A obra, da autoria do Mestre António Bessa, realizada com base numa fotografia que terá sido tirada em 1891, foi descerrada no dia da Universidade do Porto, que hoje assinala 115 anos de existência.

O retrato das irmãs Moraes Sarmento, as primeiras mulheres que concluíram um curso superior nas instituições que deram origem à Universidade do Porto, está desde hoje nas paredes do Salão Nobre do Edifício Histórico da U.Porto.
A obra, da autoria do Mestre António Bessa, realizada com base numa fotografia que terá sido tirada em 1891, foi descerrada no dia da Universidade do Porto, que hoje assinala 115 anos de existência.
Foi em finais do século 19 que Laurinda, Aurélia, Guilhermina e Rita Moraes Sarmento, filhas de Anselmo Evaristo, um empresário e jornalista, natural de Aveiro, de espírito liberal e que dirigiu publicações como A Gazeta Literária do Porto, entre outras, colocaram o seu nome na história.
Laurinda, Aurélia e Guilhermina formaram-se, então, em Medicina na Escola Médico-Cirúrgica no Porto (antecessora das atuais faculdades de Medicina e de Farmácia da U.Porto), e Rita em Engenharia na Academia Politécnica do Porto (antecessora das faculdades de Ciências e de Engenharia da U.Porto).
Do seu circuito social e profissional faziam parte figuras como Oliveira Martins, Ramalho Ortigão, Camilo Castelo Branco, Antero de Quental e Teófilo Braga. A casa dos Moraes Sarmento era um espaço de reflexão para ideais liberais, numa altura em que se tentava construir uma cultura e uma mentalidade democráticas, refere a U.Porto numa nota de imprensa.
Salienta que numa época em que a presença masculina era dominante em todas as áreas, o facto de quatro mulheres frequentarem o ensino superior e concluírem os respetivos cursos, nomeadamente em Medicina e Engenharia, era “um acontecimento chocante”.
Um “fenómeno” tão raro que, no dia 10 de novembro de 1891, o Jornal do Porto deu a notícia: “As duas filhas do nosso prezado colega da Ideia Nova, senhor Anselmo de Morais Sarmento, concluíram como se sabe distintamente o curso da Escola Médico-Cirúrgica no Porto. As duas inteligentes meninas fizeram ontem, com muito brilho, as suas teses na Escola. […] Ambas ficaram plenamente aprovadas pelo que as felicitamos”.
A obra integra agora a Galeria de Retratos do Salão Nobre do Edifício Histórico da U.Porto, palco dos mais solenes atos da Academia, como a tomada de posse do reitor, cerimónias de atribuição do título de Doutor Honoris Causas ou a comemoração do Dia da Universidade.
Nesta sala estão já 51 retratos, três deles representam os fundadores da Academia Real de Marinha e Comércio da Cidade do Porto (1803), da Academia Politécnica do Porto (1837) e da Universidade do Porto (1911).
No mesmo espaço está também retratada Leopoldina Paulo (1908-1996), a primeira mulher doutorada pela U.Porto (1944), e que integra desde 2019 esta galeria de retratos, até então exclusivamente masculina.
Ali estão também representados os escritores Sophia de Melo Breyner Andresen (1919-2004), Agustina Bessa-Luís (1922-2019) e Eugénio de Andrade (1923-2005).
A vida e obra de Sophia tem fortes ligações à universidade, através do Jardim Botânico e da Galeria da Biodiversidade — Centro de Ciência Viva, instalados na casa dos seus avós, enquanto Agustina e Eugénio foram distinguidos com o título de Doutor Honoris Causa da U.Porto em 2005.
O autor do retrato das irmãs Moraes Sarmento pintou também os três escritores – Agustina Bessa Luís, Sophia de Mello Breyner Andresen e Eugénio de Andrade -, além do retrato do atual reitor, António de Sousa Pereira, que se encontra na Sala do Conselho (Galeria de Retratos dos Reitores) da Reitoria.