O relatório sobre a Águas de Gaia foi conhecido esta terça-feira.

O relatório sobre a Águas de Gaia, conhecido esta terça-feira, aponta “erros graves de gestão” e dependência do subsídio da Câmara Municipal, situação que a autarquia pretende alterar em quatro anos.
Em declarações à Lusa, Poças Martins, coordenador daquele relatório sobre o atual estado da empresa municipal de águas e resíduos de Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, apresentado esta terça-feira em reunião privada do executivo, salientou que a Águas de Gaia “parece o Titanic antes do embate do iceberg”, mas salientou que “é possível em quatro, ou menos anos”, colocar a empresa “no caminho da sustentabilidade”.
“É um facto que a empresa não foi bem gerida nos últimos anos. Caso contrário não teria aumentado os custos em mais de 20 milhões de euros. Isto é factual. Agora, isto pode ser uma de duas coisas, ou incompetência ou outra coisa, nenhuma delas é boa”, afirmou Poças Martins.
Entre os problemas detetados, Poças Martins salientou a existência de “contratos para recolha de resíduos mal fundamentados, ruinosos e insustentáveis”, que levariam a um “aumento incomportável de tarifas”, uma gestão “no mínimo distante e pouco interventiva” dos contratos de fornecimentos e serviços externos com a SIMDOURO, SULDOURO e SUMA, no valor de 50 milhões de euros por ano, “sete milhões de dívidas por cobrar” e “problemas graves” com as instalações afetas à empresa.
“A Águas de Gaia já foi a melhor empresa de águas do país e o nosso objetivo é voltar a pôr a empresa num caminho de sustentabilidade. Em quatro anos, ou menos, queremos que a empresa deixe de estar dependente do subsídio que recebe da autarquia – sete milhões por ano -, o que torna a empresa viável e a impede de ter prejuízo, e ainda baixar tarifas”, disse.
Quanto à nova sede, que teria um custo estimado de 12 milhões de euros, Poças Martins explicou que o atual projeto “caiu por terra” e que a nova sede “será para os operários, que estão acumulados em contentores e com condições de muito pouca dignidade em vários pontos do concelho, e que serão reaproveitados edifícios já existentes para a parte administrativa”.
O relatório reflete ainda mudanças no organograma da empresa: “Em poucos dias alteramos a estrutura, passando de seis diretores para dois e de 40 chefias para 15. Isto vai trazer economia de custos e rentabilização”, apontou.
Confrontado com as conclusões do estudo e a análise de Poças Martins ao relatório pedido pelo atual executivo liderado por Luís Filipe Menezes (PSD/CDS-PP), o líder da oposição socialista na autarquia, João Paulo Correia, defendeu que o documento “é opinativo e tendencioso”.
“O PS lembra que o engenheiro Poças Martins foi também consultor da anterior administração, praticamente para o mesmo objeto que este estudo, e, na altura, há um ou dois anos, não viu, nenhum destes problemas”, disse.
Para João Paulo Correia, Poças Martins não foi capaz de traduzir as acusações que fez.
“Achamos, e lamentamos, que essas acusações são um atirar areia para os olhos das pessoas e para esconder os grandes erros cometidos em 2009 e 2010, que estão na verdadeira origem dos problemas das Águas de Gaia”, salientou.
João Paulo Correia defendeu que “na origem” dos problemas da Água de Gaia estão o contrato de adesão à SIMDOURO em 2009 e o contrato com a SUMA, empresa de gestão de resíduos e limpeza urbana, em 2010.
“As Águas de Gaia aderiram à SIMDOURO em 2009 porque era preciso injetar dinheiro na empresa municipal. O executivo da altura vendeu o sistema de saneamento em alta, e fizeram uma injeção de muitos milhões de euros na empresa, que passou a pagar 1,2 milhões de euros mensais à SIMDOURO e, em 2010, foi o contrato com a SUMA, que vigora até hoje, e que transferiu para a Águas de Gaia um dívida de 20 milhões de euros”, apontou.
Segundo o vereador socialista, “os sete milhões de subsídio que a autarquia paga anualmente à Águas de Gaia são, em grande parte, para pagar os custos destes dois contratos assinados pelo à data presidente da câmara que é também o atual”.
O líder da oposição a Luís Filipe Menezes salientou que a Águas de Gaia “gera lucro, reduzido mas gera lucro, e que tem resultados operacionais positivos”.
“O que queremos agora vincar é que o mais importante sobre o futuro da Águas de Gaia é que a Câmara consiga baixar a fatura da água”, finalizou.