A STCP Serviços dá conta de que o parque se encontrava regularmente lotado, com uma capacidade de 222 lugares, a que acrescem as avenças, incluindo de residentes, “que regularmente se veem impedidos de aceder ao parque”, assim como os que pretendem utilizar os 10 minutos gratuitos para tomada e largada de passageiros.

Entre 01 de janeiro e 31 de março, quase sete mil pessoas usufruíram da tarifa especial de estacionamento no parque do Terminal Intermodal de Campanhã (TIC), no Porto, praticamente metade dos bilhetes emitidos, disse hoje à Lusa a STCP Serviços.
“De 01 de janeiro a 31 de março de 2026, foram emitidos 6.957 bilhetes com a tarifa especial para portadores de título de transporte (ida e volta), correspondente a 46% dos bilhetes emitidos no parque neste período. Não sendo a motivação central, não podemos deixar de realçar a complexidade associada à verificação das condições de elegibilidade para beneficiar da tarifa e a margem existente para a sua utilização indevida, situação esta que se verificou em diversas ocasiões”, realça aquela empresa, numa resposta por escrito enviada à Lusa.
Esta empresa da Câmara do Porto anunciou, na semana passada, a suspensão, a partir de 01 de abril, da tarifa especial — até agora, quem tivesse uma viagem de transporte comprada pagava para estacionar no parque de estacionamento do TIC, na Rua da Bonjóia, três euros por 24 horas, 5,50 euros até 48 horas e 10 euros até 72 horas.
Desde o início do mês, a única tarifa especial é o cartão pré-pago para estacionamento até 72 horas seguidas, por 20 euros.
Na resposta à Lusa, a STCP Serviços dá conta de que o parque se encontrava regularmente lotado, com uma capacidade de 222 lugares, a que acrescem as avenças, incluindo de residentes, “que regularmente se veem impedidos de aceder ao parque”, assim como os que pretendem utilizar os 10 minutos gratuitos para tomada e largada de passageiros.
A suspensão das tarifas permite, assim, “recentrar a utilização do parque na sua função principal, a rotação de curta duração e apoio à tomada e largada de passageiros”, e foi uma decisão tomada “numa altura em que se vai iniciar a requalificação do parque de estacionamento de São Roque”, que a STCP Serviços espera poder apoiar a operação do terminal intermodal.
Questionada pela Lusa sobre se a decisão é permanente ou se poderão voltar a alterar os preços, a STCP Serviços diz que “nenhuma decisão é por natureza definitiva”.
Em comunicado, a CDU criticou a decisão, que diz representar “mais um agravamento de custos para quem utiliza transportes públicos de longa distância e mais um sinal do caminho errado seguido pela maioria municipal”.
“Com esta alteração, não estamos perante um mero ajuste técnico ou tarifário: estamos perante um aumento brutal de custos, que penaliza diretamente quem procura articular o uso do automóvel com o transporte público”, apontou.
O grupo municipal pediu que a autarquia esclareça por quem foi tomada a decisão de acabar com as tarifas bonificadas, com que fundamento foi tomada, qual o impacto que terá nos utentes do terminal e se o executivo entende “compatível com os objetivos de mobilidade pública e integrada um aumento desta dimensão”.
A CDU, que em março votou contra a alteração dos estatutos da STCP Serviços para a tornar exclusiva da cidade do Porto, afirmou que esta situação prova os alertas que tem deixado para “o risco de matérias eminentemente políticas, como o regime tarifário, deixarem de passar pelos órgãos eleitos e passarem a ser definidas no quadro de uma entidade empresarial, com menor controlo democrático e menor transparência”.