os vereadores do PS, por seu lado, acusam a atual liderança de falhar “na resposta a dimensões essenciais, não aproveitando a oportunidade para aliviar a carga fiscal sobre as famílias gaienses”, e criticam a manutenção da taxa de IMI e a falta de medidas para reduzir a fatura da água, saneamento e resíduos, “uma das principais preocupações das famílias”.
“Soma-se a isto a trapalhada em torno do IRS municipal, marcada por avanços e recuos”, sublinham ainda.
Apontam também o “fim do apoio ao cartão Andante Municipal 3.ª Idade/ViverGaia+65” e a “redução de 25% no apoio direto aos clubes” como exemplos de recuos sociais.
Para os socialistas, o documento não apresenta também qualquer solução para a UNIR – a rede de autocarros Área Metropolitana do Porto que une os 17 de municípios – continuando a empurrar problemas para os utentes, e acusa o executivo liderado por Luís Filipe Menezes de deixar cair a promessa eleitoral das 4.000 habitações públicas até 2029.
A proposta de Orçamento e Grandes Opções do Plano será discutida e votada na hoje em reunião extraordinária do executivo.